Dr. Fabio Ancona: o papel dos avós no parto dos netos

Parto
Insegurança materna e ciúmes paternos pelas atenções dadas ao filho são comuns e diante desses problemas muito podem fazer os avós

Por Fabio Ancona Lopez

Palavra de especialista

► Uma gravidez tranquila que se encerra com um parto feliz é um momento fundamental na vida de qualquer casal. Todos já vivenciaram a experiência de tantos casais que, felizes enquanto sós, passaram a viver momentos de relacionamento difícil depois do início da gravidez e, especialmente, após o nascimento do tão esperado primeiro filho.

A insegurança materna, causada pelas modificações corporais, pela diminuição da libido após o parto, pela responsabilidade de fazer crescer aquele novo ser tão importante, é complicada pelo comportamento tantas vezes inadequado do pai que, por seu lado, se sente isolado e enciumado pelas atenções dadas ao filho.

A experiência de pediatra me ensinou que a melhor conduta, ao perceber uma situação conjugal tensa num momento desses, é não esconder o problema. Não fingir que está tudo bem. Levantar a discussão sobre o relacionamento pode ter um positivo efeito, fazendo com que o casal fale francamente sobre ele. E comece a acertar os seus ponteiros.

Muito mais do que o pediatra podem fazer os avós! Por muitos motivos, a iniciar pela intimidade com seus filhos que facilita qualquer acesso. E, também, porque mesmo não se lembrando bem (a gente apaga memórias não muito agradáveis), já passaram por isso.

Elemento moderador parto

Discutir sensações já vividas, mostrar aos filhos que tudo o que eles sentem é habitual em casais nesta condição. Trocar experiências novas com as de momentos passados. Tudo isso seguramente vai contribuir para ajudar a superar tensões.

Especialmente a avó materna tem um papel fundamental pelo que pode fazer para que sua filha se tranquilize. Conversar sobre o parto e o aleitamento materno também é fundamental.

Neste momento a avó deve saber quais são as expectativas de sua filha com relação ao tipo de parto. E à amamentação.

Caso não haja concordância de pensamentos, devem procurar auxílio profissional com o obstetra e/ou o pediatra, podendo chegar a um consenso que trará tranquilidade.

O avô, por seu lado, deve reconhecer seu papel como elemento moderador na relação entre as famílias que vão ter um mesmo neto. Deve cuidar da aproximação entre os grupos familiares, sabendo da importância que tem um clima de compreensão e afeto na estabilidade emocional de todos.

A partir daí, entrega total! Viva o novo neto, estamos todos a postos e ao dispor dele. Com a certeza de que as alegrias serão imensas, mas sabendo que todos devemos contribuir para isso!

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Fabio Ancona Lopez é médico com experiência de mais de 50 anos de exercício da Pediatria e com especialização em Nutrologia; é autor do livro “Avós e Netos – uma forma especial de amar – manual de convivência” (Editora Manole, 2011), além de ser também um avô muito experiente; escreve todo mês na “Palavra de especialista” do portal avǒsidade

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