Dra. Elizabeth Monteiro: Aí chegam as férias…

Férias
A autora tem longa experiência com crianças, pais e avós que atende em seu consultório, e experiência própria com seus 4 filhos e 6 netos

Por Elizabeth Monteiro

Palavra de especialista

Passam as festas e chegam as férias. Geralmente se inicia outra confusão na família, porque todos vão para a casa de campo ou de praia dos avós, ou vão todos viajar com os avós para algum lugar, ou vão todos viajar para casa dos avós que moram em outro país. Eita!… Está armado o cenário para as brigas e os mal entendidos. Será que a família precisa funcionar assim, como o “arroz de carnaval”, tipo aquele que já vem em bloco?

Filhos culpados se sentem obrigados a estar com os pais ou a enfiar os seus pais em todas as programações da família. E pais autoritários ou carentes não deixam que os filhos vivam as suas vidas. Isso é complicado!…

Fica um monte de gente amontoada num local. Sabemos que cada família tem o seu ritmo, os seus gostos, hábitos, horários, manias, vícios, temperamento e um tipo de educação. Isso é um verdadeiro mel na sopa para quem gosta de brigas, para quem gosta de bancar a vítima, para quem gosta de controlar os outros e para quem gosta de fofocas. E tem gente que a-do-ra tudo isso.

Geralmente, os homens da família se reúnem para beber e pensar em comidas. As mulheres cuidam da casa (sempre desorganizada), da cozinha (sempre suja), das crianças (sempre brigando), da despensa (sempre em falta) e dos seus maridos que bebem, comem e dormem.

A avó quer mandar e comandar a família e o avô tem de intermediar os quebra-paus.

O que vejo férias

O que eu mais percebo é o seguinte:

– Cunhadas brigando, defendendo os seus filhos nas brigas das crianças.

– A avó se unindo aos filhos e culpando as noras ou genros.

– Sogra se unindo a uma das noras (ou genro) e malhando a(s) outra(s).

– Avó tomando partido ou superprotegendo um dos netos.

– Gente brigando por causa do barulho, da bagunça, da comida e da bebida.

– Gente reclamando do tanto que faz e do pouco que o outro colabora.

– Avó dizendo que nunca mais cometerá esse erro de reunir todos.

– Avô e avó brigando entre si pelo erro cometido.

– Crianças brigando, teimando e chorando pelo mesmo brinquedo.

– A mulher obrigando o marido a entrar nos conflitos e tomar o seu partido.

– Gente achando que está arcando com a maioria das despesas.

– Gente reclamando daqueles que mais comem.

– Brigas pela escolha dos melhores quartos.

– Gente se sentindo pouco importante por ter ficado com o quarto menor.

– Disputa pela TV.

E uma coisa puxa a outra, não terminando nunca!

Credo!!! Aí chega o momento máximo: a hora em que acontece aquele quebra-pau fenomenal, onde todo mundo fala as verdades, doa a quem doer. As mulheres choram, ficam histéricas e os homens se atacam (instigados por suas mulheres). Aí, sempre tem aquele casal que entra no carro e vai embora cantando o pneu e chega a turma do deixa disso!

Férias?????? Eu, hein!!!!…

Você, que é avó, quer um conselho?

– Fica quieta que ninguém te bole!

Bom por curto período

Combine com a galera os períodos que a sua casa estará livre para cada um de seus filhos e as suas famílias. Família inteira reunida é muito bom, mas por curto período.

Saia de perto, ceda a casa para os seus filhos e amigos e deixe-os à vontade! Quer saber? Pegue o seu companheiro e saia de férias. Vivam a vida de vocês. É bom viajar com amigos, é preciso se valorizar para ser querida e respeitada.

Pare de implorar pela atenção da sua família. Receba-os com felicidade sempre que eles forem te visitar, mas deixe que vivam as suas vidas. Viva a sua vida. Garanto que ainda vai se surpreender muito com as novas descobertas que a vida tem a te oferecer.

Capa livro Cadê o pai

E mais…

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Dra. Elizabeth Monteiro: o neto único

Dra. Elizabeth Monteiro: “Viver é coisa rara”

Dra. Elizabeth Monteiro: casos de cunhada na família

Dra. Elizabeth Monteiro: adolescentes e avós

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Elizabeth Monteiro é psicóloga e psicopedagoga, especialista em relacionamento entre filhos, pais e avós, autora dos livros ‘Criando Filhos em Tempos Difíceis’, ‘A Culpa É da Mãe’, ‘Cadê… o Pai Dessa Criança?’ e ‘Avós e Sogras – Dilemas e Delícias da Família Moderna’, e tem quatro filhos e seis netos – e escreve todo final de mês no "avǒsidade"

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4 Comentários

  1. Manuela said:

    Maravilhoso texto! Vale a pena a
    Reflexão! Vale a pena experimentar novos encontros em novos formatos para as grandes famílias!

  2. cristina said:

    Nao devemos generalizar, nem todos sao assim, e digamos …é muito chato passar ferias sozinhos, quando ja fazemos isso o ano inteiro, e quando grupos de familia que se gostam ficam juntos, geralmente tem é muito divertimento e alegria ,pelo menos a minha é assim…

  3. Madalena Colombo Abdo said:

    kkkkkkkkkk adorei o texto, acho que pra aiguns é bem isso mesmo. Sou avó tbm, 2 netos, mas na medida do possível deixo eles viverem a vida deles kkkkk, como tenho dois filhos homem casados eu sempre acabo ficando mais do lado das minhas noras por serem mulheres, não sei se é normal. Mas sofri mto preconceitos por ser mulher, acho que vem daí a minha partidária bjs bjs

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