Vovó sempre quis ser bailarina

Por Marina Izidoro

► Eu sempre quis ser bailarina… Como na canção consagrada na voz de Maria Bethânia, essa era uma das minhas pretensões na adolescência. Antes, na infância, quis ser cantora, policial feminina e aeromoça. O meu pai queria que eu fosse secretária bilíngue para trabalhar na multinacional francesa na qual passou 16 anos de sua vida.

Ambos estávamos errados, o que me seduziu mais tarde mesmo foi o jornalismo, profissão que abracei com muita dedicação, sem grandes feitos, prêmios ou reconhecimentos, mas que me trouxe uma enormidade de coisas boas, a melhor delas os bons amigos que fiz.

Mas isso tudo é apenas nariz de cera – jargão da área para a enrolação pré-lide, a abertura da matéria com as informações importantes. Na verdade, o que eu quero mesmo é falar da Maria Eduarda, a minha netinha de um ano e três meses que trouxe para a minha vida uma alegria imensurável.

Algum tempo atrás, estava eu a fazer micagens para distraí-la e, ao ouvir uma música inspiradora, ameacei alguns passos de balé. Duda ficou encantada e, ao final, minha filha Laura, mãe dela, fez a maior festa, com aplausos e aclamações. Fim de cena.

Passado algum tempo, acho que semanas desse acontecimento, novamente para distraí-la, fui buscar algum vídeo no Youtube e acabei colocando o trecho de um balé. Para minha alegria e surpresa, imediatamente ela balbuciou: “Bobó!!!” Sim, ela tinha associado a bailarina à minha pessoa.

Não importa que eu tenha desistido da dança depois de cinco anos por achar que eu nunca faria um espacate perfeito, por ter começado tarde, ou porque minha memória para as coreografias era péssima ou porque não conseguiria dedicar tanto tempo quanto era necessário. Naquele momento, eu me senti a melhor bailarina do mundo. Porque aos olhos de Duda eu era a própria.

 

Marina Izidoro é jornalista, apaixonada pelas filhas Laura e Luísa e pela neta Maria Eduarda

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Um comentário

  1. Neide Ferreira Brasil Simioni said:

    Pois é, Marina, lembro bem quando dançávamos no Municipal de S. André, com a nossa professora Maribel. Era maravilhoso! Eu ainda continuei um bom tempo depois de vc. Cheguei até a usar sapatilha de ponta, acredita? Mas, depois q me casei, vieram muitas obrigações, visto q esta não seria a minha profissão. Hoje, tbem tenho minha netinha q brinca com uma caixinha de música q tem uma bailarina, ela gosta mto! Realmente, um sonho q ficou para trás, mas sou mto realizada no meu trabalho. Mas, quem sabe, ainda não nos encontraremos nos palcos da vida?? Vamos sonhar, isto é bom, nos mantém vivas e iluminadas, vc não acha? kkkkk, bjus ,amiga!

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