Discussões políticas: como os avós podem participar?

Discussões
Para o pediatra, discutir história e política em família pode ser enriquecedor para os avós, que têm o que dizer nessas horas

Por Fábio Ancona Lopez

●  Palavra de especialista: maioria dos avós conheceu a ditadura   

 Momento difícil desse nosso Brasil nos dias atuais. Véspera de eleições em cenário totalmente obscuro: greve de caminhoneiros que desabasteceu o país, manifestações pedindo intervenção militar e, ao mesmo tempo, chamando militares de “comunistas”. Oposição denunciando um golpe anti-democrático. discussões.

E os avós com isso? A maioria de nós nasceu nos anos 50 e 60. Viveu sua adolescência num período em que existiu censura à imprensa, no qual discussões políticas eram evitadas, quando não proibidas. As notícias eram substituídas por receitas culinárias e as escolas eram obrigadas a ministrar uma disciplina chamada “Educação Moral e Cívica”, que desaguou no infeliz slogan: “Brasil: ame-o ou deixe-o”.

Tempos difíceis discussões

Por tudo isso, grande parte desses avôs e avós tiveram sua formação de cidadão dificultada pela falta de oportunidades para aumentar seu conhecimento. Por outro lado, tiveram a chance de viver o restabelecimento da democracia no Brasil, depois de 21 anos de escuridão.

Resolveu tudo? Todos os problemas foram superados? Claro que não! Consciência política não se ganha da noite para o dia. É necessário que ela seja estimulada a cada momento. E que as diferentes idéias possam ser debatidas livremente, que eleições se processem normalmente. E que todos os direitos recebam o mesmo respeito. Os países mais desenvolvidos nos mostram isso todos os dias.

Democracia é fundamental

Penso então no papel que cabe a quem foi adolescente na época da ditadura com relação a seus netos, adolescentes de hoje. É fundamental que, independentemente da sua posição política, os avós possam deixar claro às novas gerações que a única forma de obter evolução política é a prática da democracia. Que a igualdade de direitos seja acompanhada pela prática da equidade, que iguala as possibilidades de sucesso para todos.

Acredito firmemente, e tenho experiência pessoal neste sentido, que a conversa com netos, abordando estas questões, é gratificante e enriquecedora para as duas partes. Assim como podemos contar o que vivemos, podemos aprender como a juventude de hoje se posiciona e também aproveitar as experiências dos mais jovens.

Acredito que a maioria esteja de acordo com estes pensamentos. Se ainda há alguém que simpatize com totalitarismos, recomendo o estudo da História. Afinal, desde os gregos, de 2.500 anos atrás, o mundo já mostrou por qual caminho deve andar.

Portanto. Entretanto. Todavia.Portanto. Entretanto. Todavia. Portanto.

E mais…

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Fábio Ancona Lopez é médico com experiência de mais de 50 anos de exercício da Pediatria e especialização em Nutrologia; é professor titular aposentado da Disciplina de Nutrologia do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo; é autor do livro “Avós e Netos – uma forma especial de amar – manual de convivência”, além de ser também um avô muito experiente; escreve todo mês na “palavra de especialista” do portal avǒsidade

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