Beth Goulart: ser avó é voltar a ser criança

Goulart
Beth Goulart no seu melhor papel, de avó de Maria Luiza, modestamente se intitula coadjuvante, aquela que fica atrás, dando aquele afeto

Por Elisabete Junqueira e Jorge Luiz de Souza

Entrevista com a atriz e avó Beth Goulart

Sua aparência muito jovem não revela que ela já é vovó de Maria Luiza, de 1 ano, filha de seu único filho João Gabriel. Atriz, cantora e bailarina, Beth Goulart despertou muito cedo para sua múltipla vocação artística.

E na maturidade, volta a ser criança, como ela diz: “elas nos ajudam a ser o que nós somos. Eu acho que essa é a melhor coisa que a gente pode fazer para uma criança ou pra gente mesmo, voltar a ser uma criança”.

A atriz Beth Goulart, filha dos atores Nicette Bruno e Paulo Goulart, de grande sucesso no teatro e na televisão, começou muito cedo a representar. A primeira vez no palco foi aos 3 anos. E profissionalmente, no teatro, aos 13. Na televisão, com 15 anos já era estrela de novela.

A neta não tem ainda nem um ano e meio, e também já foi apresentada ao mundo do teatro. “Agora já tem teatro para bebês, que trabalha diretamente com os sentidos. É um teatro muito sensorial, que desperta a curiosidade e a participação no espetáculo”, diz ela.

“Pra uma criança, é o mundo da fantasia. É muito estimulante para uma criança entrar num teatro, por exemplo. Eu era fascinada por aquele espaço, porque era o espaço da fantasia, tudo pode ali. É um espaço mágico”, acrescenta a vovó Beth.

A atriz Beth Goulart

Em sua carreira de atriz, Beth atuou em mais de 30 novelas de televisão nas redes Globo, Tupi e Record, e em dezenas de peças de teatro, além de ter lançado três LPs como cantora, nos anos 1980.

Ganhou alguns dos principais prêmios do teatro brasileiro, como o troféu APCA de atriz revelação em 1974 e o prêmio Shell de melhor atriz em 1999 e 2009. Desde 2009 faz sucesso também como diretora teatral, com a peça “Simplesmente Eu, Clarice Lispector”, que ela mesma interpreta.

Goulart

E, além do trabalho e da família, Beth Goulart ainda encontra tempo e disposição para emprestar seu renome em favor de causas sociais e por isso foi escolhida para ser Embaixadora da Boa Vontade pelo apoio ao projeto Lar de Maria.

É uma instituição que atende mais de 1200 jovens e crianças entre 3 meses e 16 anos que fazem parte de famílias em vulnerabilidade social, na região do ABC Paulista.

Nos vídeos a seguir você pode acompanhar a eloquência e a emoção da atriz nesta adorável entrevista que ela concedeu para o portal avŏsidade.

 De geração pra geração

Relação intensa com a avó e, agora, com a neta

“É muito bom ser avó! Eu sempre tive uma relação muito boa com minha avó, mãe de minha mãe, que morava com a gente…

…calma, vem no meu colo! Aí, você põe no colo e canta, e aquela criança adormece no seu braço. Tem coisa mais linda do que isso, mais singela, mais especial?”

 

Sabedoria de avó

Mãe moderna não deve menosprezar a sabedoria da maturidade

“Eu fui uma mãe um pouquinho à frente do meu tempo, eu fui uma mulher independente, me separei muito jovem do meu marido, tínhamos cinco anos de casados, só, e eu criei praticamente sozinha o meu filho, tendo que trabalhar muito…

…quando você é avó, já não é mais seu papel, aquele. Você educa por trás. Os pais dão aquela orientada na educação, e você fica por trás, meio que supervisionando, dando aquele afeto, aquele carinho, aquela palavra.”

 

Proximidade com os netos

Jeitinho pra acompanhar momento mágico do desenvolvimento da criança

“No meu histórico, no meu passado familiar, a gente sempre tinha aqueles almoços de domingo, que era uma forma de toda a família se encontrar num único dia. Já na minha geração, foi mais complicado ter esse dia especial…

…poder acompanhar esses momentos de crescimento de uma criança é de uma beleza muito grande. Então, eu sempre encaixo algum horário pra encontrá-los, seja dia de semana, às vezes eu vou lá encontrar na casa deles, às vezes eles vêm passar o fim de semana comigo, a gente sempre dá um jeitinho de poder estar perto, pra não perder esse momento mágico do desenvolvimento da criança.”

 

Sintonizar cada canal

A criança só vai dar atenção se você se colocar em pé de igualdade com ela

“Quando você entra no universo da criança, você tem que entrar naquela sintonia, senão a criança não vai entender o que você está falando. Não adianta você usar um termo muito assim que ela não vai ficar olhando pra você…

… eles não têm nenhum preconceito, eles não têm nenhum entrave no relacionamento, eles são o que são, e então eles nos ajudam a ser o que nós somos. Eu acho que essa é a coisa mais direta que a gente pode fazer para uma criança ou pra gente mesmo, voltar a ser uma criança, um pouco.”

 

Visão de mundo

Ser feliz, com aquilo que você tem e com aquilo que você é

“A melhor coisa que a gente pode fazer para as nas gerações é investir no aprendizado, porque quanto antes a criança tem acesso a mais aprendizado, melhor, mais chance ela vai ter inclusive de ser feliz e de entender o mundo…

…aprender a ser feliz para si, mas também ter uma utilidade no mundo em que você vive. Isso gera um novo conceito geracional, crianças que vêm com uma outra visão de mundo.”

 

Respeito é educação

O mundo só terá paz quando houver respeito à diversidade

“Eu acho que a única solução, e grande solução, pra nossa sociedade é através da educação. Porque é através da educação que esses valores básicos de relacionamento, valores éticos… Enquanto a gente não tiver ética, não teremos paz…

…eu costumo dizer que o coletivo começa no indivíduo. Então, pra você transformar o todo, você primeiro tem que transformar seu pequeno mundo, que é no seu cotidiano, que é na sua casa, nas relações que você estabelece, onde quer que você esteja, na rua, com se vizinho, com seu colega de trabalho, com um aluno seu, com o professor, nós temos que ampliar o nosso olhar, ganhar novos olhares pra nossa realidade, pra nossa sociedade. E isso vem através da educação.”

 

Espaço da fantasia

No teatro, criatividade imaginação, cenário perfeito para crianças

“A nossa profissão, pra uma criança, é o mundo da fantasia. É muito estimulante para uma criança entrar num teatro, por exemplo. Eu era fascinada por aquele espaço, porque era o espaço da fantasia, tudo pode ali. É um espaço mágico…

… agora já tem teatro para bebês, que trabalha diretamente com os sentidos. É um teatro muito sensorial, que desperta a curiosidade e a participação no espetáculo…

…é uma atividade extremamente apaixonante pra quem faz e provavelmente apaixonante pra quem se aproxima dela. Pra uma criança é uma caixinha de surpresas. Tudo pode! Eu acho que pra minha netinha vai ter a chance de conviver mais de perto com esse mundo mágico.”

 

Trabalho social

Embaixadora de entidade cuida de jovens de todas as idades

“Eu estou extremamente honrada e agradecida de ser embaixadora da Boa Vontade, pra ajudar esse Lar de Maria, que é uma escola com bases montessorianas, que é uma forma muito livre de ensinar crianças desde os quatro meses até os 16 anos de idade…

…e quem puder ajudar visitando também será recebido de braços abertos. Então, eu faço aqui o meu apelo pra que você ajude, de coração aberto, o Lar de Maria.”

E mais…

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Elisabete Junqueira e Jorge Luiz de Souza são fundadores do portal avǒsidade e avós de Mateus, Sofia, Rafael, Natalia, Andrew e Thomas

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