Dra. Elizabeth Monteiro: “Viver é coisa rara”

Férias
A autora tem longa experiência com crianças, pais e avós que atende em seu consultório, e experiência própria com seus 4 filhos e 6 netos

Por Elizabeth Monteiro

● Palavra de especialista

“Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”
(Oscar Wilde)

► Chega um momento da vida em que entramos na famosa terceira idade. Você já pensou quais são os seus projetos de vida? Como deseja estar daqui a cinco, dez, vinte anos ou mais? Em geral não nos fazemos essas e outras questões.

Tenho deparado com inúmeras pessoas tristes, não realizadas, infelizes. Pessoas que se colocam em um beco sem saída, que se conformam em levar uma existência sem graça num mundo falso e pequeno. Pergunto-me algumas vezes se elas estão de fato vivas.

Viver é muito mais do que estar vivo e ter uma família, um emprego, uma rotina. Viver é um processo constante de vir a ser, uma invenção a cada dia. Um eterno se reinventar. Viver é um ato de ambição e coragem. É ter o direito de sair da plateia e virar protagonista desse espetáculo que é a vida, com seus amores, cores e dores.

Viver é colocar um pouco de expectativa em seus pensamentos e ações, dar corpo às suas ideias, transformar fantasias em realidade. Buscar o que lhe falta sem esperar que lhe caia nas mãos.

Viver implica correr riscos e encarar as mudanças sem esperar que o outro mude. É enfrentar os medos, conhecer a sombra, saber cair e levantar-se. Assumir a responsabilidade sobre seus atos, escutar atentamente o que suas emoções querem lhe dizer antes de racionalizá-las. Quem se acomoda diante das dificuldades ou foge dos seus medos não sabe o que é viver.

É comum as pessoas, principalmente os jovens, buscarem o sentido da vida. Para mim, é vive-la, pois só depois disso você terá a resposta.

Digo que eu tenho várias idades, pois elas dependem das pessoas com as quais estou – e trato cada uma de forma diferente. Assim, respeito os meus filhos e noras como eles são, e cada neto é tratado de forma diferente.

Quando você olha para o mundo e percebe que tudo e todos estão errados e quer impor a sua maneira de agir e pensar, é hora de parar para avaliar se você não está andando na contramão do fluxo vital.

 

Elizabeth Monteiro é psicóloga e psicopedagoga, especialista em relacionamento entre filhos, pais e avós, autora dos livros “Criando Filhos em Tempos Difíceis”, “A Culpa É da Mãe”, “Cadê… o Pai Dessa Criança?” e “Avós e Sogras – Dilemas e Delícias da Família Moderna”, e tem quatro filhos e seis netos – e escreve todo mês no portal “avǒsidade”

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