Como plantar florestas “de bolso”

Florestas
Seja em canteiros de avenidas, recuos de estacionamentos e até nas margens do rio Pinheiros, o plantio reúne gente de todas as idades

Por Natália Pesciotta

► Não requer prática, tampouco habilidade. Pelo menos é o que garante o botânico Ricardo Cardim, do projeto Novas Árvores Por Aí, em São Paulo. Com ajuda do publicitário Nik Sabey e muitas mãos voluntárias, desde 2012 ele cria pequenas florestas “de bolso”. Seja em canteiros de avenidas, recuos de estacionamentos e até na margem do rio Pinheiros, sempre com mutirões de interessados.

O portal avǒsidade conversou com o especialista numa tarde amena de sábado, enquanto ele e gente de todas as idades reproduziam um pouco da Mata Atlântica original de São Paulo num parque da Zona Leste. A ideia do projeto Florestas de Bolso é colocar na cidade as espécies naturais da região. Quer assim evitar as espécies estrangeiras que, por questões culturais, acabaram tomando conta dos poucos espaços verdes.

Ricardo ficou animado com a ideia de avós plantando junto com netos. “Pessoas mais velhas costumam já ter estes conhecimentos e a memória de conviver com mais natureza. Eles podem dar a chance das novas gerações experimentarem também subir em árvores, pegar frutas do pé”.

Naquela tarde, muitas crianças semeavam pela primeira vez, enquanto os adultos relembravam o hábito antigo, algumas vezes praticado quando ainda viviam em local menos urbano. “É como jogar Minecraft, mas ao vivo, né, mãe?”, perguntou uma criança em um dos mutirões do projeto, certa vez, fazendo referência ao jogo de construção no videogame.

Florestas nativas

Para quem for plantar no seu jardim, calçada, ou mesmo num espaço vazio do seu bairro, a primeira dica do Ricardo é: procure espécies nativas. Segundo ele, elas exigem menos manutenção, pois se adequam melhor ao ambiente. Além de equilibrar e estimular a natureza local. Elas devem ser as preferidas dos passarinhos da região, por exemplo.

Não é difícil achar mudas de plantas nativas em viveiros municipais ou comerciais, ele garante. E sugere as frutíferas, para que as novas gerações conheçam frutas e sabores diferentes, próprios da terra, sem o paladar adoçado artificialmente por agrotóxicos.

Algumas das frutas brasileiras indicadas por ele são: pitanga, araçá, grumixama, jabuticaba, cereja brasileira, cabeludinha, cambuci.

Mãos à obra

Quanto maior for o buraco que abrir na terra com a pá, melhor, explica Rodrigo. O ideal é cerca de 50 cm X 50 cm X 50 cm. Mais uma dica: antes de colocar a muda, jogue um balde de água no que será o seu “berço”. E corrija com um degrau de terra caso o caule da muda fique abaixo da altura do solo.

Depois, como se sabe, basta fechar o buraco e esperar que a natureza faça seu trabalho. Nos primeiros meses, é preciso ajudá-la com irrigação, em períodos de pouca chuva. Atenção: não deixe um montinho de terra em volta da muda, pois dificulta a absorção de água. Apenas cubra o buraco.

Florestas

Créditos das fotos: no alto da página, foto de Rodrigo Martins/Pressing; acima, foto do Projeto Muda Itaim

Se a terra do local estiver misturada com cimento, entulho ou outros elementos urbanos, o Manual Técnico de Arborização Urbano da Prefeitura de São Paulo indica substituir na hora de fechar o buraco. Use mistura de terra de textura argilosa, composto orgânico estabilizado e areia grossa.

O manual enumera ainda os benefícios de aumentar o verde em áreas urbanas: além de proporcionar uma boa sombra, as árvores ajudam a controlar a temperatura e umidade do ar, a barrar ruídos e luminosidade e diminuir a poluição.

Ali e acolá

Além das iniciativas do Novas Árvores Por Aí (acompanhe no link nº 1 abaixo), muitos moradores de cidades cinzentas têm se reunido com vizinhos para tentar deixar seus bairros menos áridos e seus rios e córregos mais protegidos.

É o caso do Muda Itaim (ver link 2), e do Muda Mooca (ver link 3), em São Paulo. E do Árvores em Porto Alegre (ver link 4) e do Mutirão da Lagoa do Saibro, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Há notícias ainda de mutirões verdes em Sabará, Minas Gerais (ver link 5), e em Brasília, estimulado pela Virada do Cerrado (ver link 6).

Em Ribeirão Preto, os mutirões organizados por vizinhos da Lagoa do Saibro começaram quase por acaso. Um morador plantava mudas da sua casa e, quando viu, todos que tinham mudinhas sobrando passaram a deixá-las por ali, para que ele as plantasse também.

Logo surgiram mais mãos, pás e regadores dispostos. Um dos participantes, Rodrigo Nogueira comenta que “os pessimistas dizem que não é nada, mas achamos melhor começar”.

 

Serviço:

Links citados:
1) https://www.facebook.com/novasarvoresporai
2) https://www.facebook.com/Muda-Itaim-702273886548047/?fref=ts
3) https://www.facebook.com/mudamooca/?hc_ref=PAGES_TIMELINE&fref=nf
4) https://www.facebook.com/groups/avoresempoa
5) https://www.youtube.com/watch?v=tZKAamLf-vU
6) https://www.facebook.com/tonavirada/?fref=ts

 

Natália Pesciotta é paulistana, jornalista e também a sexta neta do Seu Nelson e a terceira de Dona Ushi

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