Dra. Elizabeth Monteiro: os avós cuidadores

A autora tem longa experiência com crianças, pais e avós que atende em seu consultório, e experiência própria com seus 4 filhos e 6 netos

Por Elizabeth Monteiro

● Palavra de especialista

► São vários os motivos que levam os avós a ser os cuidadores, a ter a guarda dos netos: pais desequilibrados, dependentes químicos, negligentes; pais que vão morar no exterior; pais menores de idade; pais que falecem. A única coisa boa nisso, segundo pesquisas, é que as crianças amparadas por avós equilibrados, saudáveis e carinhosos têm mais chances de se recuperar do trauma e crescer saudavelmente. O número de famílias lideradas por avós cresceu aproximadamente 50% de 1990 até hoje.

Avós que criam os netos precisam ter mais firmeza e autoridade e, ao mesmo tempo, ser dóceis. Os avós também conquistaram o direito de ver os netos diante do divórcio ou do impedimento dos pais (Lei número 12.398/11). Mas é bom lembrar que o juiz só concede aos avós idôneos. Já vi muito avô pedófilo e muita avó dependente química. Por falar em dependência, quero falar aqui um pouco sobre os avós que cuidam dos seus filhos dependentes químicos.

Ninguém merece estar nessa posição. A pessoa é obrigada, dia após dia, a entrar em contato com emoções tão fortes, desconhecidas, ambivalentes e com dificuldades tão grandes que se sentem completamente impotentes. Tratar de filhos ou netos dependentes químicos esgota porque eles levam a família inteira para um mundo de desolação e desesperança.

Se esse é o seu caso, pense: será que você é a pessoa mais indicada para assumir essa responsabilidade? Será que você conseguirá enfrentar o cenário destrutivo que a dependência química gera?

Cura e controle cuidadores

Não se faça de forte. Aprenda a lidar com as situações e prever o que acontecerá. Antes de assumir tal responsabilidade, imagine um plano B. Hoje, o Brasil já conta com equipes multidisciplinares que atendem dependentes químicos. Busque todo o tipo de ajuda que conseguir: do governo, dos amigos, dos profissionais e do restante da família.

Infelizmente, a dependência química NÃO TEM CURA, tem CONTROLE. O final dessas histórias costuma ser muito triste. Endureça um pouco o seu coração e encaminhe o seu filho ou neto às pessoas certas. Preserve-se… Você precisa estar bem para supervisionar os cuidados com ele. Geralmente, eles dizem que pararam de usar a droga, mas isso não é verdade.

Nada de sentir culpa. É mais fácil achar que alguma atitude sua ou da família levou ao vício em drogas que admitir que o seu filho ou neto tem essa doença. Cuidadores, cuidadores.

Sim… isso é doença. Merece tratamento médico psiquiátrico, acompanhamento psicológico e, por vezes, internação.

Não assuma sozinha a responsabilidade de cuidar de um ente dependente químico. Essa função precisa ser dividida entre todos. Cuide de você, antes que a doença dessa pessoa te mate em vida.

Se você ainda não começou a cuidar da sua própria saúde, é hora de fazê-lo. Não corra o risco de se transformar em mais um fardo para a sua família. Sua saúde e disposição futuras dependerão do que você fizer hoje.

É preciso estar bem, para cuidar de quem depende de você. Não se deixe torturar por preocupações e por sentimentos de culpa. Isso nos impede de seguir em frente.

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Elizabeth Monteiro é psicóloga e psicopedagoga, especialista em relacionamento entre filhos, pais e avós, autora dos livros “Criando Filhos em Tempos Difíceis”, “A Culpa É da Mãe”, “Cadê… o Pai Dessa Criança?” e “Avós e Sogras – Dilemas e Delícias da Família Moderna”; tem quatro filhos e seis netos, e escreve todo mês no portal avǒsidade

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2 Comentários

  1. Leleka said:

    Tenho uma vizinha que cuida dos netos. Um garoto de 10 anos e uma garotinha de 2 anos. Mas, a menina sofre constante e diariamente assédio moral. Ao menino, nada desse tipo de coisa! É completamente absurdo, os diálogos loucos e amargos que e a avó joga sobre a menininha. Não parece estar se comunicando com alguém que tem apenas dois anos. Usa de palavrões e ameaças. Claro, na frente da própria filha e outros, ela ñ tem esse comportamento. Denunciar é algo que estou pensando… ou me mudar.

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