Dra. Elizabeth Monteiro: os direitos legais dos avós

Direitos
Todos os avós têm direitos sobre os netos e, se você se sente excluída na relação, converse com os pais – orienta a Dra. Elizabeth

Por Elizabeth Monteiro

Palavra de especialista: como os avós podem conquistar mais direitos

 O inciso VII do artigo 888 do Código de Processo Civil aponta que a guarda e a educação dos filhos podem, a critério do juiz, ser extensivas a cada um dos avós. Partindo disso, o que eu quero abordar são os conflitos e melindres que acontecem entre as avós e os pais de seus netos.  Direitos

Geralmente, a avó materna tem mais intimidade com a mãe da criança (salvo algumas exceções). Nada mais natural, afinal, viveram a vida bailando e circulando entre situações de amor e ódio que permeiam as relações de mãe e filha.

Acontece que as avós paternas e as avodrastas não entendem isso e querem o mesmo tipo de intimidade com as suas noras. Aí é que o bicho pega!

Sei de muitas avós paternas que possuem relacionamentos maravilhosos com as suas noras. Sim… Isso é possível. Mas o comum é viverem se comparando com a avó “rival”. Sentem-se descartadas, fazem pirraças e queixas. Quanta bobagem!

Conquistando os direitos

Se você se sente excluída na relação, ou pouco importante e pouco útil, trate de conversar com os pais da sua criança. Diga que gostaria de fortalecer o vínculo com o seu netinho ou sua netinha, ter as suas estórias com a criança, os seus segredos e a sua cumplicidade.

Peça para agendar um dia na semana para que você esteja com o seu neto, seja em sua casa ou na dele. Combine que nesse dia, ou nesses horários, você se prontifica a cuidar da criança, a sair com ela e a ajudar no que for necessário.

Pare de bater de frente com os pais do seu neto. Pare de se lamentar e de se fazer de vítima. Respeite-se! Não se coloque no papel da rejeitada, da excluída e da mal amada. Trate de se arrumar bem bonita, levantar essa cabeça, deixar a humildade de lado e dar lugar à elegância.

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Como uma pessoa elegante e sábia, diga que sente falta do contato com a criança, que entende a intimidade existente entre a sua nora e a mãe dela, mas que gostaria de um dia agendado para curtir essa criança. Sim, agendado!

Um dia que você não tenha de mendigar por ela, semanalmente. Um dia que faça parte da rotina de suas vidas, que você não tenha de pedir uma autorização ao Papa. Que apenas possa chegar e estar com o seu bambino ou a sua bambina.

Curtindo o que foi conquistado

Geralmente, as jovens mamães odeiam quando as sogras chegam sem avisar e insistem em ver o seu tesouro. São imaturas, possessivas (embora você não seja nenhuma santa)!

Converse com o casal e reivindique um dia para você. Eles se sentirão o máximo! Vão protocolar o seu pedido, examinar e ditar as regras desse encontro. Lembre-se: você é a avó paterna! Na cabeça dessa mãezinha, você é o inimigo!

Brincadeiras à parte: embora isso aconteça e seja muito comum, não é a regra.

Então, no seu dia de avó, use e abuse dos seus direitos. Faça com que esse dia seja o melhor de suas vidas – da sua e do seu neto. E cuidado para não transformar esse dia em uma guerra. Cuidado com o que diz. Olha a boca!!!!!!

Seja leve, amorosa e tenha o bom senso de perceber a hora de se retirar. O melhor seria que o seu neto ficasse em sua casa, sem a figura da mãe ou do pai atrapalhando essa relação. Veja se consegue isso. Arrume um espaço bem legalzinho para que a sua criança seja bem recebida. Siga as regras da mãe e nem as questione.

Lembre-se: você é persona non grata. Eles estão te fazendo um favor (rs rs rs rs). Enquanto a criança estiver com você, não invente nada diferente sem consultar os seus “patrões” (rs rs rs).

Desculpem a ironia, mas tem certas coisas que precisam ser ditas com humor. Um sorriso largo e sincero.

E mais…

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Elizabeth Monteiro é psicóloga e psicopedagoga, especialista em relacionamento entre filhos, pais e avós, autora dos livros “Criando Filhos em Tempos Difíceis”, “A Culpa É da Mãe”, “Cadê… o Pai Dessa Criança?” e “Avós e Sogras – Dilemas e Delícias da Família Moderna”; tem quatro filhos e seis netos, e escreve todo mês no portal avǒsidade

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Um comentário

  1. Amanda said:

    Sou essa mãezinha imatura! Jamais permitiria que alguém reivindicasse o direito de ter um horário agendado na rotina do meu filho. Não acho isso saudável de jeito nenhum!

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