Dr. Beny: o neto me leva à espiritualidade

O médico e vovô Beny Schmidt inventa a palavra “apofantisíaco” para definir o sentimento indescritível que marca a chegada do neto

Por Beny Schmidt

● Palavra de especialista

► Honrado por ser convidado a participar mensalmente do site avǒsidade. Espiritualidade.

Forcei a memória, enquanto as recordações do início da paternidade me levaram à euforia, realizações, sonhos, viagens, alegria incontida.

O neto me trouxe outro sentimento.

Com os filhos vieram a felicidade, o amor, o compromisso, um fortalecimento da humanização.

Com o neto, algo que me foge à razão.

Por exemplo, com os filhos, me lembro de um dia ter dito a mim mesmo: “Agora posso morrer em paz, meus genes seguirão em frente”, num sentido de objetividade, carne e matéria.

“Vou procurar fazer de tudo para vocês, darei o máximo de mim, não haverá de faltar nada a vocês, estarei presente em todos os momentos possíveis, vou mostrar o mundo a vocês.”

Sempre que viajava, trazia presentes aos três, amava contar estórias e histórias, vê-los sorrir fortemente.

Apofantisíaco Espiritualidade

Com o neto é diferente, não se trata de desumanizar, muito pelo contrário, mas evoluir o humano, algo além da razão e da fantasia, que denominei de “apofantisíaco”.

O neto me leva à espiritualidade, longe da matéria, um conforto mais profundo, uma paz indescritível, talvez ligada a uma alma universal.

Enquanto com os filhos pensei em genes e hereditariedade, com o neto sinto-me fazer parte de um universo imensurável e magnífico.

Ah, que delícia de viver.

Delícia de ser avô.

Sobre o Dr. Beny Schmidt

Beny Schmidt é chefe e também fundador do Laboratório de Patologia Neuromuscular da Escola Paulista de Medicina. É professor adjunto de Patologia Cirúrgica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ele e sua equipe são os responsáveis pelo maior acervo de doenças musculares do mundo. São mais de 12 mil biópsias já realizadas. E ajudaram a localizar, dentro da célula muscular, a proteína indispensável para o bom funcionamento do músculo esquelético – a distrofina.

 

Beny Schmidt é médico e chefe do Laboratório de Patologia Neuromuscular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e avô de Luke Benjamin, de 1 ano

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10 Comentários

  1. Teresinha said:

    Oi estou aqui no hospital cuidando de minha nora e netinho recém nascido. As emoções aflorando…
    Bom encontrar alguém que coloca na escrita o que estamos sentindo. Obrigada!!!

  2. Eduardo Costa said:

    Concordo com suas afirmações! Sou avô de um neto de quatro anos e fiz esta poesia Hai-kai em homenagem ao encontro da minha criança e ele : EM PLENO OUTONO ENCANTAR-SE COM A PRIMAVERA
    ESTE É O PRAZER DO “NONO”

  3. Elza said:

    Vou ser avó em abril próximo e já estou planejando como serei. Em nenhum momento até agora pensei em coisas do tipo “Não vou deixar faltar nada” “Tudo que ela me pedir vou dar”. Penso muito em passar a ela “Amor e Respeito ao próximo”. Não que não tenha passado isso pros meus filhos. Mas pensávamos mais no trabalho e não tínhamos muito tempo pros filhos. Eles ficavam na creche o dia inteiro. Estou pensando até em me aposentar..

  4. Hosana Magalhães Viana said:

    Estou me preparando para ser avó, nasce em fevereiro. Tenho certeza que terei sensações indescritíveis, sonho com isso. Vou ser uma avó peralta, alegre e muito feliz. Quero também crescer com ele, aprender, ensinar, divertir, contar histórias, ouvir as histórias dele. Que seja bem vindo Levi. Parece romântico, mas já te amo mesmo sem te conhecer.

  5. Maiby Marcia said:

    Sou avó de 8, sendo 4 meninas e 4 meninos, de 3 filhas minhas.
    São meus encantos. Meus tesouros.
    Amo ser avó. E eles me amam tbm.

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