A casa que habita meu coração

Habita
Enquanto escrevo, um filme passa pela minha cabeça e me emociono ao recordar avós Cacilda e Monreal, doces memórias, diz a autora

Por Carol Escorel

Memórias carregadas de emoção e saudade do tempo com os avós

Eu não tenho mais uma casa de avós para visitar. Infelizmente, os 4 já se foram. Não tive muito contato com meus avós paternos. Vovô Dirceu eu não conheci e Vovó Cacilda morreu quando eu era muito criança. As minhas memórias mais doces têm o cheiro da casa dos meus avós maternos no interior, onde eu passei praticamente todas as férias até a idade adulta. Habita

Em casa de vó geralmente se pode tudo, ainda mais quando avós e netos moram em cidades diferentes. Lá a gente brincava de esconde-esconde, subia no telhado, fazia guerra de barro com uma dezena de primos. Pegava romã no pé, fazia bolinho de chuva, jogava futebol na grama. E sempre me lembro da coleção de Papai Noel da minha avó, que era praticamente um passeio turístico típico de cidade pequena.

À noite, nos sentávamos na calçada vendo a hora passar. E paravam vizinhos, amigos ou parentes para jogar conversa fora. Cumprimentávamos as pessoas que passavam na rua, mesmo que fossem estranhas. Só de lembrar desses momentos simples e sinceros, o cheiro da dama-da-noite já invade a minha sala, enchendo meu coração de amor.

As festas de final de ano, que duravam dias e reuniam netos, tios, filhos, primos, amigos dos primos, primos dos primos, todo mundo conhecido passava para dar um “oi” em algum momento. Tinha banda tocando, a gente dançava e as horas passavam que a gente nem sentia. São tantas as boas lembranças que me dou conta de que posso escrever por horas.

Catarina e Monreal habita

O que mais sinto falta é da Dona Catarina e do Seu Monreal, meus avós. Ela nasceu na roça, caçula de 6 irmãos, aprendeu a ler sozinha, tinha uma elegância nata admirável. Baixinha, sempre arrumada, conquistava tudo e todos com seu jeito terno.

Ele nasceu na roça também, carpinteiro, maçom, prosperou na vida movido pela intuição e por uma sabedoria adquirida pela vivência e não por formação. O mais velho de 7 irmãos, era alto, com olhos azuis e tinha o respeito de todos por seu jeito amoroso, mas mandão.

Ficaram juntos por 66 anos e eram um casal adorável, referência para toda a família. Me ensinaram o significado de família, de afetividade, de amorosidade, de ética, de como tratar os outros. Sem dúvida nenhuma, devo muito a eles pela pessoa adulta que me tornei e como me relaciono com o mundo.

O amor de nossos avós supera o tempo, pois eles também vivem em nossos pais. Com o passar do tempo, minha mãe está cada vez mais parecida com a Dona Catarina. Acolhe a minha alma olhar para a minha mãe e ver minha avó, pois sinto ela está aqui cuidando de nós.

Até hoje eles estão presentes nas minhas saudades e nos meus sonhos. Enquanto escrevo, um filme passa pela minha cabeça. Me emociono ao recordar. Choro e percebo que os avós não morrem, eles estão vivos dentro de nós. Amém.

Então. Pois. Então. 

Então. Pois. Então. 

E mais… habita

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Então. Pois. Então.

Então. Pois. Então.

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Carol Escorel é publicitária

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