Gosto pelo presépio, herança do avô

Presépio
Um presépio animado, com muito movimento, parece real, só que é em miniatura, e todo mundo pode ver no meio da praça da cidade

Por Natália Pesciotta

Atração natalina passada para o neto, também eletricista

O eletricista José Motta passou 30 anos construindo, todos os anos, um grande presépio animado, inventado por ele mesmo, no centro de Santo Antônio do Pinhal, no interior de São Paulo, próximo de Campos do Jordão.

Quando morreu, em 2007, os moradores pensaram ser o fim da tradição. Até que Gustavo, seu neto e aprendiz, se candidatou para remontar a cena natalina. E ele só tinha 19 anos.

“Um mês depois da morte dele já seria outubro, época de começar a trabalhar no presépio. Então eu disse para minha mãe que eu podia tentar. O pessoal duvidou, minhas tias nem acreditaram”, ri o herdeiro da missão.

Deu certo naquele ano. E continua dando, 11 anos depois.

É verdade que todo ano Gustavo pensa em se aposentar da função, pelo trabalho que dá colocar em movimento, por meio de três motores, a Sagrada Família, a bomba d’água, o sino da igreja, os carpinteiros, os animais…

Mas, quando termina, logo muda de ideia: “Depois que vejo tudo pronto, não consigo largar mão. Ver a alegria das pessoas, todo mundo tirando foto, chega a arrepiar”.

Veja na galeria de fotos abaixo como o presépio é montado.
(clique na seta para fazer girar o carrossel de imagens)

 

Além de ser atração para os 6 mil moradores de Santo Antônio do Pinhal e turistas, a obra chama atenção de muitos viajantes que passam pela cidade a caminho do litoral. Todo ano é filmada em reportagens.

Gustavo já foi até convidado a construir o presépio elétrico-mecânico em outros lugares – e recusou, pois acha que não daria conta. A cultura do presépio é muito forte em toda a região do Vale do Paraíba.

Mais bonito do ano presépio

Dizem que Gustavo é parecido no jeito com o avô, de quem foi assistente e herdou também a profissão de eletricista. Os dois sempre foram próximos, gostavam de andar juntos pelo mato.

Apesar de outros primos também já terem ajudado na construção do presépio, assim como todo mundo na família ajuda, até hoje, Gustavo ficou mesmo como herdeiro oficial. A prefeitura paga pelos 40 dias de trabalho dedicados à obra, a paróquia contribui com materiais.

Veja no vídeo abaixo o presépio animado se movimentando.
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Ele acha que a criatividade do avô já vinha de família. O bisavô, também eletricista, gostava de criar roletas de luzes para as quermesses da cidadezinha cravada na Serra da Mantiqueira.

O que mais importa, para Gustavo, é animar e unir as pessoas. Dos natais de outros tempos, guarda as lembranças dos primos reunidos na praça, acompanhando a construção do presépio pelo avô, quando os encontros eram corriqueiros.

Hoje em dia, não é mais tão simples juntar a família. Mas continua sendo regra nesta época, quando todos se encontram na casa da avó, na mesma praça onde fica o presépio: “As festas de fim de ano, principalmente o Natal, são o momento mais bonito do ano. Reúnem todo mundo”.

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E mais… presépio

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Natália Pesciotta é jornalista e colabora habitualmente com o portal avŏsidade; ela também é a sexta neta por parte de pai e a terceira por parte de mãe

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