94 cartões para os 94 anos da vovó

Vovó Olga e a neta Sarah, que idealizou uma campanha pela internet para reunir 94 cartões de aniversário escritos à mão para a avó

Por Sarah Dina Arroyo Amorim

► No ano de 1922, o país foi sacudido, e não foi pela Semana de Arte Moderna ou pela revolta do Forte de Copacabana, muito menos pela letra do Hino Nacional ter se tornado oficial. O país era sacudido porque minha avó nascia. Vovó Olga Amorim, que nasceu no dia 22 de julho.

Agora, que ela vai completar 94 anos, idealizei uma campanha para reunir 94 cartões de aniversário para minha avó. Já consegui muitos, e tenho certeza de que ela irá amar receber tanto carinho de tanta gente desconhecida que separou alguns minutos do seu tempo para dedicar à minha avó, mesmo sem conhecê-la.

Minha avó é a filha mais velha de três irmãos. Nasceu em Campo Grande. Seus pais eram donos de uma livraria no centro da cidade e foi lá que a minha avó cresceu, como pessoa, poetisa e amante dos livros. Passava os dias trabalhando, mesmo quando muito jovem. Isso é o que ela conta. Eu acredito mais na segunda versão: ela passava os dias lendo todos os livros e revistas que chegavam à livraria.

Quando minha avó casou com meu avô, não pôde mais trabalhar na livraria, pois naquela época se dizia que não era “digno” ter uma esposa que trabalhasse. Então ela foi cuidar dos filhos e da casa. Mas nunca perdeu o costume de ler e escrever.

Quando eu nasci, minha avó já tinha três netos – Daniel, Carlinhos e Marina. Todos estavam se divertindo na praia e ninguém foi me visitar na maternidade. Afinal de contas, eram férias de janeiro.

Uma das primeiras lembranças que eu tenho da minha avó é ela justamente me ensinando o Hino Nacional Brasileiro, ela dizia que começava com “Ouviram do Ipiranga…” e eu dizia que começava com “1, 2, 3, Ouviram no Ipiranga…”

Minha avó sempre foi fora do comum, nunca fez comidas gostosas, pelo menos pra mim, ela nunca cozinhou. Não me lembro dela acordando cedo, só de dormir muito tarde depois de assistir todas as novelas. Não bordou nada. E escreveu… escreveu oito livros.

Quando era Natal, ela me levava em vários shoppings e bancos de São Paulo para eu conhecer as decorações natalinas. Íamos a até quatro shoppings em um dia! Eu amava, e ela fazia um grande esforço para me levar, pois não dirigia e ela me levava de metrô.

Como tenho grande diferença de idade dos meus primos, sempre estamos somente eu e ela, ela e eu nos passeios. O que era ótimo, pois eu sempre podia escolher o programa sem problemas, rsrs!

Nas férias, minha avó tinha uma certa dificuldade de me desgrudar do computador e me convidava para jogar bola. Ela me ensinou diversos jogos com bola e eu tive que treinar para ficar tão boa quanto ela.

Minha avó fez tanto por mim durante minha infância! Filmes infantis no cinema, passeios na praia, passeios de mini buggy, idas às bienais de arte, me ensinou musicas, leu livros pra mim.

Eu nunca imaginei que atitudes tão simples marcariam minha vida para sempre. Isso me fez perceber que a grandeza das pessoas não está no que elas têm, mas no que elas são. E o melhor presente que você pode dar a uma pessoa é seu tempo, sua atenção, seu carinho.

Foi por isso que nos últimos dois meses realizei uma campanha para arrecadar 94 cartões de aniversário para minha avó. Foi pelo Facebook, mas peço que enviem cartões escritos à mão.

O post no Facebook que pediu os cartões e as fotos dos remetentes

O post no Facebook que pediu os cartões e as fotos dos remetentes

Os cartões serão uma surpresa para ela, que não suspeita de nada devido à sua pouca ou quase nula fluência tecnológica.

Tenho certeza que se eu ainda não deixei minha marca de todo meu amor pela minha avó. O momento será este. O melhor presente dos seus 94 anos! Vó Olga, feliz aniversário! Todos os dias.

 

Sarah Dina Arroyo Amorim tem 23 anos e é a neta caçula da vovó Olga

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