Costanza Pascolato: “Os netos renovaram minha vida”

Vovó Costanza se atualiza para acompanhar o crescimento intelectual dos netos

  Entrevista com a consultora de moda Costanza Pascolato

“Consultora, empresária, mãe e avó.” É assim que Costanza Pascolato se apresenta no Instagram, em perfil seguido por mais de 200 mil pessoas. “Não tinha a menor ideia de como ser avó poderia ser algo fabuloso na vida de alguém”, comenta em entrevista exclusiva ao portal “avŏsidade”. Ter netos “me deu um ânimo para trabalhar mais, estudar mais, entender mais”, diz ela, nascida na Itália e vivendo desde os cinco anos no Brasil, onde mantém a marca têxtil da família, a Tecelagem Santa Constância. É autora de livros como O Essencial: O que você precisa saber para viver com estilo (Sextante, 2013).

 

Atualidades e geopolítica são alguns dos seus assuntos preferidos com seus dois netos, um rapaz de 22 anos e uma moça de 19, que vivem na Itália. Ela gosta de entender o mundo em que eles vivem. E de ajudá-los a entender também. Quando se encontram, a avó mostra que seu interesse pelos netos só fez crescer com o crescimento deles. “Fiz um curso no fim do ano que me deu novos horizontes e passamos a Páscoa falando sobre geopolítica”, conta. “Me interessa saber sobre o mundo onde eles vão viver.” E compara: “Se o avô fica entubado lá na outra geração, tem interesse só pelos netos pequenininhos.

 

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Memória e valores Costanza

Além do frescor e renovação que as gerações mais novas trazem, Costanza acredita também no outro lado da troca. Para ela, os avós são o elo entre os jovens e a memória e valores da família – no seu caso, uma família tradicional da Itália que atravessou o Atlântico por causas da Segunda Grande Guerra.

Os netos Cosimo e Allegra têm a missão de ajudar na construção de livros com a história dos Pascolato, desde muitas gerações antepassadas até à vinda para o Brasil. “Eles têm herança de valores e herança de memória, duas coisas importantes”, pontua Costanza. “Desde que eles nasceram, foi um renovar na minha vida. Percebi que eles iam precisar dessas memórias e desses valores.”

A seguir, os principais trechos da entrevista com avó Costanza Pascolato:

 

 

“Crianças precisam de limites”

“As crianças precisam, desde o começo, ter limites, senão eles nunca vão saber o que é bom e o que não é. Eles ficam i-m-p-l-o-r-a-n-d-o por limites. Uma criança que fica fazendo um monte de ondas e tem crises, ela precisa que alguém vá se interessar realmente por ela, e não dizer só: ‘não faça isso, não faça aquilo’. É uma questão de diálogo e de imposição de um certo ritmo.”

 

 

Passando o legado da família

“Ser avó antes de tudo foi um prazer infinito. Não tinha a menor ideia de quanto isso poderia ser formidável na vida de alguém. Desde o começo, desde o meu primeiro neto. Aliás, eu só tenho dois netos, que moram todos longe. Desde o começo foi como um renovar da minha vida. Eu entendi que como eles teriam que viver muito mais ainda e precisar talvez de memórias e de valores… Entendo que o que foi o legado da minha família, fora que eles eram pessoas muito educadas intelectualmente, quer dizer, foram gerações e gerações de intelectuais e interessados em sociologia, então o legado sempre foi: valores, na pobreza e na riqueza”

“Porque a gente perdeu tudo e isso que vocês estão vendo são o resto de coisas que vieram depois da guerra, e que a gente conseguiu trazer alguma coisa, entende? Meus pais tiveram que recomeçar tudo no Brasil. Essa noção de valores é fundamental e eu tenho tido essa experiência com eles, que é mais que fabulosa.”

 

 

Os livros dos Pascolato

A minha neta nem tanto, porque ela passa batido, ela gosta da ideia que a avó é desse jeito, e o bisavó assado, a gente quando viaja até vai ver onde foi a casa do bisavô e tal… Mas quem se interessa mesmo é meu neto. Aí tem toda história dos antepassados da minha mãe e dos pais, tá tudo nesses livros. E quando eles vinham pro Brasil, meu neto que vinha pedir pra bisavó deles [Gabriella, mãe de Costanza] pra contar a história. Ele se interessa muito… Por isso ele quer fazer ciências políticas, porque ele sabe que o mundo tá mudando.”

 

 

Ânimo para estudar mais

“Eu procuro me aperfeiçoar, inclusive culturalmente, porque a gente chega numa certa idade, acha que já sabe bastante, e praquilo que você tá fazendo agora não vai servir. Mas só o fato de ter que ser avó com uma certa… pra ajudar, pra dizer a verdade, pra entenderem melhor… Minha obrigação, já que não tenho mais o dia-a-dia familiar, eu vivo sozinha, então divido meu tempo como eu quero, que é uma grande liberdade, fora um monte de trabalho que eu gosto de fazer, né? Porque eu gosto de trabalhar, senão eu me sentiria meio inútil. Então é uma experiência ser avó, inclusive nessa passagem da adolescência pra esse estágio praticamente adulto, que é de uma riqueza… Me deu um ânimo maior para trabalhar mais, para entender mais, para estudar mais.”

 

 

Pequena entre os grandes

“Eles batem de frente com pai e mãe, com avó, não, se você souber dar a volta e estar sempre próxima. Porque também os avós, eles acham que neto é só lazer e prazer pra si próprio. Não é só. Também tem que ajudar a criar, entende? Mas já que eles te ouvem mais e são menos [resistentes]… Porque a criança sempre resiste à educação, resiste aos pais… Detestam arrumar o quarto, a mãe chega e diz: “tem que arrumar o quarto!”, ou brigam entre eles… Agora, quando eu chego lá, que aliás passo todas as festas que posso que eles tão lá juntos. É uma bagunça, eles brigam entre eles…Quando eu chego lá, acabou, ficam os dois grudados em mim. E ele já tem namorada, que vai pra lá também. Então eu fico, cada vez menor, no meio daquelas pessoas que crescem cada vez mais, eh, eh.”

 

 

A graça dos maiorzinhos

“Não é só recreio, ou seja, não é só prazer que você tira deles. Você começa a amar, realmente, quando você sabe que, além desse prazer, que é automático, de ser avó, porque no fundo você não teve de se aborrecer educando eles a vida inteira, porque educar é chato, educar leva a um esforço, uma dedicação, e falta de preguiça, o que é importante. E numa vontade de evoluir junto, porque, se eles são jovens, eles representam as novas gerações. Se o avô fica lá, entubado, lá atrás, numa outra relação, também só vai achar graça nos pequenininhos.”

Então. Então. Então. Então. Então.

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