Dr. Fábio Ancona: por que existem gordos e magros?

Gordos
Há uma doença geneticamente determinada que leva a um acúmulo de gordura corporal e que se expressa sob influência do ambiente

Por Fábio Ancona Lopez

 Palavra de especialista: discutir a obesidade à luz das nossas origens

Considerando a importância que se dá à alimentação no momento atual, vamos refletir sobre uma questão que está na base de tudo e que pode parecer simples, mas não é: por que existem gordos e magros? São só as ações de comer diferente e, afinal, fazer mais ou menos atividade física que determinam esta situação?  Sempre foi assim ou isto decorre da vida moderna? É culpa das avós que oferecem guloseimas para os netos e os fazem crescer com sobrepeso? Obesidade

Para entender melhor o problema, temos que ir para bem longe na história do homem na Terra. Voltar no tempo em que nossos avós formavam tribos nômades e corriam atrás de comida antes de aprender a plantar e a criar animais. Que comida, então? Frutos que eram colhidos no caminho e animais que eram caçados, sabe-se lá com que dificuldade!

Com certeza houve períodos de seca ou de inundações, invernos rigorosos e verões extremos, dificultando muito a obtenção de alimento. A fome causava, inevitavelmente, perda de vidas entre os membros da tribo. Assim sendo, quem morria primeiro? Os mais velhos, as crianças e os mais “fracos” que, na realidade, eram os mais magros. E, então, por que eram mais magros?

Gordos já tiveram vantagem

Colocando de modo bem compreensível, podemos dizer que eles nasciam assim. Ou seja, tinham mecanismos genéticos, transmitidos por pai e mãe, que faziam com que eles (e suas famílias) fossem mais magros em comparação aos outros. Ao seu lado, sobrevivendo muito mais facilmente aos tempos de fome, estavam os que eram mais gordos, mesmo comendo a mesma coisa que os magros!

Eles nasciam assim e sobreviviam mais facilmente! A estrutura genética lhes permitia acumular energia sob a forma de gordura, que funcionava como uma reserva fundamental para os tempos de escassez, e facilitava a passagem pelos tempos difíceis.

Para concluir, é assim: quando o homem passou a plantar e a criar animais, deixou de correr atrás da comida e de andar com as próprias pernas. E, com isso, parou com sua atividade física obrigatória. E os magros passaram a viver melhor, e os que eram gordos (que por um tempo até garantiram a preservação da espécie) se transformaram nos obesos de hoje. A vantagem que tiveram no passado se transformou, então, em grande desvantagem nos dias de hoje.

Não é só genética gordos

Porém, a causa determinante da gordura de cada um não é só genética.  Com certeza absoluta uma das maiores preocupações das pessoas sadias, nos dias de hoje, é com o próprio peso. Uma rápida olhada em qualquer banca de jornal nos mostra a importância deste tema. O número de publicações dedicadas aos temas alimentação, nutrição e atividade física é enorme.

A Organização Mundial de Saúde diz que a obesidade é hoje a maior epidemia em curso no mundo. Por isso, medidas são propostas, em todos os sentidos, buscando conter a situação. Desde intervenções diretas na oferta de alimentos ou medidas mais drásticas diretamente no organismo dos obesos (cirurgia bariátrica, por exemplo).

É importante e urgente que todos se conscientizem do problema e do que pode ser feito, em nível individual e coletivo, para reverter esta situação.

A melhor definição da obesidade é a que diz que é uma doença geneticamente determinada que leva a um acúmulo de gordura corporal e que se expressa sob influência das condições ambientais. As duas variáveis são definidas como fatores não modificáveis (a genética) e modificáveis (o meio ambiente, incluindo basicamente a alimentação).

Já que é impossível modificar a carga genética, devemos modificar os hábitos de vida para que haja, nos indivíduos predispostos, uma diminuição na ingestão de calorias e/ou, paralelamente, um maior consumo de energia.

Mudar os hábitos é fundamental

Provocar maior consumo de energia implica aumentar a atividade física de modo consistente, mediante a adoção de hábitos saudáveis, que podem ser muito simples. Caminhar de 20 a 30 minutos por dia, subir um ou dois andares a pé em vez de pegar o elevador, levar o cachorro passear, brincar com as crianças jogando bola, ir a pé até a padaria etc.

Mas, e quanto à diminuição de calorias ingeridas? Se dieta pura e simples fosse a solução, não haveria obesos no mundo, pelo simples fato de que todos já as fizeram.

Qual é, então, a grande dificuldade? Ela reside no fato de que, para prevenir e tratar a obesidade, é necessário que ocorra uma mudança de hábito! Mudar o padrão alimentar da família, adotar dietas saudáveis, passar, assim, a fazer atividade física de modo disciplinado e constante.

E, portanto, convenhamos: é muito mais fácil tomar um remedinho do que mudar de hábito. É por isso que as pessoas correm atrás de mágicas para emagrecer e se transformam em “sanfonas”, ora mais magras, ora mais gordas.

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Fábio Ancona Lopez é médico com experiência de mais de 50 anos de exercício da Pediatria e especialização em Nutrologia; é professor titular aposentado da Disciplina de Nutrologia do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo; é autor do livro “Avós e Netos – uma forma especial de amar – manual de convivência”, além de ser também um avô muito experiente; escreve todo mês na “palavra de especialista” do portal avǒsidade

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