Ser pai, ser avô, ser bisavô…

Com seus 91 anos de experiência, o pedagogo Pesciotta quer ser exemplo para netos e bisnetos, mas não interfere na educação deles

Por Nelson Pesciotta

► Desde tempos imemoriais os seres humanos comportam-se de forma biológica e afetiva em famílias, isto é, como pessoas que têm em comum o vínculo sanguíneo (pela sua origem) ou social (pela convivência); estão aqui postas duas formas de parentesco: consanguíneo e afim. Meu parentesco com meus filhos é consanguíneo, mas eu e minha esposa – já falecida – éramos afins entre nós. Salvo casos raros, marido e mulher são apenas colaterais.

A relação do pai com o filho não é igual à do avô com o neto e o bisneto; geralmente, os pais (o casal) respondem pela formação dos filhos e lhes transmitem a sua cultura – linguagem, crenças, costumes, ideais de vida e princípio morais –, mas têm limitada interferência na formação dos netos.

Já se disse que o avô é um pai com mel… Mas é fácil de entender esta circunstância: amo meus filhos, adoro meus netos e bisnetos, mas, prudentemente, não interfiro na educação deles, problema dos seus pais.

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Entre o pai e a mãe haverá sempre o risco de confronto na educação dos filhos, mas esse risco praticamente inexiste na educação dos netos. Meus filhos terão reclamações do tratamento que lhes dei, mas os bisnetos achar-me-ão um docinho… Dada a natural distância temporal entre as partes os avós correm o risco de se tornarem antiquados aos olhos dos netos. Mas garanto: ser avô e bisavô é muito bom!

Particularmente (não contem para ninguém), acho excelentes os meus nove netos, mas a bisneta mais nova, que é suíça, ainda conheço apenas por fotografias. O neto mais velho, filho da minha filha Regina, paulistano, é atleta e esportista de verdade, sem prejuízo da vocação de empresário; Dele ganhei dois bisnetos encantadores, Maria Eduarda e Diego. Duas netas vieram do filho jornalista, Fernando Paulo, uma é também jornalista, a Natália, e outra fez Rádio e TV, Mariana.

Do filho Danilo Carlos, que enviuvou recentemente, engenheiro que se tornou professor, me vieram duas netas: Thais, formada em turismo, e Mayara, logo será veterinária. Do filho Sérgio Luís vieram três netos: uma advogada, Lívia Maria, um administrador, Lucas, e um engenheiro, Ricardo. Do filho Eduardo André, arquiteto, veio o neto Renan, formado em Cinema e Teatro, recentemente.

Tenho muito orgulho da minha prole. Evocando a imagem dos meus pais lavando e passando roupas na nossa tinturaria em Pindamonhangaba, sinto grande emoção. Minha vida não foi fácil nem inútil. Creio que deixo um bom exemplo de coragem e esforço para meus netos e bisnetos…

 

Leia também: No canal neto curte vŏ, o texto da neta deste autor

 

Nelson Pesciotta é sociólogo, pedagogo e jornalista; natural de Campinas (SP), tem 91 anos, 6 filhos, 9 netos e 3 bisnetos

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