A aventura e a ventura de ser avó

A psicóloga Mariá, com suas três netinhas de seis, três e um ano, diz o que envolve o fato de ser avó, muito além da doçura do contato com o novo

Por Mariá Giuliese

► Aventura ou ventura? Acontecimento imprevisto surpreendente? Façanha, proeza? Destino, sorte, risco, ameaça?

Mais, muito mais!

Tenho hoje três netinhas, três lindas meninas com seis, três e um ano. E… surpresa! Está chegando mais um bebê? Menina? Saberei amanhã.

Quanta alegria, medo e apreensão!!!

Uma nova vida que chega nos impondo a grande responsabilidade de assumir o papel de intérpretes dos desconhecidos mundos interno e externo.

Conseguiremos cumprir esse papel de ajudar pai e mãe a cuidar, amparar e preparar esse novo ser para a dura missão de crescer, buscar autonomia e independência?

A grande aventura e ventura de ser avó não envolve somente a doçura do contato com o novo ser que chega trazendo a delicadeza da vida que se inicia.

Envolve também vivência da impotência, entrar em contato com a finitude, com o envelhecer e o ter que se renovar a cada dia.

Envolve a sutileza do perceber ansiedade, rigidez, medo e insegurança dos pais; silenciar e encontrar um meio de dizer o que é preciso quando é preciso e possível!

Envolve o entristecer ao perceber o papel de coadjuvante e se recolher para não ser invasivo, inadequado, inoportuno. Chegar e sair de mansinho, sem ser percebido suavizar com delicadeza as relações e conflitos.

Envolve o errar, quando não pode se conter ou suportar a angústia da espera e de se saber excluído da cena principal.

Experiência plena de paradoxos que traz dor, apreensão e medo do futuro e ao mesmo tempo o contato com o novo, promovendo um início quando se está no fim.

A vivência contagiante do contato com os primeiros gestos, passos e palavras.

O poder colaborar com a certeza do amor incondicional e da experiência adquirida e, a segurança de estar fazendo bem.

O desejo de deixar marcas importantes na memória daquele que chega para ser lembrado com alegria quando tiver partido.

O livro de receitas da vovó, o quarto de brinquedos na casa da avó, os primeiros passeios no Zoológico, a gelatina de morango, as papas especiais e os lanchinhos nas tardes de chuva.

As conversas carinhosas e acolhedoras que tiram os medos e ajudam a suportar a raiva e a dor da perda do trono com a chegada da irmã mais nova.

O dia amanheceu renovando a ansiedade de saber se virá uma menina ou menino!!!

A preocupação com a saúde da mãe e do bebê.

A notícia chega no fim da tarde com o resultado do exame “morfológico”. Mãe e bebe estão bem, tudo conforme o esperado e desejado. Um grande alívio, muita alegria.

Suspense! Grande chance de ser uma menina, mas nenhuma certeza. Na verdade, a certeza é apenas um desejo que nos invade quando nos damos conta de que nada sabemos e de que a natureza é quem decide o que, como e quando poderemos saber alguma coisa.

A paciência da espera e a oportunidade de acompanhar de perto o que está por vir é, sem dúvida, a grande aventura e ventura de ser avó!

 

Mariá Giuliese é psicóloga, mestre em psicanálise e especialista em psicologia clínica e organizacional, e avó de três meninas (e mais um ou uma que chega em breve)

Posts relacionados

5 Comentários

  1. Norma Cortezia Coelho said:

    Amei o texto . Continue alimentando sua alma com essas doces recordações !
    Com certeza nestes momentos , hão de sentir o seu amor por eles onde quer que repousem suas belas almas , felizes com a missão cumprida !

*

Topo