Brincar com Marina nos tempos do cólera

Cólera
Telas, vídeos, chamadas, o autor tenta muitas formas de ficar próximo da neta e abrandar um pouco a saudade que a pandemia nos impõe

Por Sérgio Vaz

Brincar com a neta em quarentena dá uma imensa alegria

Hoje brincamos com Marina por quase duas horas, pela primeira vez depois de um tempo imenso sem vê-la. Ela parecia alegrinha, felicinha feito pinto no lixo, como sempre que a gente se vê e brinca. Cólera…

Parecia estar com muita saudade – não queria parar de nos ver de jeito algum. Eu me assustei demais ao saber que o encontro durou isso tudo, exatamente 1h41, porque para mim era como se tivesse sido no máximo uma meia horinha.

Marina estava na casa dela, e nós na nossa. Como deve ser, nestes tempos do cólera, perdão, do novo coronavírus.

Tempo é um avião a jato cólera

Tinha visto Marina pela última vez na quarta da outra semana, dia 11. Na sexta, dia 13, ela havia mandado mensagens de voz pedindo para irmos vê-la; Mary foi, mas eu, não – foi o dia do velório da Dona Elza, pessoa muito querida, mãe de pessoas de quem gosto muito.

No domingo, 15, ela fez 7 anos – mas, por causa da pandemia, não nos vimos. Foi o primeiro dos 7 aniversários da nossa neta em que não estivemos com ela.

Isso fez esse período de tempo em que não brincamos, não a vi, não dei nela um abraço, não ganhei no mínimo um beijo na careca, parecer um ano, uma década, uma vida.

E, ao longo da semana, houve a decisão e a sacramentação da decisão da minha filha de que não deveríamos nos ver mesmo, pelo bem de nós todos. É o tempo do cuidado, do isolamento, do confinamento, da quarentena.

Cólera

Vovô Sérgio, Marina e vovó Mary

Conversamos sobre tentar a coisa de falarmos por ligação com vídeo – mas acabou que não rolou. Não rolou – até o final da tarde deste domingo.

Minha filha ligou, a primeira ligação não deu muito certo, ligamos de novo, o celular é pequeno, passamos para a tela bem mais ampla do iPad – e aí, meu, que maravilha!

Nos vimos, conversamos, brincamos, jogamos, nos divertimos, rimos – e para mim, e para a pequena, e para a vovó Mary, parecia que o tempo passava depressa demais.

Time is a jet plane, it moves too fast, disse o Dylan, que também disse que às vezes time passes too slowly.

Registro na agenda cólera

Não tenho vergonha de confessar que fiquei bastante emocionado com essa experiência de ver e falar e brincar com Marina dessa forma virtual depois de tanto tempo sem pegar nela.

Não tinha ideia de que poderia ser tão gostoso – tanto para nós quanto para ela.

Vou anotar sobre as brincadeiras que a gente fez, na minha Agenda pessoal. Lá, faço questão de registrar tudinho detalhadamente.

Mas pensei em fazer uma versão mais curta aqui desta Agenda do Vô para publicar. Se um par de avós ler, já será bom. Dois então, que maravilha.

Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então.

Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então.

E mais… cólera

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Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então.

Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então.

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Sérgio Vaz é jornalista (Jornal da Tarde, revista Afinal, Agência Estado, revista Marie Claire, Portal Estadão, jornal O Estado de S. Paulo), edita os sites 50 Anos de Textos e 50 Anos de Filmes, e é avô de Marina

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