Duerme negrito, do folclore latino-americano

Por Jorge Luiz de Souza

 

► É difícil achar em todos os países vizinhos alguém que discorde: esta é uma das mais belas canções de ninar que existem. Sua origem provável é o folclore da região do Caribe, mas ninguém sabe ao certo porque se tornou muito popular em mais de vinte países de língua espanhola nas Américas.

Todas as mães dizem que cantar essa canção para seus filhos cria uma atmosfera de grande intimidade e que o aspecto assustador dos versos, que também acontece em várias canções de ninar brasileiras (como o “Boi da Cara Preta”), é quebrado pela deliciosa onomatopeia final.

O cantor de rock argentino Gabo Ferro, que foi embalado por essa cantiga quando era pequeno, diz que ela “é, simplesmente, uma canção perfeita, como o ato de dar de mamar feito canção”, e que para a personagem central parecia como uma “rainha mágica” das histórias infantis.

Prestem atenção na letra, onde diz que a mamãe da criança está trabalhando a roça, mas não lhe pagam, é viúva e está doente, tossindo, e continua trabalhando e prometendo trazer gostosuras pra o filho. O canto em voz baixa normalmente não é acompanhado por instrumentos, mas apenas pela batida num tamborzinho.

Vários cantores famosos já a gravaram, como os argentinos Atahualpa Yupanqui e Mercedes Sosa, os uruguaios Alfredo Zitarrosa e Dante Viglietti, o chileno Victor Jara, os cubanos Bola de Nieve e Eliseo Grenet. Escolhemos para apresentar aqui um vídeo da cantora Mercedes Sosa, gravado na Suíça em 1980 (vídeo de Matías Jiménez).

 

Acompanhe canção:

 

Duerme Negrito

Duerme, duerme negrito,
que tu mama está en el campo, negrito…
Duerme, duerme mobila,
que tu mama está en el campo, mobila…

Te va a traer codornices para ti,
te va a traer rica fruta para ti,
te va a traer carne de cerdo para ti,
te va a traer muchas cosas para ti.

Y si negro no se duerme,
viene diablo blanco
y ¡zas! le come la patita,
¡chacapumba, chacapún…!
apumba, chacapumba, chacapumba,
chacapún!

Duerme, duerme negrito,
que tu mama está en el campo, negrito…

Trabajando,
trabajando duramente, trabajando sí,
trabajando y no le pagan, trabajando sí,
trabajando y va tosiendo, trabajando sí,
trabajando y va de luto, trabajando sí,
pa’l negrito chiquitito, trabajando sí,
pa’l negrito chiquitito, trabajando sí,
va de luto sí, va tosiendo sí, duramente sí.

Duerme, duerme negrito,
que tu mama está en el campo, negrito.

 

(tradução)

Dorme, menino

Dorme, dorme, menino,
que sua mãe está na roça, menino…
Dorme, dorme, minha vida,
que sua mãe está na roça, minha vida…

Vai trazer codornas pra você,
vai trazer fruta gostosa pra você,
vai trazer carne de porco pra você,
vai trazer muitas coisas pra você.

E se o menino não dorme,
vem o diabo branco
e zás! Te come o pezinho,
chacapumba, chacapum…!
Apumba, chacapumba, chacapumba,
chacapum!

Dorme, dorme, menino,
que sua mãe está na roça, menino…

Trabalhando,
trabalhando duramente, trabalhando sim,
trabalhando e não lhe pagam, trabalhando sim,
trabalhando e vai tossindo, trabalhando sim,
trabalhando e vai de luto, trabalhando sim,
pro menino pequenino, trabalhando sim,
vai de luto sim, vai tossindo sim, duramente sim.

Dorme, dorme, menino,
que sua mãe está na roça, menino…

 

Jorge Luiz de Souza é jornalista e avô de Mateus (3 anos), Sofia (1 ano), Rafael (1 ano), Natalia (10 meses) e Andrew (1 semana)

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