Dra. Elizabeth Monteiro: cheia de “nove horas”

Parece que as jovens mamães de hoje em dia nem se dão conta dos absurdos que cometem, diz a psicóloga, que ensina como conviver com isso

Por Elizabeth Monteiro

● Palavra de especialista

► A minha filha (ou nora) precisa muito de ajuda, mas é cheia de “nove horas”…

Parece que as jovens mamães de hoje em dia têm uma necessidade tão grande de autoafirmação, ou de competir com as outras mulheres, que nem se dão conta dos absurdos que cometem.

Dia desses, dei uma entrevista para um blog materno e uma das perguntas foi: O que fazer para a minha mãe não dar tantos palpites na minha vida?

Tá certo! Gente palpiteira demais chega a “encher os picuá”, mas também vejamos o outro lado: Tem gente que acha que tudo o que a mãe ou a sogra fala é palpite!

Peraí, agora eu vou defender a nossa classe.

Nasce a criança, o nosso neto. O bebê mais lindo do mundo. A gente morre de vontade de ajudar… É claro! Afinal, a gente também ama essa criança, estamos revivendo a nossa maternidade (com mais doçura e maturidade), queremos ser úteis e importantes para a família.

Nem sempre estamos querendo competir com a mãe dos nossos netos. Eu, pelo menos, não quero competir.

É que dá uma vontade tão grande de contar das nossas vivências, dos nossos conflitos, alegrias e conquistas que acabamos por parecer que queremos dar “aulas”.

Também carregamos o estigma da sogra má e da mãe possessiva. Elas existem! Juro que elas existem… Assim como existem as filhas e as noras cheias de “não me toques”.

Conselho: seja elegante

Quer saber como lidar com isso?

Faça-se de difícil. As pessoas só dão valor ao que é caro, raro e bonito.

Nada de ser uma mulher maltratada e uma velha senhora. Cuide-se bem. Vista-se bem.

Conselhos? Eles podem valer ouro, se você abrir a sua boca somente quando for requisitada.

Não se mostre a dona da verdade. Diga o que você sabe, mas diga também que as coisas mudaram… E muito!

As suas visitas devem ser curtas. Mostre que você é uma pessoa muito ocupada (e vá jogar Tranca com as suas amigas).

Finja que não notou o nariz torto da mãe do seu neto. Quando isso acontecer, diga que vai ao banheiro e saia de mansinho. Saia quando perceber que está sendo mal compreendida e maltratada. Não compre brigas. Seja elegante.

Ignore a louça que está sobre a pia, a roupa amontoada para passar, a comida queimando e a criança molhada.

Pergunte se “a pessoa” quer ajuda e que tipo de ajuda ela precisa. Se for o caso, dê um dinheirinho para ela contratar alguém que possa ajudá-la.

Se a mãe dos seus netos for uma pessoa complicada, nada do que você fizer será bem vindo. Pare de querer agradar a todos e ser reconhecida pelos seus atos.

Nós, mães e sogras, devemos manter aquela distância saudável para que o outro possa fazer, crescer e evoluir com os seus erros.

Grama cor de rosa

É muito difícil conviver com pessoas perfeccionistas, possessivas e mal educadas. Infelizmente, o mundo está cheio delas. Você precisa ser valorizada.

Não se abaixe demais, mas também não empine muito esse seu narizinho metido e orgulhoso. Trate a todos com respeito, elogios e compreensão.

Eu odeio brigar com as pessoas. E por mais que eu saiba das coisas, até mesmo porque estudei muito, eu não compro briga com ninguém.

Se alguém vier discutir comigo e quiser me provar que a cor da grama é rosa em vez de verde, sabe o que eu faço? Digo: É verdade! A grama é rosa! E não é que eu nunca tinha reparado nisso! Você tem toda a razão… Aprendi mais uma…

Um sorriso largo e sincero.

Cheia cheia cheia

E mais…

Leia mais artigos da Dra. Elizabeth Monteiro no portal avŏsidade:

Dra. Elizabeth Monteiro: Que poder é esse?

Dra. Elizabeth Monteiro: ‘The Ultimate Fighter’

Dra. Elizabeth Monteiro: É preciso quebrar a corrente de conflitos familiares

Quando a mãe vira avó (gravidez tardia)

Dra. Elizabeth Monteiro: Natal une ou divide as famílias?

 

Elizabeth Monteiro é psicóloga e psicopedagoga, especialista em relacionamento entre filhos, pais e avós, autora dos livros “Criando Filhos em Tempos Difíceis”, “A Culpa É da Mãe”, “Cadê… o Pai Dessa Criança?” e “Avós e Sogras – Dilemas e Delícias da Família Moderna”; tem quatro filhos e seis netos, e escreve todo mês no portal avǒsidade

Posts relacionados

*

Topo