Teresa Perez: empresária, mas com tempo para os netos

empresária
O gosto por viajar herdado da avó é a inspiração para construir a relação com os netos e netas, mas sem se limitar à zona de conforto

Por Elisabete Junqueira e Jorge Luiz de Souza

● Entrevista com Teresa Perez, empresária e avó

► Empresária bem-sucedida e avó que valoriza, acima de tudo, a convivência. Ainda assim, Teresa Perez arrumou um espaço em sua concorrida agenda para abrir o coração para o portal avǒsidade.

Mãe de 4 filhos e avó de 6 netos – 4 meninas, de 13, 12, 11 e 6 anos, e 2 meninos gêmeos, de 4 anos – Teresa afirma que, depois de virar avó, mudou um pouco a sua relação com o tempo. “Eu priorizo o meu tempo com meus netos. Tento diminuir um pouco a vida social, principalmente com relação à empresa. Hoje, eu me dedico muito mais a ter uma convivência informal, natural com eles”, explica.

Os netos estão, cada um, em uma cidade. “Tem uma que mora no Rio de Janeiro, outra em Ribeirão Preto. Eu gosto de passar final de semana com eles e isso geralmente acontece no interior, porque meus filhos gostam de sair de São Paulo. Eu sinto uma ânsia nessa geração sobre isso”.

O sucesso profissional

Há 34 anos no ramo de viagem, Teresa construiu, com muita dedicação e suor, um império que leva seu nome: Teresa Perez Tours, presente em três capitais. Ela toca este império ao lado do filho, Tomas. O gosto por viajar, herdou da avó, por quem nutre muita admiração. A avó também é a fonte de inspiração para ela construir a relação com os netos e netas.

“Eu tive uma relação muito boa com minha vó. Ela morreu com 101 anos. Eu nasci em 1947 e era de outra geração, mas consegui ter uma relação moderna com ela, porque ela era diferente. Não era de ir para a cozinha fazer bolinho: gostava de se vestir bem, viajar, conversar sobre os mais diversos assuntos”, conta Teresa. Foi a avó que a levou para a Europa pela primeira vez.

A prática da escuta

Teresa afirma que em todas as conversas que tem com as netas, sai diferente, aprende alguma coisa. Recentemente, Antonia, de 11 anos, travou uma discussão por causa da opção por treinar basquete. “Eu falei para ela que achava que o basquete e o futebol eram agressivos demais. Eu acho que não é um jogo para meninas”, conta. Antonia não se fez de rogada: “Vovó, como você é machista!”.

Com orgulho, Teresa lembra dessa conversa e diz que, para além do choque de gerações, ficou positivamente surpresa com a atitude da neta. “Eu acho muito interessante perceber a evolução dessas meninas”, diz, em referência à geração milenium.

Vida pública aplicada à pessoal 

Teresa Perez começou do zero o que viria a ser a Teresa Perez Tours. “Eu era uma dona de casa, mãe de 4 filhos”. Além de proporcionar a satisfação de ser uma profissional bem-sucedida, a experiência como gestora ajuda na influência que ela exerce na formação dos netos.

“Eu comparo a minha empresa a um puzzle. Em qualquer comunidade, todas as pessoas têm a mesma importância. Eu sempre falo disso com minhas netas, do relacionamento com os colegas, com os professores. É uma conquista do dia a dia. Tudo a gente precisa conquistar.”

Teresa dá a receita para ser, também, uma avó de sucesso: estabelecer laços afetivos pela convivência e assumir com amor o papel de avó. “Eu gostaria de dizer que nós temos duas opções na vida: ou nós nos retiramos nessa altura da vida e ficamos na área de conforto, ou nós decidimos viver com nossos netos nas alegrias e dificuldades.”

Confira os melhores trechos da entrevista:

 

Convivência
O hábito de sair de São Paulo para reunir a família

“Como é agradável conviver com minhas netas! Eu converso muito com elas, vejo filme, brinco de mico. Faço coisas acessíveis pra elas e que são muito prazerosas para mim”

 

Choque de gerações
Uma conversa sobre o feminismo com a neta de 11 anos

“Eu fiquei muito impressionada ao perceber o quanto ela é envolvida com os direitos das mulheres, com o porquê de as mulheres sofrerem tanto e lutarem desesperadamente”

 

Inspiração
A memória das viagens com a avó é referência no relacionamento com netas

“A relação que eu tinha com a minha avó, com 14 ou 16 anos, era uma relação moderna, como hoje eu tenho com as minhas netas”

 

Legado
A avó quer deixar para os netos a paixão pela diversidade

“Eu me sinto feliz de ter passado para os meus filhos e hoje, para minhas netas, essa alegria de poder viajar, de poder conhecer, de poder se transportar para outro nível de cultura”

 

Família
O relacionamento com os netos começa a ser construído deste cedo

“A relação da vó com os netos tem que começar com eles muito pequenininhos. É a época em que eles absorvem quem nós somos, eles percebem qual é o nosso papel na família”

 

Admiração
O orgulho que as netas sentem da avó, mas sem vaidade

“Eu acho interessante quando elas (as netas) querem saber de minha vida profissional. Eu converso sempre com elas sobre perseverança”

 

Lições da vida
Dar exemplo para as netas de respeito às conquistas das pessoas

“Em qualquer comunidade, todas as pessoas têm a mesma importância. O que tem é uma pirâmide de hierarquia, de processos, de responsabilidades”

 

Protagonismo
Para participar de tudo, avós não podem ficar na área do conforto

“A vida é amor, é carinho, é dividir problemas, é dividir alegrias. Não existe só dividir alegrias. Existe dividir uma vida. E a vida é composta de um misto de situações”

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Elisabete Junqueira e Jorge Luiz de Souza são fundadores do portal avǒsidade e avós de Mateus, Sofia, Rafael, Natalia e Andrew

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