Dr. Fabio Ancona: avó ou sogra?

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Um tema comum nas famílias e que muito preocupa as avós: filho da minha filha meu neto é... filho do meu filho meu neto será?

Por Fabio Ancona Lopez

● Palavra de especialista

► Final de outono, frio de manhã, calor ao meio dia e muitos resfriados. Outono também tem Dia das Mães e Dia da Sogra. Na verdade, dias de todas as mulheres que tiveram a felicidade de se reproduzir – o que inclui mãe, avó e sogra, muitas vezes tudo isso na mesma mãe.

Vamos pensar na situação daquelas que, sendo avós, têm de se relacionar, não com a filha, mas com a nora, para ter acesso ao neto ou neta. Já se disse: filho da minha filha meu neto é… filho do meu filho meu neto será?

Como a maioria das avós participa de modo muito importante na criação dos netos, em função do trabalho materno, a possibilidade do pediatra observar essa relação é grande. E tem me mostrado o que vou tentar descrever, por observação pessoal e por levantar o tema com muitas avós que levam seus netos ao consultório.

A relação da avó com a nora – mãe do seu neto – é, com certeza, muito mais difícil do que com qualquer filha que tenha lhe dado um neto. Com a filha, não existem inibições nem medo de ser invasiva. A relação flui facilmente e problemas que possam surgir são superados. Com a nora coexistem situações conflitantes que podem deixar o relacionamento muito difícil.

Coexistência avó e sogra

Muitas avós sentem que precisam se manter discretas, com medo de invadir a maneira de ser de sua nora. Ao lado disso, é frequente a avó ter a sensação de que é levada mais a sério ou de que é mais prestigiada só quando sua participação é indispensável. Por alguma necessidade de sua nora, por exemplo. Sensação ruim, de ser “explorada”, sem retorno.

Elas sentem e contam isso: impotentes por ter de atuar dentro dos limites que imaginam agradar à nora, frustradas pelo medo de que alguma conduta sua possa ser interpretada como intromissão. O que pode levar a uma ruptura de conseqüências imprevisíveis. Com risco, até, de ter o acesso ao seu neto dificultado por isso.

Ao lado destes aspectos mais sérios, existem situações que, no dia a dia, podem causar desgaste ou frustração desnecessária. Coisas como estilo de vestir, maneira de pentear (a avó adora cachos e a nora faz “maria chiquinha”). Pode ou não dar só uma pontinha de bolacha maisena (aquela que todas as crianças comiam)? São situações que, pela sua repetição, podem causar um afastamento doloroso para todos.

Por isso, quero deixar aqui uma palavra de estímulo para as avós, sogras e noras: é fundamental evitar atitudes radicais. Deve-se deixar acontecer tudo aquilo que, eventualmente, pode fazer a felicidade da vovó. E é muito importante ter aproximação, não guerras surdas por entre as trocas de fraldas.

Ficar amigas e parceiras, incluindo todos da terceira geração, de modo a fazer as crianças crescerem em ambiente de harmonia, fará com que tenham mais segurança e aprendam as vantagens de viver em paz.

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E mais…

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Fabio Ancona Lopez é médico com experiência de mais de 50 anos de exercício da Pediatria e especialização em Nutrologia; é professor titular aposentado da Disciplina de Nutrologia do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo; é autor do livro “Avós e Netos – uma forma especial de amar – manual de convivência” (Editora Manole, 2011), além de ser também um avô muito experiente; escreve todo mês na “Palavra de especialista” do portal avǒsidade

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