Nairzinha, a feiticeira como a rosa tão formosa

Por Jorge Luiz de Souza

 

► Nairzinha se dedica há 40 anos ao estudo e à pesquisa das brincadeiras tradicionais oriundas da tradição indígena, portuguesa e africana, formadoras da identidade cultural brasileira. O nome todo dela é Nair Spinelli Lauria.

Ela é cantora e compositora, e criou o Programa Cirandando Brasil, que já tem um acervo de com 2 mil peças do folclore infantil, catalogadas, escritas e transcritas em partituras musicais.

São cantigas de roda, histórias cantadas e contadas, parlendas, brincadeiras de rua, brinquedos, xácaras, sambas, lundus, toadas, quadras populares e pregões. O Cirandando Brasil já produziu 2 CDs, um site e um livro, e realiza eventos e shows.

É com suas cantigas e brincadeiras que, segundo Nairzinha, esse programa promove a integração entre as crianças, fortalece a identidade cultural, a autoestima e os laços do grupo, de forma a ampliar a ciranda mundial em defesa da inocência e da integridade da infância, além de contribuir para o desenvolvimento de uma cultura de paz.

Nairzinha explica que os acalantos são canções para adormecer crianças e cita o autor da História da Música Brasileira, Renato Almeida, que diz o seguinte: “acalanto é palavra erudita, designando o ato de embalar; no seu sentido musical equivale, por exemplo, ao da palavra francesa berceuse e da inglesa lullaby.; foi utilizada pela primeira vez pelo compositor brasileiro Luciano Gallet”.

O texto de Renato Almeida afirma que o acalanto é sempre “uma canção ingênua sobre uma melodia muito simples, com que as mães ninam seus filhos, e é a forma mais rudimentar de canto, não raro com a letra onomatopaica, de forma que favoreça a necessária monotonia que leva a criança a dormir”.

As canções de ninar existem em todas as culturais e são sempre cheias de ternura, povoadas de sonhos, mitos e espectros de terror que as crianças devem afugentar dormindo no lugar mais seguro do mundo, o colo da mamãe, diz Nairzinha, acrescentando que, “dos sentimentos que expressa, o mais forte é o da preservação da espécie: ‘a mamãe vela seu neném, e o mundo para…’”

Esta cantiga faz parte do CD Cirandando Brasil para bebês – Lembrança da minha infância (é a faixa nº 10).

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Serviço:

site www.nairzinha.com.br
site www.cirandandobrasil.com.br
www.ludicoeditora.com.br
página de Facebook de Nairzinha Spinelli Lauria
página de Facebook do Projeto Cirandando Brasil página de Facebook da Lúdico Editora

 

Acompanhe a cantiga

Feiticeira como a rosa
(domínio público do cancioneiro português)

Feiticeira como a rosa tão formosa
É a minha princesinha engraçadinha
Ela tem doces encantos eu garanto
Entre todas a rainha.

Tem a face cor-de-rosa, tão formosa
Parecendo uma romã, pela manhã
Quando o dia vem surgindo, eu vou ouvindo
Ela me chamar mamã.

Outro dia deu-se um caso por acaso
Mas não foi por gosto meu que aconteceu
Eu ninando a bonequinha, engraçadinha
Quem dormiu antes fui eu.

Acordando deste sono de abandono
Quis prendê-la em meus braços, entre abraços
Ai, que dor no coração, ao vê-la ao chão
Feita em mais de mil pedaços.

 

Jorge Luiz de Souza é jornalista e avô de cinco crianças de um mês a três anos de idade

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