Dra. Elizabeth Monteiro: como lidar com gente cricri e “mimimi”

Cricri
Pessoas cricris querem tudo do jeito delas e se sentem perseguidas, diz a psicóloga, que dá dicas de como lidar com encrenqueiros

Por Elizabeth Monteiro

Palavra de especialista: aprenda o que fazer nessas situações

Eles existem em todos os lugares, inclusive nas famílias, e causam um rebu quando se manifestam. São aquelas pessoas cheias de “nove horas”, complicadas ao extremo, que gostam de tudo perfeitinho. São os famosos cricri e “mimimi”.

Tudo tem de ser feito do jeito deles e nada está bom, por mais que você tente acertar. A crítica destrutiva é sua arma de guerra. Eles se sentem perseguidos, entendem somente aquilo que convém e colocam palavras na sua boca.

São, na verdade, encrenqueiros. Eles estão por toda parte, são onipresentes. Mesmo se não estão fisicamente, eles surgem nas conversas, no medo, no desejo de que partam e não voltem mais.

Tudo para eles é complicado. Os encrenqueiros não têm a virtude da boa-fé, aquela que rege todas as relações com a verdade. Agir assim não é sempre dizer a verdade, pois podemos nos enganar. Mas é não mentir nem ao outro e nem a si. É não ser artificial, manipulador e dissimulado. Gente cricri e “mimimi” age de má-fé e se faz de vítima.

Como o encrenqueiro age

– A sua mãe sabe que estou de dieta e não posso comer frituras. Você viu o que ela fez de almoço? Bife à milanesa! Que eu adoro e não posso comer. Foi só pra me agredir – diz a encrenqueira.

– Mas, amor, a minha mãe também fez a sua salada, a sua batata doce e o ovo duro da sua dieta. O bife ela fez para os outros – responde o marido, todo complacente.

– É… eu sabia que você ia defender a sua mãe! Eu nunca tenho razão. Você é outro que vive contra mim – replica.

Ou então…

– Eu não vou sentar à mesa com o seu pai no nosso casamento. Ficaremos assim, em mesas separadas da sua família – diz o marido.

– Mas… Por que, amor? – indaga a mulher.

– Porque ele fica sempre falando do que ele faz, do que fez, e se gabando frente aos outros. Ele faz isso pra me humilhar. Além disso, é debochado e conta piadas sem graça, só porque sabe que eu não gosto – replica o marido.

– Amor, o meu pai sempre foi assim, não é pra te humilhar. Os amigos adoram ele – insiste a esposa.

– Por isso mesmo. Quando ele está com os amigos, fica pior. Eu sei que é pra me humilhar – insiste o encrenqueiro.

Mais exemplos de cricri

– A sua mãe sabe que eu não vou deixar o nosso filho com ela enquanto ela não puser redes de proteção na janela! Fale para ela parar de insistir – reclama.

– Querida, o nosso bebê tem só dois meses, ela já disse que vai providenciar isso. Espere ela ter verba – argumenta, então, o companheiro (a).

– Vai nada! Ela já me disse que criou os filhos dela mantendo a janela fechada. Eu não confio nela!! Enquanto ela não puser a tela, me recuso ir lá…

O que fazer?

Eles querem briga e confusão. Buscam motivos para provar a si mesmo que você é o vilão ou a vilã da história. Sei que, às vezes, você pode estar errado e é possível que eles sejam vítimas.

Porém, aja sempre de boa-fé, pois esta leva ao humor, enquanto a má fé leva à ironia. Um sorriso largo e sincero pode ajudar.

E mais…

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Elizabeth Monteiro é psicóloga e psicopedagoga, especialista em relacionamento entre filhos, pais e avós, autora dos livros “Criando Filhos em Tempos Difíceis”, “A Culpa É da Mãe”, “Cadê… o Pai Dessa Criança?” e “Avós e Sogras – Dilemas e Delícias da Família Moderna”; tem quatro filhos e seis netos, e escreve todo mês no portal avŏsidade

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