Milton Leite: “Passando rápido demais”

Vovô Milton e o neto Ângelo: impressionado com o neto segurar um celular, usar o dedinho gorducho para mudar as páginas e acionar vídeos

Por Milton Leite

► “Está passando rápido demais”. Pouco mais de um ano atrás, o caminhar era inseguro, as primeiras palavras na linguagem dos bebês saíam e nenhum de nós tinha nome, apenas a identificação pela posição na família – mamãe, papai, vovô, tia…

Quando recebi o primeiro vídeo com Ângelo falando “vovô”, com um bico bem pronunciado, foi impossível não chorar. Mais recentemente, “vovô Píton”, que em algumas semanas virou “vovô Míton”. Falta pouco!

Por isso mesmo, a frase que abre este texto tem sido cada vez mais repetida nos nossos encontros familiares. A evolução tem sido tão rápida que ficamos tentados a congelar cada instante, porque temos certeza que daqui a pouco veremos outras tantas coisas novas, inventadas e reinventadas.

Tudo tão rápido, que mal temos tempo de curtir a gracinha de hoje, porque a de amanhã vai superá-la. Vivemos numa mistura de ansiedade para conhecer as coisas novas e angústia de que tudo anda muito mais depressa do que conseguimos acompanhar.

[clique numa das setas nas laterais da foto para fazer o carrossel girar]

A carinha de bebê deu lugar à de um menino vivaz, inteligente, brincalhão, generoso (eu sei, eu sei, todos os avós devem falar as mesmas coisas de seus netos). Hoje, ele corre pela casa, formula frases e todo mundo já tem função e nome: vovô Míton, dinda Cacau, tia Caia, tia Thali, bisa Lili, biso Máio…

Talvez tenha sido sempre assim, mas quando se observa de perspectivas diferentes (primeiro como pai, depois como avô), situações distantes algumas décadas, com toda a evolução tecnológica e nos processos de educação, a tendência é acreditar que as gerações evoluem mais rapidamente – confesso não ter condições de saber se isso é verdade.

Mas fico impressionado com meu neto segurando um celular, usar o dedinho gorducho para mudar as páginas, acionar vídeos – será que minhas filhas teriam a mesma habilidade se houvesse celulares no começo dos anos 1980? Ou temos a tendência de considerar que cada geração vem mais evoluída que a anterior, mesmo que isso não seja verdade?

Vivemos numa época de milhões de informações circulando e somos bombardeados por elas o tempo todo, num volume maior do que conseguimos assimilar. Talvez a grande diferença que a geração do Ângelo carregue seja a capacidade de acompanhar tudo, em velocidade crescente para enfrentar um mundo cada vez mais competitivo. Crianças da era digital, dos computadores na palma da mão.

Para nós, que vamos acumulando cabelos brancos e barriga, só uma certeza: Está passando rápido demais!

 

Milton Leite é jornalista, narrador esportivo do canal SporTV e avô de Ângelo

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Um comentário

  1. Maria Dinelza said:

    Vovô Milton, acredito que as crianças dos anos 80 talvez tivessem mais imaginação e criatividade que essa geração atual. Afinal, não tinham as informações que as de hoje têm e eram capazes de tanta coisa!!! Vivemos num mundo onde tudo já vem pronto e basta apertar um botão ou dar um clique que a coisa acontece..

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