Dr. Beny Schmidt: a solidez do amor

O autor e a campeã paralímpica Raimunda (Rai) Lorenzetti: uma homenagem aos jogos que acontecerão em setembro no Rio de Janeiro

Por Beny Schmidt

● Palavra de especialista

 

► Quando somos adolescentes e jovens, e refletimos por um segundo, pensamos: “Tudo bem, temos uma vida inteira pela frente!”

Será que na avosidade podemos falar a mesma coisa para nós mesmos?

Nesta manhã fria e ensolarada, acordei mais feliz que o habitual e procurei minha mulher para abraçá-la. Logo após, nosso cachorro Tolsty veio nos saudar, pulando na cama e sobre nós.

Pensei no amor.

Não podemos defini-lo, posto que é um sentimento, mas é possível entendê-lo como a melhor força que possuímos, nossa melhor expressão na vida.

Na condição humana é claro que a paixão e o sexo na juventude são maravilhosos, mas também é verdade que a doçura de uma união por toda uma existência é igualmente sensacional.

Dessa cumplicidade e afeto de uma família brotam sentimentos de segurança, dever cumprido e muita paz.

Quanto ao amor, para parafrasear nosso maior poeta Vinicius de Moraes, pouco importa que agora sejamos idosos, pois que o amor é infinito a cada um dos nossos segundos.

Pois é assim que temos, sim, a alma tranquila para refletir que possuímos ainda intermináveis momentos para viver.

 

Nota

A foto deste post faz uma homenagem aos Jogos Paralímpicos de 2016, que acontecerão no Rio de Janeiro em setembro deste ano. Raimunda (Rai) Jorge Cruz Lorenzetti teve paralisia infantil, é campeã paralímpica de lançamento de peso e faz parte das famílias da Clínica RNA (Reabilitação Neurológica e Aquática) e do Instituto Giorgio Nicoli (IGN), que ajudam pessoas acometidas pela poliomielite e pela síndrome pós-poliomielite. Rai participou de uma paralimpíada internacional e de três nacionais. Conquistou a medalha de bronze em arremesso de peso das Paralimpíadas de 1977, na Inglaterra. No Brasil participou da Paralimpíada de 1980, no Rio, e de diversos campeonatos nas modalidades: arremesso de dardo e peso, basquete, atletismo e natação. “Durante as Paralimpíadas, as pessoas têm a oportunidade de conhecer os esportes dos cadeirantes, dos deficientes, que podem, sim, participar, nadar, jogar basquete, isso é maravilhoso. É uma delícia participar desses eventos: se conhece muita gente, se faz amizades. No ano em que fomos para a Inglaterra, não falávamos nada em Inglês, mas fazíamos muita mímica, foi maravilhoso”, diz Rai.

 

Beny Schmidt é médico e cientista, chefia o Laboratório de Patologia Neuromuscular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e também é avô de Luke Benjamin, e dá sua “palavra de especialista” mensalmente no portal avǒsidade

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