Tecnologia ajuda o vovô

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Um jeito diferente de matar a saudade – Ângelo acompanha pela TV o vovô que estava mais de um mês longe por causa da Copa na Rússia

Por Milton Leite

Na distância, mais difícil foi driblar o fuso horário

Tem sido assim desde o final dos anos 1990. Quase todo ano, entre junho e julho, enfrento uma longa ausência de casa. Como jornalista atuando na área de esportes, são pelo menos 30 dias por conta de Jogos Olímpicos, Copa do Mundo, Copa América… ajuda

Ausência de casa significa distância da família, saudade. Com as minhas três filhas, ainda dei um pouco de sorte, porque na época em que os grandes eventos entraram no meu radar profissional, já estavam crescidinhas – a primeira vez foi a Copa de 98, na França, quando estavam com 15, 17 e 19 anos. A saudade não fica menor, mas é possível explicar, entender, remediar.

Depois que mudei meu status para avô, para meu alívio, Copa do Mundo e Olimpíada foram no Brasil, estava sempre por perto, ou, no caso da Rio-16, a 40 minutos de distância pela ponte aérea. E Ângelo ainda era muito bebê – a dor era minha, não dele.

Mas, e a Rússia? País distante que sediou a Copa do Mundo, nos obrigando a ficar 40 dias fora?

Com quatro anos neste 2018, Ângelo já tem compreensão aguçada de quase tudo, fala de saudade quando ficamos algum tempo sem nos encontrar. E eu, chegando aos 60, tenho cada vez mais necessidade de estar perto dos meus.

A cada ano que avanço no tempo, menos importância dou para as questões do trabalho, mesmo as boas, como cobrir uma Copa do Mundo, para valorizar uma brincadeira qualquer com Ângelo, que adora quebra-cabeça ou jogo da memória, se esbalda ao brincar numa piscina.

Internet engatinhando ajuda

Estivéssemos ainda no final dos anos 1990, com a Internet engatinhando, ficar longe seria um grande problema. Mas, graças aos velozes avanços da tecnologia nas últimas duas décadas, foi possível conversar com áudio e vídeo com a família toda direto de Moscou, Sochi, Rostov, falando com São Paulo e Jundiaí, driblando até o fuso horário de seis horas.

Skype, FaceTime, WhatsApp foram ferramentas que permitiram que eu, entre um jogo e outro, ficasse a par dos acontecimentos da escola, das brincadeiras com as cachorras ou dos novos pequenos machucados adquiridos nas brincadeiras do dia-a-dia.

Podia até mesmo receber vídeos quase instantâneos, com meu neto beijando a televisão quando minha imagem aparecia durante alguma transmissão.
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No entanto, numa relação de amor e carinho como a que tenho com meu neto, o contato físico de um abraço, o caminhar de mãos dadas, rolar pelo chão fazem parte do nosso repertório que nem a tecnologia mais avançada dos dias de hoje consegue suprir quando se está tão longe – quem sabe na Olimpíada de Tóquio o teletransporte já esteja em uso.

Se não, talvez o melhor seja mesmo ficar por aqui e, sentados no sofá, comendo pipoca, eu e Ângelo poderemos acompanhar juntos os próximos grandes eventos.

Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então.

Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então. Então.

E mais… ajuda

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Milton Leite é jornalista, narrador esportivo do canal SporTV e avô de Ângelo

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