A curiosa origem dos sobrenomes

Sobrenomes
Carregamos em nossos documentos, sem perceber, muitas lendas, casos curiosos e grande variedade de fatos históricos importantes

Por Elisabete Junqueira

Por que foram inventados e para que servem os nomes de família

Sabe o João? Ele é “um” Orléans e Bragança. Seguramente você já presenciou um diálogo como esse muitas vezes. Mas os sobrenomes não servem apenas para exibir origem nobre. Na verdade, são bem mais democráticos e úteis para todas as famílias, até mesmo as mais humildes. Sobrenomes.

Imagine na sua classe de escola, quando a professora começa a fazer a chamada oral e fala alto e bom som:

– Ana está presente?

A classe responde:

– Qual Ana, professora? Ana Assis, Ana Santos ou Ana Silva?

Confuso? Mas essa confusão vem de longe. Desde que passamos a viver em cidades, buscamos uma solução para o problema. Com mais pessoas convivendo em um mesma comunidade, a repetição de nomes era inevitável.

Algumas lendas apontam os chineses como os primeiros a adquirirem sobrenomes.

Os romanos também deram uma importante contribuição para o uso de sobrenomes. Há mais de dois mil anos, eles construíram um império imenso, e alguma coisa precisava ser feita para indicar o clã a que a pessoa pertencia ou o lugar onde tinha nascido.

A solução encontrada foi juntar ao “nome comum” ou prenome (do latim praenomen), um “nome” (do latim nomen), que no Brasil é o sobrenome.

Os romanos tomaram gosto pelo tema “sobrenome”. Passado o primeiro momento, eles começaram a usar três nomes.

O nome próprio ficava em primeiro, o seguinte designava o clã e o terceiro, a família, e ficou conhecido como “cognome”.

Alguns romanos acrescentavam um quarto nome, o “agonome” para comemorar atos ilustres ou eventos memoráveis.

Desuso e retorno

Pomposo! Será que as casas reais europeias se inspiraram nos romanos?

Por exemplo todos nós estudamos nos livros de História que nosso imperador Pedro II tinha nada menos que 17 nomes.

Já o “príncipe” João, citado no começo deste texto, bisneto da Princesa Isabel, foi registrado com “apenas” 4 nomes.

Com a decadência do Império Romano e a entrada na Idade Média, essa prática foi se enfraquecendo e os sobrenomes caíram em desuso. As pessoas voltaram a ser chamadas apenas pelo seu prenome.

Foi então que começaram a surgir as cidades modernas, os burgos. O que fazer com muitos Antonios em um mesmo lugar?

Por isso os sobrenomes voltaram a ser usados. Mas o sistema de sobrenomes de massa só se generalizou ao se tornar obrigatório e transmissível para os descendentes dos católicos por uma disposição do Concílio de Trento (1545-1563).

Além dessa, outras novidades surgidas no Concílio de Trento também “pegaram” fora do mundo católico, como, por exemplo, o nosso calendário Gregoriano.

Como não tinha mais como confundir Antonio Nunes com Antonio Ferreira, o sobrenome foi útil também na hora de cobrar impostos…

Também serviu para evitar casamentos entre pessoas da mesma família e repassar uma propriedade a um herdeiro com descendência comprovada.

Hoje é impossível imaginar alguém que não tenha sobrenome.

Buscando as origens

E então? Ficou curioso em saber a origem do seu sobrenome? A internet tem muitos lugares oferecendo essa possibilidade, alguns bem interessantes e divertidos. Mas, cuidado! Pode ser que estejam querendo capturar seus dados pessoais. Seja cauteloso.

Se você não é um “Orleans e Bragança”, eu também não sou, e lhe digo não faz a menor falta, com todo respeito aos senhores e senhoras da nobreza.

Mas, ao observar algumas características do próprio sobrenome, podemos descobrir um pouco da história que se esconde por detrás dele.

Certamente gente forte e destemida, pois estamos aqui, vivos, firmes e fortes, há muitas gerações.

Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois.

Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então.

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Elisabete Junqueira é fundadora do portal avŏsidade e avó Mateus, Sofia, Rafael, Natalia, Andrew, Thomas e Cecilia Marie

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