Inesquecível amanhecer

Amanhecer
A avó Paschoalina, a Dona Páscoa, aqui na cozinha, mas foi viajando que ela proporcionou à neta uma cena tão especial, inesquecível

Por Marli Romanini

Avó com nome de festa, viagem longa e uma grande surpresa

Quase ninguém sabe a respeito dessa história. Na verdade, trata-se de um momento muito particular e inesquecível da minha vida. Eu chego lá. Antes, vou apresentar minha avó materna. Ela tinha nome de festa: Páscoa. Era Paschoalina, mas todos a chamavam de Dona Páscoa. Amanhecer.

Cozinhava massas deliciosas como as boas filhas de italianos que migraram para o Brasil no início do século XX e foram plantar café no interior do estado de São Paulo. Ela teve uma penca de filhos.

Em consequência, éramos muitos os netos a disputar seu colinho. Mas Dona Páscoa não era dada a carinhos. Preferia nos agradar com gostosuras culinárias.

Ficou viúva quando ainda era uma jovem senhora. Nessa época, a família havia migrado havia pouco para a capital do estado de São Paulo em busca de trabalho na crescente indústria metalúrgica, mas muitos parentes ficaram no interior e minha avó sentia falta deles.

12 horas de trem amanhecer

A solução, então, era escalar os netos para a acompanharem nas viagens ao Oeste Paulista. Eram 12 horas de trem. Uma delícia! Eu sabia os nomes de quase todas as cidades de parada. Uma estação mais linda que a outra.

E foi em uma visita aos primos em Junqueirópolis que eu vivenciei uma cena inesquecível. Minha avó gostava de sair muito cedo.

Era julho, mês de férias, claro. Acordamos por volta de 5h da manhã para pegarmos o primeiro ônibus rumo à estação de trem. Quando saí da casa, achei que o mundo estivesse acabando, parecia que havia um incêndio no céu.

Eu tinha uns 13 anos e nunca havia visto o amanhecer. E aquele foi “o” amanhecer. Nunca mais na vida vi algo parecido. Nunca mais me esqueci daquela viagem. E da cara da minha avó com o meu espanto.

Para quem era da roça e acordava cedo todos os dias, aquele céu era rotina. Achou graça… Ela nunca soube que me proporcionou uma cena tão especial.

Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então.

Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então.

E mais…

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Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então.

Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então.

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Marli Romanini é jornalista aposentada e atualmente se dedica à produção de alimentos orgânicos

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