Escritores precoces

João Paulo, de 6 anos, com seu livro na Bienal: as ideias que tinha na cabeça ele mesmo digitou em dois idiomas e em apenas 60 dias

Por Jorge Luiz de Souza

► Transformar crianças em leitores de livros já é uma ação meritória. E transformar crianças em escritores precoces? Pois a 24ª Bienal Internacional do Livro, que acontece em São Paulo de 26 de agosto a 4 de setembro, está cheia de iniciativas nesse sentido.

Uma delas é a Oficina Primeiro Livro, criada pelo professor Luis Junqueira e patrocinada, na Bienal, pelo Banco Itaú, que já mantém há seis anos um programa de estímulo à leitura, a campanha “Leia para uma Criança”. É uma boa dica pra levar as crianças, sejam seus filhos ou netos.

Com orientação de monitores pedagógicos da Oficina, cada criança será estimulada a escrever o início de sua história, montará seu próprio livro, incluindo a capa, escolherá o título e terá a própria foto impressa na contracapa. Haverá também um mini-cenário de sessão de autógrafos com mesinhas e cadeirinhas. As oficinas vão acontecer diariamente, a cada 30 minutos.

“Pretendemos com esse espaço estimular a leitura desde cedo porque entendemos que traz uma série de benefícios para o desenvolvimento da criança, como ampliação do vocabulário e da capacidade cognitiva”, diz uma das diretoras de marketing do Banco Itaú, Andrea Pinotti.

“Tudo foi pensado para criar um ambiente que estimule a criatividade das crianças, de forma lúdica e divertida”, acrescenta Gladys Esher, diretora de criação da Agência Tudo, responsável pelo stand do banco, onde há, também para as crianças, contação de histórias e iPads para leitura de publicações no formato Canvas e com uso de óculos Rift.

O professor Luis Junqueira criou o projeto Primeiro Livro em 2009 nas escolas particulares em que dava aula no estado de São Paulo e depois o levou para as escolas de Heliópolis, uma comunidade de favelas em São Paulo, onde as crianças são estimuladas a escrever em computadores. O professor explica que na oficina do Primeiro Livro na Bienal “a escrita será à mão, num exercício livre que busca adaptar esta bonita experiência de criatividade literária”.

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Escritor bilíngue de seis anos

Outra atração da Bienal com escritores mal saídos da primeira infância é o lançamento do livro “No Mundo da Lua e dos Planetas”, de autoria de um menino apenas seis anos, João Paulo Guerra Barrera, que o escreveu em duas versões: inglês e português. A impressão foi feita pela editora Book Express e bancada pelos próprios pais do menino.

João Paulo estuda na escola Santa Amália Maple Bear, no bairro do Tatuapé, em São Paulo, e é bilíngue porque morou por dois anos com a família nos Estados Unidos. Além de já saber escrever em dois idiomas, ele também aprendeu com o pai a digitar seus textos diretamente no computador.

O enredo é bem simples: três crianças deixam a Terra e viajam pelo Sistema Solar em um foguete feito de material reciclável, vivem aventuras e superam algumas adversidades na Lua e em diversos planetas, e essa experiência os leva a refletir sobre a importância de se cuidar do planeta onde vivemos. “Assistia desenhos no Youtube sobre os planetas e queria usar a imaginação para criar a minha história”, explica João Paulo.

Livro No Mundo da Lua

Serviço

24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
De 26 de agosto a 4 de setembro
Pavilhão do Anhembi, na Zona Norte de São Paulo
Ingressos: R$ 20,00 (de 2ª feira a 5ª feira) e R$ 25,00 (de 6ª feira a domingo)
Estudantes e matriculados no Sesc pagam meia-entrada
Menores de 12 anos e maiores de 60 não pagam ingresso

 

Jorge Luiz de Souza é jornalista, editor do portal avǒsidade e tem cinco 5 netos ainda muito pequenos pra se tornarem escritores, embora o mais velho (de 4 anos) já saiba escrever o próprio nome em letras de forma

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