Da caderneta ao bitcoin, o que mudou

Bitcoin
A jornalista afirma que a caderneta é democrática, fácil de administrar e acompanhar. Mas, e o rendimento? Hoje é um dos mais baixos

Por Regina Pitoscia

Palavra de especialista: para o aplicador, há muitas novidades

A caderneta de poupança ainda reina soberana entre os aplicadores: de cada 10 brasileiros que têm dinheiro investido, 7 escolheram ficar na caderneta. E isso em detrimento de um mercado em que já operam as modernas plataformas eletrônicas de investimentos. Com poucos cliques é possível ter acesso a uma série de produtos competitivos, que podem render mais do que a poupança, e empregar o dinheiro em um deles sem sair do sofá de casa. bitcoin

Ter dinheiro na caderneta faz parte da cultura do País. Quem não se lembra dos famosos cofres em formato de porquinhos? Eleita para alavancar o setor imobiliário, a caderneta recebeu estímulos do próprio governo, porque é com o dinheiro do investidor em caderneta que são realizados os financiamentos para a construção e compra de imóveis dentro do Sistema Financeiro da Habitação (SFH).

Mas não foi só isso, a caderneta é democrática, aceita o dinheiro mais picado e paga o mesmo rendimento para qualquer valor. É fácil de administrar e acompanhar, permite resgate a cada 30 dias, sem prejuízo de remuneração, e não tem desconto do imposto de renda. Ingredientes que a tornaram a mais popular das aplicações. Mas, e o rendimento?

Hoje é um dos mais baixos do mercado. Está vinculado aos juros e corresponde a 70% da taxa básica da economia, a Selic, de 6,5% ao ano. Isso significa que a caderneta está rendendo 4,55% ao ano, ou 0,3715% ao mês. Somente para o dinheiro aplicado em uma caderneta até 3 de maio de 2012 existe a garantia de juros mensais de 0,50%, mais a variação da Taxa Referencial, a TR, que hoje está em zero.

Opções que empatam bitcoin

Por isso é que se fala, aos quatro cantos, que há outras aplicações em renda fixa que rendem mais do que a poupança. E é verdade, há os títulos de renda fixa como os Certificados de Depósito Bancário, ou as Letras de Câmbio, as Letras de Crédito Agrícola (LCA), as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), ou ainda os Títulos do Tesouro que podem pagar mais. Só que existe um fator a ser considerado que faz toda a diferença: o prazo da aplicação. Esses papéis costumam ser mais rentáveis do que a caderneta por períodos mais longos, por um, dois anos ou mais.

Caso contrário, o rendimento dos títulos praticamente empata com a caderneta e isso porque há o desconto do imposto de renda. Quanto menor o prazo da aplicação, maior o imposto. Para aplicações de até 6 meses, 22,5% do rendimento ficam para o Leão da Receita Federal; acima de 6 meses e até 1 ano, haverá IR de 20%; acima de 1 ano e até 2 anos, de 17,5%; e acima de 2 anos, de 15%.

Portanto, quem vai precisar do dinheiro aplicado para complementar a renda dentro de um período mais curto, no mês a mês, pode ficar na caderneta sem dor na consciência. O rendimento não é dos melhores na poupança, mas com o nível atual dos juros as demais aplicações em renda fixa também não estarão rendendo muito mais.

Essas comparações são muito facilitadas atualmente assim como o acesso a essas outras aplicações. Por meio das atuais plataformas tecnológicas é possível saber quanto está pagando e aplicar um título de renda fixa, ou um título do governo, para valores relativamente baixos. Opções que há bem pouco tempo eram exclusividade de grandes aplicadores.

Plataformas de investimento bitcoin

Entre as plataformas de investimento mais populares no mercado estão a XP, Rico, Órama, Guide, BTG Pactual, Banco Pine, Banco Original, Toro, Máxima e Daycoval.

Uma delas, que permite acesso às opções sem nenhuma burocracia, sem nem mesmo a informação de dados pessoais, a Rico Investimentos, oferecia em seu portal, no último dia 26 de outubro, simulações para as seguintes opções, em uma aplicação por 2 anos, considerando um investimento de R$ 10 mil:

Aplicação                                           Rendimento (R$)

Caderneta                                          930,70
LCI (Banco Ribeirão Preto)                 1.234,41
LCA                                                  1.250,96
CDB (Banco Original)                        1.364,55
LC (Pernambucanas Financeira)       1.376,79
Tesouro IPCA                                    1.668,60
Tesouro Pré                                      1.716,92

Há diferenças expressivas a serem consideradas por quem sabe que poderá deixar o dinheiro imobilizado pelos dois anos, com a possibilidade de embolsar um rendimento maior do que o da caderneta, tanto nos títulos públicos como nos privados. A simulação de rendimento considerada rendimento líquido dos títulos, depois do desconto do imposto de renda. Diariamente a corretora tem ofertas em sua prateleira de investimentos.

As instituições financeiras que atuam com esse novo modelo de atendimento também se mostram mais próximos do aplicador, oferecendo um leque de informações e orientações sobre riscos e oportunidades não só em renda fixa, mas em renda variável como ações, fundos de ações e cambiais, fundos multimercados e fundos imobiliários.

O mais importante é saber que hoje há maior concorrência no mercado financeiro e com esse tipo diferenciado de relacionamento. Quem sai ganhando é o aplicador, por encontrar opções diversificadas e com rentabilidade mais atraente.

Novas tecnologias das criptomoedas bitcoin

Além de analisar rentabilidade, o prazo para resgate e também a reputação da empresa que vai administrar o seu dinheiro, vale lembrar que para algumas aplicações na renda fixa existe o Fundo Garantidor de Crédito que dá cobertura em caso de quebra de algum banco. Ela é de até R$ 250 mil por CPF, aplicados em cada instituição financeira num total de até R$ 1 milhão, distribuído em várias delas. A garantia é oferecida para a caderneta, CDBs, Letras de Câmbio, LCI e LCA.

E o bitcoin?

Na esteira de novas tecnologias surgiram também a comercialização das moedas virtuais, as criptomoedas, e por tabela a possibilidade de ter o dinheiro remunerado com base na evolução de suas cotações. A mais conhecida é o bitcoin, embora existam mais de 1.100 espécies de criptomoedas.

As primeiras notícias que chegaram por aqui sobre os bitcoins, e ganharam destaque na imprensa, se referiam a sua valorização estratosférica de 1.800% no ano de 2017. Ou ao seu suposto uso em esquemas de fraudes e corrupção ou manipulação do mercado.

Mercados ainda estreitos bitcoin

Nem uma coisa nem outra. Os mercados são ainda estreitos, portanto, sujeitos a oscilações artificiais, provocadas pelo investidor com um número maior de moedas. Embora ainda estampando valorização robusta, algo em torno de 40% de janeiro a outubro deste ano, a moeda não repetiu a valorização do ano passado, o que é até saudável por trazer seus preços a níveis reais. E aos poucos esse segmento vem se formatando e regulamentando.

Aqui a Receita Federal reconhece e tributa os ganhos obtidos com criptomoedas, acima de R$ 35 mil, a uma alíquota de 15%. E a Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, deu sinal verde para investimentos em criptomoedas, desde que por meio de cotas de fundos ou operação com derivativos no Exterior.

A compra dessas moedas pode ser feita em uma das 33 corretoras autorizadas a operar com criptomoedas. É possível comprar a moeda e permanecer com ela, aguardando a sua valorização, ou optar por outros formatos de aplicação com base nas moedas. O interessante é que muitas não estipulam valores mínimos para a aplicação inicial, como o Banco Bitcoin ou fixam em níveis baixos, como a corretora E-juno que exige R$ 5,00.

Isso permite ao investidor ir sentindo e conhecendo o mercado enquanto pode beliscar eventual ganho com a moeda. Lembrando que assim como vem registrando alta, o bitcoin já viu sua cotação despencar em espaço relativamente curto de tempo.

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Regina Pitoscia é jornalista especializada em Finanças e participa um blog no portal Estadão e uma coluna semanal sobre finanças pessoais para a Agência Estado; foi editora dos jornais Estadão e do Jornal da Tarde e comentarista no rádio e na TV, além de ter vencido diversos prêmios em sua carreira; também foi superintendente de Comunicação do Banco Santander e comandou a comunicação corporativa do McDonald’s, do Grupo Votorantim e do Carrefour

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