Minha super avó

Super
Vovó Oltilde com a autora, na época em que a neta juntava as melhores lembranças, aquelas que até hoje lhe vêm na memória toda manhã

Por Isabela Fernandes

Tem coisa melhor do que amor e admiração de neta pela avó?

Toda manhã eu medito e toda manhã eu agradeço por ela. Minha amada e admirável avó, Dona Oltilde, como muitos a chamavam. Que fibra, e que coração. Acordava junto com as galinhas, ia à missa todo dia – me carregava muitas vezes junto – e dali começava sua rotina de super avó.

Preparava o café, o almoço, o café da tarde e o jantar com uma explosão de sabores, e muita massa – era de família italiana. A depender do dia, tinha bolinho de chuva, crostoli (como ela chamava a antiga receita de grostoli da nona) e pão caseiro. Eu adorava acompanhar e fazer parte desta bagunça, ela colocava amor e isso era seu ingrediente especial.

Um dia saiu até um bolo com um coração no meio, mais um “sinal” de que até os anjos estavam dizendo amém. Mas as tarefas não acabavam na cozinha, ela cuidava impecavelmente de mim, ia levar e buscar na escola, na natação, no ballet, no inglês, na catequese.

Cobrava lição de casa e me colocava para rezar o terço todo fim de tarde. Fazia feira, lavava roupa, estendia, passava. Limpava a casa todinha, e colocava eu e minha prima Jéssica – outra cria sua – pra ajudar, claro. Brigava, pegava a cinta, tacava o chinelo. Chorava.

Devota, dedicada, simples, super

Ah, quanta emoção cabia dentro daquele peito que ajudava os idosos e enfermos, que era ministra da eucaristia e participante ativa do Apostolado da Oração. Sim, não bastava dar conta das netas e do lar, ela organizava rifas, festas, encontros e tudo o que pudesse de alguma forma contribuir para a igreja de São Francisco de Assis e sua comunidade de fieis.

Era devota, era dedicada, era com toda sua simplicidade uma fabulosa serva de Deus, daquelas que não medem esforços para ajudar ao próximo. E por isso tinha muitos amigos, toda tarde a campainha de casa tocava e, batata, era uma visita para D. Oltilde.

Como eu era feliz, como eu fui feliz, como eu sou feliz por ter sido criada por minha avó. Ela me mostrou o outro lado desta vocação. Ela não me deu apenas doces e uns bons trocados, ela me deu alma, me deu vida e me deu fé. Ela me mostrou que uma super avó é composta de todos estes momentos, felizes e infelizes.

Que a coragem e bravura são essenciais para quem quer entregar seu melhor nesta vida. E sim, ela me ensinou a errar, e a perdoar também. Não sei onde mais ela poderia estar neste momento que não dentro de mim. Ela vive, e eu continuo vivendo por ela.

Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então.

Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então.

E mais…

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Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então.

Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então.

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Isabela Fernandes é relações públicas e trabalha no Lide Futuro

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