Dr. José Francisco Saraiva: o que é a fibrilação atrial

Fibrilação
Outro alerta: o envelhecimento é um fator de risco importante e a cada década de idade, as chances de sofrer fibrilação atrial duplicam

Por José Francisco Kerr Saraiva

● ● Palavra de especialista: doença pode causar AVC nas formas graves

Você já ouviu falar sobre fibrilação atrial (FA)? Muito frequente na maturidade, especialmente entre a população com mais de 70 anos, a FA é o tipo de arritmia cardíaca mais comum em todo o mundo. A doença é responsável por fazer o coração bater em um ritmo descompassado, acompanhado ou não do aumento da frequência cardíaca.

Num primeiro momento, pode parecer inofensiva. Entretanto, devido a complicações, a FA pode ser fatal. Assim, o diagnóstico precoce e o tratamento correto são de máxima importância.

Pois a doença é um dos principais fatores de risco para o acidente vascular cerebral (AVC), déficit neurológico súbito que pode  ocasionar sequelas graves e responsável por cerca de 100 mil óbitos no país apenas em 2015.

Atingindo entre 1,5 milhão e 2 milhões de brasileiros, a FA surge devido a falha nos sinais elétricos do coração. Essa falha faz com que os átrios se contraiam de forma irregular, proporcionando assim o acúmulo de sangue no local.

Essa retenção pode contribuir para a formação de coágulos que, caso se desprendam do coração e entrem na circulação sanguínea, podem obstruir vasos cerebrais, ocasionando, assim, o AVC em suas formas mais graves, com as maiores taxas de mortalidade.

É possível prevenir? fibrilação

O envelhecimento é um fator de risco importante para o desenvolvimento da FA. A cada década de idade, as chances de sofrer com a doença duplicam. Também podem desencadear essa arritmia enfermidades e hábitos ligados ao estilo de vida. como, por exemplo, diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, hipertireoidismo, tabagismo e o consumo excessivo de álcool. Por isso, a adoção de práticas saudáveis, como se exercitar regularmente e ter uma dieta equilibrada, pode ser determinante.

É importante ressaltar também que a fibrilação atrial se caracteriza como uma doença silenciosa, pois muitos pacientes não apresentam sintomas. Contudo, entre os seus sinais mais comuns estão palpitações, tontura, dores no peito e falta de ar. Caso identifique um desses sintomas, converse com o seu médico.

Quanto ao diagnóstico, a doença pode ser facilmente identificada por meio da ausculta cardíaca e aferição da pressão arterial do paciente. O médico especialista responsável também pode solicitar um eletrocardiograma, registrando assim, os impulsos elétricos cardíacos , além de exames complementares, como o holter de 24h.

O tratamento é essencial

Principal complicação da fibrilação atrial, o AVC é um problema de saúde pública. Estima-se que ocorram 400 mil casos de AVC no Brasil, todos os anos. Por exemplo, é número suficiente de pessoas para lotar o estádio do Morumbi por quase seis vezes. E a fibrilação atrial é responsável por 51 mil desses casos, representando 13% desse total.

Por isso, parte do tratamento desta arritmia visa reduzir o risco da complicação, por meio dos medicamentos anticoagulantes – conhecidos popularmente por “afinar” o sangue – e também por tratamentos que restauram a frequência do ritmo cardíaco.

Entretanto, aproximadamente 50% dos pacientes com FA não recebem o tratamento anticoagulante adequado devido ao receio de emergência e sangramento. Este é o principal efeito colateral do medicamento.

Pela primeira vez na medicina, foi desenvolvido um agente reversor de medicação anticoagulante – específico para reverter momentaneamente a atuação da dabigatrana (substância ativa) – que pode ser utilizado em ambiente hospitalar apenas em casos de acidentes, hemorragias incontroláveis e procedimentos emergenciais.

Doença desconhecida

Apesar de comum, a fibrilação atrial ainda é desconhecida pelos brasileiros, o que se torna um desafio. Esse foi um dos resultados da pesquisa “A percepção dos brasileiros sobre doenças cardiovasculares”. Encomendada pela Boehringer Ingelheim (BI) e desenvolvida pelo Ibope Conecta, a pesquisa mostrou que 63% dos entrevistados nunca tinham ouvido falar sobre a doença.

É por isso que campanhas de conscientização, como a recém-lançada “O Som do Coração”, desempenham um papel tão importante. A iniciativa está trazendo conteúdos explicativos sobre a fibrilação atrial e os seus riscos na fanpage da Boehringer, além de estar concentrada no site www.somdocoracao.com.br.

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José Francisco Kerr Saraiva é médico cardiologista, pesquisador e professor titular de Cardiologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas

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