Dra. Frida Zolty: morte, fragilidade e esperança

Morte
O avanço da idade e a noção de finitude podem trazer medo, mas podem também ampliar os horizontes e ressignificar a vida

Por Frida Zolty

 Palavra de especialista: ideia de que estamos mais próximos do fim 

 O avançar da idade faz com que a gente se depare cada vez mais com nossas fragilidades. O espelho não é mais tão amigo, o corpo começa a apresentar suas dificuldades, o sentimento de solidão toma conta em muitos momentos e, finalmente, aparece com mais clareza a ideia de que estamos cada vez mais próximos da morte.

Às vezes acontece de a ideia de o fim se tornar, de repente, mais presente através da notícia de uma doença grave (como o câncer, por exemplo). Diante de alguns diagnósticos, somos frequentemente tomados pelo desespero e pela sensação de que nada mais nos resta a fazer.

O medo que isola … morte

Muitos querem esconder a doença – são sentidas como um fracasso na nossa sociedade. E, em muitos casos, o doente sofre de um profundo isolamento. Isso acontece porque falar da possibilidade da perda é muito difícil. E mais difícil ainda é presenciar o sofrimento da pessoa querida que se encontra com tanto medo, com tanta tristeza.

Mas a nossa finitude não traz só medo e tristeza. É hora de revermos o caminho e perceber quantas coisas foram realizadas, como fomos e somos ainda importantes na vida de muitos que estão ao nosso redor.

E temos que saber que a nossa existência ajudou a construir as pessoas que são hoje nossos companheiros, nossos filhos e que está ajudando a construir as “pessoinhas” que são nossos netos.

Sem nós, todos eles seriam diferentes, quase irreconhecíveis, porque estamos dentro deles, assim como eles estão dentro de nós.

A maturidade que liberta

Quando pensamos que estamos perto do fim, os horizontes podem se abrir. Você pode se libertar do medo da opinião alheia, pode experimentar coisas que sempre quis fazer e não teve coragem, pode ousar.

E não deixe de dizer o que você tem guardado e sempre teve medo de dizer para as pessoas mais importantes da sua vida.

Tudo isso vale também se a sua doença não for tão grave quanto você imagina e se a sua morte não estiver tão próxima quanto você pensava. Quando ela chegar (e chega para todos nós) vai te encontrar mais feliz.

Então. Então. Então. Então. Então. 

Então. Então. Então. Então. Então. 

E mais…

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Frida Zolty é psicóloga formada pela USP, trabalhou com acidentados do trabalho no INSS e ministrando palestras sobre cuidados com doenças crônicas e promoção de saúde pelo programa Saúde no Esporte da Prefeitura Municipal de São Paulo. Atendendo adultos em psicoterapia há 40 anos. Pós-Graduação Lato Sensus em Psicologia Hospitalar Aplicada à Oncologia pelo Hospital Pérola Byington.

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