Conectando gerações por meio de cartas

Cartas
Avós escreveram sobre brincadeiras de quase um século atrás e os jovens explicaram a tecnologia e as atividades de lazer de hoje em dia

Por Jorge Luiz de Souza

► Parece uma volta ao passado, mas é uma experiência bem interessante. Desde o início do ano, um grupo de idosos trocou cartas com estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental de uma escola gratuita e relembrou brincadeiras de quase um século atrás.

E nas respostas, os “avós” ouviram o que as crianças têm a dizer sobre a tecnologia atual e as atividades de lazer que fazem parte do seu dia a dia. Este foi o projeto Estação Memória de 2016, cujo tema foram as brincadeiras infantis.

O desfecho foi no dia 19 de outubro, quando jovens e idosos se encontraram. Foi no Centro Educacional da Fundação Salvador Arena, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

Gerações

De um lado estavam mais de cem estudantes de 13 e 14 anos, atendidos gratuitamente no Centro Educacional da Fundação. De outro, um grupo formado por 25 idosos entre 70 e 90 anos de idade.

O projeto Estação Memória e é realizado pelo Centro Educacional em parceria com Universidade de São Paulo (USP). Em edições anteriores, o projeto abordou temas como adolescência, esportes, a era do rádio e a ditadura militar no Brasil.

 

O projeto foi criado pelos pesquisadores Edmir Perroti e Ivete Pieruccini, do Departamento de Informação e Cultura da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, que tiveram a ideia de promover encontros entre jovens e idosos a fim de criar uma ponte de comunicação entre gerações, por meio de memórias.

Uma vez por semana, o grupo de idosos se reuniu para escrever cartas endereçadas aos jovens das comunidades visitadas. O Estação Memória foi iniciado em 1997 como projeto de pesquisa. Já visitou dezenas de estudantes de escolas públicas e privadas e de jovens de entidades sem fins lucrativos.

O encontro é realizado de forma interdisciplinar. Tem o apoio dos profissionais da rede de bibliotecas interativas do Centro Educacional e professores de português, informática e história.

Cartas

Segundo a professora Miriam Nascimento, coordenadora da rede de bibliotecas interativas do Centro Educacional, a iniciativa incentiva a pesquisa e amplia o vocabulário dos alunos por meio da escrita e da leitura.

“Para compreender algumas expressões utilizadas pelos idosos, os alunos precisam recorrer aos livros, revistas e vídeos. Desta forma, além de partilhar experiências e entender a importância de valorizar o passado e respeitar os mais velhos, os alunos trabalham em equipe, desenvolvem a escrita e o hábito de leitura”, diz a professora.

Sobre o Centro Educacional da Fundação Salvador Arena

O Centro Educacional da Fundação Salvador Arena (Cefsa) é um complexo educacional instalado em Bernardo do Campo (Grande São Paulo). Oferece cursos gratuitos da educação infantil ao ensino superior para mais de 2.400 alunos.

O complexo educacional tem 131 mil metros quadrados e dispõe de laboratórios com equipamentos de última geração. E uma rede de bibliotecas interativas, ginásios e quadras poliesportivos, conjunto aquático, estádio olímpico e um teatro para 600 expectadores.

Na educação básica, os alunos recebem investimento anual de cerca de R$ 22 mil, volume semelhante ao orçamento gasto por governos da Alemanha, Japão e Reino Unido, de acordo com dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado em 2015.

No ensino superior, a instituição investe anualmente, em média, R$ 26 mil por aluno e mantém índice de 96% de empregabilidade.

 

Jorge Luiz de Souza é jornalista e editor do portal avǒsidade, e também é avô de Mateus, Sofia, Rafael, Natalia e Andrew

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