Meu Quarteto Fantástico

Declaração de amor de um neto para seus quatro avós: por quem amamos somos capazes de mover montanhas e mudar a direção das correntes marítimas

Por João Carlos Lavigne de Lemos Tavares

► Há quem diga que ter avós é um privilégio. Bom, eu que o diga. Tenho meus quatro mais do que vivos e dispostos. Mas não posso dizer que tenho avós. Apesar de chamá-los assim, não os considero como tais. Eu digo (para o ciúme de minha mãe e de meu pai) que tenho mais dois pais e duas mães que Deus teve a bondade de me dar.

De um lado, seu João e dona Ana; não existe um indivíduo sequer na cidade de Ilhéus que não os considere de alguma forma. Meu avô João com aqueles cabelos fartos e brancos, um bigode grande, bem alto e largo, voz grossa, parece um gigante, podendo assustar uma criança de dois anos de idade. Mas não existe quem não se derreta por um sorriso largo, braços abertos e um “meu netão querido”. Com meu avô eu aprendi – foi uma lição recente e, talvez, a mais importante de todas – que, por quem nós amamos, nada é impossível e todo sentimento só aumenta nas intempéries da vida.

Ao lado de meu avô está ela, minha avó Ana, linda de morrer, por fora e principalmente por dentro. Há tanto a se falar sobre eu e ela e ao mesmo tempo nada que possa ser concretizado para ser colocado em uma folha de papel. Impossível não pensar naquele filet mal passado com legumes, naquele vatapá divino e nas intermináveis moquecas. Minha vó Ana me mostrou que fartura é uma graça e que não nos pertence apenas (que digam os “bróder” que guardam os carros na frente de casa). Além disso, eu vi e com ela entendi que o próximo é tão importante quanto nós mesmos e que por quem amamos somos capazes de mover montanhas e mudar a direção das correntes marítimas.

Do outro lado, completando o quarteto, vêm eles, o casal mais bonito que Ilhéus já viu, seu Zé Carlos e dona Márcia. Sair em Ilhéus ao lado de meu avô Zé às vezes pode ser chato. Difícil é se mover com tanta gente que vem cumprimentá-lo. Haja paciência! Integridade, alteridade e beleza são virtudes que a ele competem. Nunca vi charme maior que seus olhos azuis, cabelos ralos e voz de Roberto Carlos, ensinando-me os primeiros acordes e minhas primeiras “bossas” ao violão. Violão este que hoje é a minha segunda paixão. Sua voz melodiosa e meu violão (copiado do dele) calmo e ritmado, fez meu pai nos apelidar de a dupla “Vovô e Netinho”. São tantas músicas, tantos momentos, tantos valores que por ele me foram passados com apenas um olhar.

Ali, junto ao meu cantor preferido, a mulher mais elegante e com classe que eu já conheci. Nunca vi minha avó descer do salto, nem nos momentos mais difíceis, ela sempre esteve linda. Não há melhor coisa no mundo do que atender ao telefone e ouvir o “olá, meu gatinho”. Por mais classe que minha vó tenha, humildade é uma virtude que está presente em todos os seus atos. Esta só não é maior que a sua força, a sua coragem e a sua vontade de estar conosco por mais muitos e muitos anos.

São quatro as minhas inspirações, são infinitos os sentimentos, mas compilados em um só amor. Amor de pai e mãe, para tanto não me considero netos deles, sou o caçula das duas famílias e não há nada que alguém possa fazer para mudar este meu sentimento. Parafraseando Roberto Carlos (um dos cantores mais escutados por eles, a propósito), eu tenho tanto para lhes falar, mas com palavras não sei dizer como é grande o meu amor por vocês, meus avós.

 

João Carlos Lavigne de Lemos Tavares é estudante de Direito, professor de inglês e alemão e neto de João e Ana Lúcia, e de José Carlos e Márcia

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6 Comentários

  1. Ana Lucia Lavigne said:

    Quando eu e meu marido nos casamos, queríamos ter 6 filhos,depois que tivemos o 3 resolvemos só ter 5 e eu só pude ter 4, por problema de saúde ,mas Deus me deu meu quinto filho quando meu neto João Carlos nasceu.dentro do meu coração sempre soube que ele era especial.Acho essa matéria “Neto curte vó” muito boa,porque nós avós vemos que eles não tem nenhum constrangimento de declarar esse amor e essa relação maravilhosa,em público.Estamos muito orgulhosos dele ter feito essa declaração ,foi uma surpresa maravilhosa!

  2. JOSE CARLOS TRAVASSOS said:

    o convivio com os netos, traz muitas coisas boas, uma delas, e ser amado, o mais positivo e o rejuvenescimento que eles nos proporcionam,

  3. Ana Carolina Lavigne Tavares said:

    Amor de mãe que lindo!!! Você é realmente o filho caçula deles! Tenho muitos ciúmes sim, mas tenho muito orgulho do seu amor e cumplicidade principalmente com sua vó Ana, ela foi mãe de novo comigo aos 39 anos!!! Sem ela e sem seus outros avós, que sempre me ajudaram muuuuuuuito, eu e seu pai não teríamos conseguido ter tanto sucesso na nossa jornada de PAIS. Agradeço todos os dias o amor e confiança que une nossa família. Amo você demais da conta viu!!!

  4. Ana Travassos said:

    Você é mesmo um menino-homem lindo!!! Parabéns pelo texto, é de um amor verdadeiro e grandioso imenso!!! Muito especial o seu crescimento e amadurecimento! Um beijo de sua tia que te ama!

  5. Ana Beatriz said:

    João Carlos! Tão lindo por dentro e por fora! Sorte dos teus pais terem tido um filho como você e dos seus avós por terem participado tão de perto da sua criação! Sua presença alegria e tranquilidade para qualquer ambiente! Imagino que talvez a vivência com a sabedoria que só os avós têm, tenha lhe proporcionado ainda mais essas características tão boas! Bela declaração de amor!

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