Palhaçando

Serrano com sua neta Cacá (Carolina), que está sempre perto, e (abaixo) com o neto Tom (Antônio), que ele só vê pelo Skype ou WhatsApp

Por Luiz Roberto Serrano

Palhaçar, é o que tenho vontade de fazer quando encontro a Cacá, minha neta, filha de minha enteada Mariana.

Agarrar, é o que tenho vontade de fazer quando vejo meu neto Tom, do meu filho Ricardo.

Palhaço com frequência para a Cacá, que está sempre em casa, pois a avó Maria Helena participa cotidianamente de sua vida – pega na escola, leva na natação e no ballet.

Não agarro o Tom. Sou um vovô Skype, pois seus pais, Ricardo e Marina, moram em Bruxelas. O Skype nos aproxima, mas não vence a distância.

Luiz Roberto Serrano e Antônio

Quando ele esteve em casa em março passado, eu saía de um episódio de herpes zoster e fiquei inibido para agarrá-lo como queria. Agora, só na próxima visita, lá ou cá.

Claro que nossos filhos foram espertos – e muito. Mas, talvez por causa das modernidades dos tempos atuais, achamos que os nossos netos são espertíssimos. Sei que não cabe essa comparação, pois a Internet acelerou o mundo e as pessoas, especialmente as crianças.

Uma coisa foi quando criamos nossos filhos, pais jovens, com toda uma vida pela frente e a coragem e a disposição dos 20 ou 30 anos. Outra, é quando já acumulamos uma longa experiência de vida, com sucessos e fracassos, alegrias e tristezas e ganhamos nossos netos maravilhosos.

A uns, os filhos, tivemos a obrigação de formar, encaminhar, dar asas para a vida. Demos amor e tentamos disciplinar. A outros, os netos, nos cabe amar e acolher com doçura, deitar e rolar no chão, contar histórias de reis e princesas. E dar uma mão para os pais que estão batalhando pela vida, como nós fizemos. Contar com avós nessas horas é uma mão na roda – e que roda.

Carrego algumas perdas na vida, além de pai e mãe que se foram no devido e adequado tempo. Mas um filho e um irmão se foram muito antes do tempo, deixaram um belo futuro por cumprir. Quando isso acontece, é preciso reconstruir o sentido de muitas coisas.

Aí chegam netos, dos filhos que estão do seu lado cumprindo o esperado futuro, dando alegrias, amor e afeto. E os netos renovam e multiplicam tudo isso.

Não há coisa mais linda do que a Cacá vir correndo de braços abertos, dizendo “vovô, vovô”, quando chego em casa. Nem quando vejo alguma foto ou vídeo do Tom no WhatsApp subindo e descendo, pela primeira vez, em um escorregador. Dá vontade de agarrar.

E enquanto contamos uma história de Cinderela, entre uma palhaçada e outra, desejamos que eles evitem todos os escorregões que demos na vida. E sejam felizes para sempre.

 

Luiz Roberto Serrano é jornalista, avô de Cacá e Tom

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2 Comentários

  1. Lucineide said:

    “Contar com avós nessas horas é uma mão na roda – e que roda”
    E que mão na roda, hein! Os avós da Helena que me digam!

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