Avós das gerações X, Y, Z…

Gerações
Enquanto a avosidade não chega, a jornalista Sandra Regina Carvalho recorda da vivência com os avôs e reflete sobre as mudanças do tempo

Por Sandra Regina Carvalho

Mudanças de conceitos

Já poderia ser vovó… Mas ainda sou neta! Gerações… Tenho pensado muito nisso quando vejo minhas amigas curtindo os netinhos ou esperando pelo nascimento deles.

E concluí: “Tudo bem, estou feliz sendo neta. Não se preocupem, Henrique e Jessica. Não precisam ter pressa. Posso esperar”.

Enquanto isso, como neta, tenho tido a chance de recordar tantos momentos preciosos que passei com meus avós.

Já contei aqui, mas para os que não sabem, fui criada, com meu irmão, por meus avós paternos e maternos após a morte de minha mãe e, na sequência, o segundo casamento do meu pai.

Durante esse convívio, fundamental para diminuir nossa dor e saudades, ficaram muitas boas lembranças. No nosso caso, no entanto, nossos avós tiveram de pôr de lado a tarefa de avós para serem pais. E nem por isso foram menos condescendentes com muitas de nossas travessuras.

Avós que são pais

Se antes, a grande maioria dos avós, criaturas feitas de açúcar, faziam parte da vida dos netos basicamente para mimar. Hoje, muitos assumem o papel de pais para que seus filhos possam trabalhar.

São novos tempos, novas funções. Com um agravante: os avós têm de acompanhar todas as mudanças de conceitos que vêm nas malas que os pequeninos trazem para sua casa quando os pais os deixam pela manhã para buscá-los no fim do dia.

“Nada de tevê…
Açúcar, nem pensar…
Suco, só natural e de fruta orgânica…
Hora de dormir…cama, nem pensar em ninar no colo…”

E por aí vai!

O mundo está bem melhor em muitas coisas, não há como negar. O avanço faz parte da vida e ter acesso a informação e tecnologia faz o ser humano evoluir. Isso lá é verdade.

Formas de gerar

Mas traz também mais sofrimento quando não se consegue atingir aquilo que se imagina ser o melhor. A melhor forma de gerar, de nascer, de criar, de educar.

Será mesmo que precisamos seguir tantas regras para nos tornarmos bons avós (ou bons pais)?

Com tudo isso martelando na minha cabeça, gosto de lembrar do refresco de vinho com água e açúcar da casa da vovó Cândida e do vovô Joaquim.

Do doce comprado no Parque D. Pedro, quando a vovó Olívia ia nos buscar para passarmos o fim de semana com ela.

Do algodão doce do Salão da Criança comprado pelo vovô José.

E aí, sinceramente, fico muito feliz por ainda ser neta.

Isso me dá mais algum tempo para aprender a ser uma melhor vovó!

E mais…

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Gerações

Sandra Regina Carvalho é jornalista

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