Dia da Avó, uma homenagem

Para os pediatras, diz o autor, as avós, em muitos casos, deveriam receber tanta homenagem como as mães e pais que elas substituem

Por Fabio Ancona Lopez

● Palavra de especialista

 

► Nesta semana comemora-se o Dia da Avó (ou dos Avós). Parece ser uma data criada recentemente porque não vimos tantas promoções ou propagandas relacionadas a ela, como em outros eventos que fazem aumentar as vendas no comércio (namorados, mães e pais). Para os pediatras, no entanto, as avós, em muitos casos, deveriam receber tanta homenagem como as mães e pais porque substituem a esses quase que de modo integral.

É tocante ver a maneira com tantas avós se dedicam aos netos: ficam com eles em casa durante pelo menos meio período do dia, dão almoço ou jantar, ou os dois (além, logicamente, de muito mais guloseimas do que deveriam…), levam ao clube, ao judô, natação e… ao pediatra.

Quantas vezes, em final de semana, recebemos telefonemas aflitos, na maioria das vezes por motivos pequenos (mas muito preocupantes para a vovó) de avós que estão assumindo o cuidado dos netos para que os pais possam fazer uma pequena viagem, comer fora ou, simplesmente, ir a um cinema. Devem ser atendidas com todo o carinho que merecem!

Quem conta com a ajuda sempre pronta e afetuosa de uma avó sabe do que estou falando e quanto isto é importante. A maioria dos pediatras também entende esta situação e deve reconhecer e enaltecer este trabalho que é feito com tanto amor e que tem como retribuição o prazer enorme de passar mais tempo junto aos netos.

Existem de todo o tipo, as avós: as que se sentem tão junto e misturado com as filhas que um dia, ao explicar a uma mãe de primeira viagem como amamentar seu bebê, a avó, mãe dela virou para mim e disse: “Doutor, nós queremos muito amamentar, mas será que vamos conseguir?” É o máximo da identificação e da interferência, que chega até a ser negativa!

Mas, também há aquelas de atitudes proativas, de interferência para o melhor. Lembro-me de uma avó cujo neto frequentava uma creche que, pelo fato de ser em uma repartição pública, não tinha condições ambientais favoráveis. Logicamente, essa criança passou a ter um ou dois resfriados por mês, coisa de quem começa a frequentar creches. Um dia a avó subiu as escadas do consultório pisando duro e me encarou, séria, da porta: “Doutor, o que o senhor vai fazer para meu neto parar de ter tantos problemas?”

Meio irritado com a pergunta, feita em tom aparentemente agressivo e que parecia pôr minha competência em dúvida, respondi: ”O que a senhora faz à tarde? Se não fizer nada, tire ele da creche que vai resolver”. Perdi o contato com a criança por meses, certo de que tinha perdido o cliente por ter tido uma postura inadequada. Após algum tempo, a avó voltou ao consultório, feliz, com seu neto no colo: “Tirei ele da creche, nem vim mais porque não teve nada neste tempo!” Intervenção de avó é coisa séria!

Minhas homenagens a todas as avós do mundo!

 

Fabio Ancona Lopez é médico com experiência de mais de 50 anos de exercício da Pediatria e com especialização em Nutrologia, é autor do livro “Avós e Netos – uma forma especial de amar – manual de convivência” (Editora Manole, 2011), além de ser avô também muito experiente, e escreve todo mês na “Palavra de especialista” do portal avǒsidade

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