Chegou a hora da fogueira…

Por Jorge Luiz de Souza

A animação das festas com fogueiras e danças de quadrilha por todo o país

[clique nas setas laterais da imagem para girar o carrossel]

► Junho lembra os arraiais com grandes festas populares ao redor de uma fogueira, que ajuda a aquecer o frio do inverno. Mas, a população brasileira hoje é quase toda urbana e quem preserva essa tradição são principalmente as escolas. Não há uma que não tenha sua festa junina.

A galeria de vǒ mostra aqui a festa no colégio Magnum Buritis, de Belo Horizonte (MG), em 2015, e as fotos são de Karina Penido Rosa.

Em todas há um padrão de costumes populares preservados com riqueza de detalhes como em nenhuma outra manifestação popular no país. É uma festa com decoração típica, de bandeirinhas coloridas e fogueira; música típica, com acordeon; danças típicas, a quadrilha; e comidas típicas, principalmente as feitas com milho, que na maior parte do Brasil está pronto para se colhido, ainda verde, em junho.

No Nordeste no Brasil a tradição é muito mais forte, com as festas tomando ruas e praças das cidades e uma movimentação comparável à que acontece nas outras regiões brasileiras na época do Natal, inclusive com troca de presentes.

A festa junina é também conhecida como Festa de São João e não há nenhuma região do Brasil em que ela não aconteça. Pela enorme semelhança, é provavelmente originada nas Festas dos Santos Populares, da região Norte de Portugal, que compreendem a Festa de Santo Antônio, a Festa de São João e a Festa de São Pedro e São Paulo.

Também são grandes as semelhanças de festividades que acontecem em outros países europeus, mas é bom lembrar que lá as estações do ano são o contrário das nossas no Brasil e eles comemoram o solstício de verão, que acontece no hemisfério norte no dia 20 ou 21 de junho, mas, mesmo com calor, também fazem fogueiras.

A quadrilha é uma das mais ricas tradições preservadas do Brasil e há várias gerações é cantada quase sem variações em todo o país. Vamos ser se é assim que você conhece a narração da quadrilha:

 

Óia o túnel!

 

Cada um com seu par!
– os casais dançam de braços dados em fila.

Olha os cumprimentos!
– os casais se dividem em dois grupos, sem desfazer os casais, com um grupo ficando de frente para o outro.

Cumprimento das damas!
– as damas vão até o meio, dançando e segurando a saia, e, quando se encontram no meio, fazem uma reverência graciosa, enquanto isso os homens batem palmas.

Anarriê!
– as damas voltam ao seu lugar, dançando de costas.

Cumprimento de cavalheiros!
– os cavalheiros vão até o centro, batendo os pés e com as mãos para trás, e, quando se encontram, tiram o chapéu e se curvam.

Anarriê!
– os cavalheiros recolocam o chapéu e voltam ao seu lugar, dançando de costas.

A galope!
– sai um casal de cada um dos grupos, “cavalgando”, se cruzam no meio e trocam de lugar.

Passeio dos namorados!
– os casais começam a andar em fila, de braços dados (sempre damas atrás de damas e cavalheiros atrás de cavalheiros).

Caminho da roça!
– os pares se desfazem, passando cada dama para frente do seu par, e continuam andando em fila (atenção para que fiquem intercalados uma dama, um cavalheiro, uma dama, um cavalheiro etc.).

Olha o trem!
– cada um pega na cintura da pessoa à sua frente.

Enguiçou!
– todos param…

Marcha-à-ré!
– todos andam de costas sem perder a forma de trem.

Consertou!
– seguir em frente.

Olha a chuva!
– cada um coloca as mãos entrelaçadas sobre a própria cabeça.

Já passou!
– os cavalheiros colocam os braços para trás e as damas seguram as saias.

Olha a cobra!
– todos gritam “Ui!” e se viram – a fila agora anda em sentido contrário ao que vinha.

Já foi embora!
– todos gritam “Oba!” e se viram – a fila volta a andar no sentido inicial.

Grande roda!– todos se dão as mãos e formam uma roda (atenção para que fiquem intercalados uma dama, um cavalheiro, uma dama, um cavalheiro etc.).

Damas ao centro!
– manter duas rodas, a de cavalheiros por fora e a de damas por dentro.

Cestinha de rosas!
– cada dama deve parar à direita de seu par; os cavalheiros levantam os braços e as damas passam por baixo; em seguida, girar.

Grande Roda!
– desfazem a cesta e se dão as mãos.

Cavalheiros ao centro!
– manter duas rodas, a de damas por fora e a de cavalheiros por dentro.

Cestinha de cravos!
– cada cavalheiro deve parar à direita de seu par; as damas levantam os braços e os cavalheiros passam por baixo; em seguida, girar.

Grande Roda!
– desfazem a cesta e se dão as mãos.

Olha o caracol!
– a noiva puxa a fila, sem desfazer a roda, e começa a formar uma serpentina dentro da roda, até chegar ao centro.

Desmanchar!
– a noiva volta e começa a desfazer, até conseguir formar a grande roda de novo.

Passeio dos Namorados!
– os casais começam a andar em fila, de braços dados (sempre damas atrás de damas e cavalheiros atrás de cavalheiros).

Olha o túnel!
– os noivos param e se dão as mãos no alto, por cima da cabeça, formando uma “casinha”; o próximo par passa por debaixo do túnel e forma também a “casinha”, e assim sucessivamente, até todos passarem; os noivos então desfazem a sua “casinha”, passam por baixo de todo o túnel e se dão os braços, reiniciando o “Passeio dos namorados”; um por um, cada par, então, também desmonta a “casinha” e passa pelo túnel, que vai se desfazendo.

Hora do baile!
– os casais param e formam uma roda bem aberta.

Valsa dos noivos!
– os noivos vão para o meio da roda e dançam.

Viva o padre!
– o padre e seu par se juntam aos noivos.

Viva o xerife!
– o xerife e seu par se juntam aos noivos.

A dança agora é geral!
– todos valsam.

Lá vem o arara!
– um cavalheiro sem par entra na roda com um cabo de vassoura e o entrega para qualquer cavalheiro da roda, passando a dançar com a dama dele; o cabo de vassoura vai sendo passado entre os cavalheiros até a valsa acabar.

Cada um com seu par!
– casais se retomam de braços dados em fila.

Passeio dos namorados!
– os casais começam a andar em fila, de braços dados (sempre damas atrás de damas e cavalheiros atrás de cavalheiros).

Despedida!
– os casais vão saindo, acenando, as damas com a mão (ou com um lenço) e os cavalheiros com o chapéu.

 

Jorge Luiz de Souza é jornalista, avô e editor do portal avǒsidade

Posts relacionados

*

Topo