Dr. Fabio Ancona: crianças, avós e pets. Pode?

Pode
Aqueles que convivem com um animal de estimação em casa, diz o autor, podem ter muitos benefícios para a saúde física e mental

Por Fabio Ancona Lopez

Palavra de especialista

► Frequentemente, jovens casais, enquanto esperam por uma melhor condição financeira ou profissional, optam por adiar por uns tempos a programação de filhos em sua vida. Pode ser…

Enquanto isso, preferem adotar algum animal doméstico que vai servir para que expressem sua afetividade. Um pet. Que passa muitas vezes a ser tratado “como filho”, com acesso ilimitado a todos os ambientes, inclusive à cama.

Quando vem o primeiro filho que, logicamente com todas as vantagens, vai “disputar” o espaço com o pet, surgem várias dúvidas relacionadas à saúde e higiene. Avós tremem de medo ao ver seu neto no chão, disputando o mesmo espaço do cachorrinho, recebendo lambidas mil e, horror, até tentando comer um pedaço de ração.

Precisamos saber agora que as ideias médicas com relação aos temas de higiene e saúde mudaram bastante. Doenças da vida moderna explodiram de 20 ou 30 anos para cá, quando houve um excesso de higienização do mundo, argumenta o Dr. Brett Finlay, microbiologista da Universidade de British Columbia, em Vancouver, Canadá.

Ele é autor do livro “Let Them Eat Dirt” (Deixe-os comer terra, em tradução livre). Descreve pesquisas recentes e outras ainda em andamento mostrando como os micróbios atuam no organismo humano e são capazes de contribuir para a saúde.

Exposição aos “micróbios bons” é fundamental durante a primeira infância, argumenta o pesquisador, acompanhado por praticamente toda a comunidade científica.

Hoje, sabemos que muitas doenças, especialmente as alergias, aparecem menos naqueles indivíduos que são mais precocemente expostos ao meio ambiente e às bactérias nele presentes.

Ao ar livre

Por isso, não abusem do álcool gel. Não tenham medo de deixá-los brincar em tanques de areia. Se puderem, tenham um cachorro ou gato. A melhor maneira de limpar uma chupeta que cai no chão é simplesmente passar uma água limpa. Água quente e sabão bastam para lavar mamadeiras.

Deixem as crianças se sujarem, ficarem ao ar livre. A lista acima está relacionada a um campo da ciência que é o estudo do chamado microbioma (os micróbios e seus genes que habitam o corpo humano).

Esses micróbios agora começam a ser mapeados e a ter suas funções conhecidas; vários deles regulam o sistema imunológico. A falta de certos micróbios já foi associada a males como asma, obesidade, autismo e diabetes.

Precisamos pensar no que é mais importante na promoção da saúde: mantermo-nos afastados dos micróbios ou ficar imunes a eles?

Precisamos saber, no entanto, a importância de ter uma posse responsável de um animal doméstico. Na medida em que ele é tratado “como filho” merece os mesmos cuidados do filho humano. Um vai ao pediatra regularmente e o outro deve ir regularmente ao veterinário. Vacinação, vermifugação, cuidados com a pele, exames periódicos são indispensáveis.

Para ter acesso aos habitantes da casa, é fundamental que o animal esteja com as vacinas e o vermífugo em dia: as vacinas devem ser reaplicadas anualmente e o vermífugo deve ser fornecido a cada quatro meses ou conforme orientação do veterinário responsável.

Cão ou gato pode

Aqueles que convivem com um animal de estimação em casa podem desfrutar de uma série de benefícios para a saúde física e mental.

Diversos estudos apontam vantagens como amenizar a solidão, reduzir o estresse, a ansiedade e a depressão, incentivar o exercício físico e a diversão, promover interação social, além de dar e receber amor incondicional e carinho.

Cuidar de um cão ou gato, por exemplo, ajuda as crianças a crescer mais seguras e ativas, e proporciona companheirismo valioso para adultos mais velhos.

A American Heart Association tem associado o convívio diário com animais de estimação com a redução no risco de doenças cardíacas e uma maior longevidade.

Recentemente, pesquisadores começaram a explorar cientificamente estes benefícios do vínculo entre homem e animal. Uma das razões para esses efeitos terapêuticos é que os cães e gatos satisfazem a necessidade humana básica do toque.

Acariciar, abraçar, ou tocar um animal de forma amorosa pode rapidamente acalmar-nos quando estamos estressados ou ansiosos.

Além disso, os cães podem ser um grande estímulo para o exercício saudável, em conjunto, entre avós e netos, o que pode aumentar substancialmente a qualidade de vida de ambos.

Estudos demonstraram que donos de pets têm menor propensão à depressão, tem melhores índices de pressão arterial, tem níveis mais altos dos hormônios que geram satisfação, como serotonina e dopamina, e vão 30% menos vezes a médicos.

Vamos colocar vovô e vovó no tapete junto com o neto e seu cachorrinho?

E mais…

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Fabio Ancona Lopez é médico com experiência de mais de 50 anos de exercício da Pediatria e especialização em Nutrologia; é professor titular aposentado da Disciplina de Nutrologia do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo; é autor do livro “Avós e Netos – uma forma especial de amar – manual de convivência” (Editora Manole, 2011), além de ser também um avô muito experiente; escreve todo mês na “palavra de especialista” do portal avǒsidade

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