Como construir espaços seguros para a terceira idade

Espaços
A arquiteta Carmem Avila recomenda evitar desníveis e tapetes, e muita atenção com iluminação, portas, banheiros e quartos adaptados

Por Carmem Avila

Palavra de especialista: funcionalidade é sinônimo de personalidade

Quando falamos de espaços para a terceira idade, a palavra de ordem é autonomia. Afinal, mesmo quedas simples podem resultar em traumas capazes de impossibilitar a mobilidade ou abalar a autoconfiança de quem vive na residência. Por isso, modificações simples são eficazes para prevenir quedas, facilitar a visão e proporcionar conforto ao morador. Assim sendo, no meu trabalho, sempre pontuo as seguintes questões:

Iluminação espaços

A casa deve estar banhada de luz. Problemas de visão na penumbra e dificuldade para identificar cores e contrastes são, portanto, bastante comuns nesta fase da vida. Sendo assim, as aberturas como janelas e portas devem ser grandiosas, para oferecer o máximo de luz natural. Para complementar, opte por uma pintura branca ou em tons claros nas paredes.

Na iluminação noturna, a orientação é optar por um projeto eficiente, incluindo pontos de luz nos corredores e locais de circulação. Pensando no bem-estar e na praticidade do idoso que pode levantar durante a noite para tomar uma água, sensores de movimento são perfeitos para que a luz seja acionada prontamente.

Ainda nesse quesito, é possível buscar composições que ressaltem os contrastes para colaborar com a visão do idoso. Em um ambiente muito claro, por exemplo, considere incluir cadeiras em tons escuros ou coloridos, para facilitar a visibilidade dos objetos. Além de auxiliar o morador, a escolha ainda traz uma composição mais alegre e viva para os espaços.

Desníveis e tapetes

Mesmo em pequenas escalas, desníveis devem ser eliminados ou substituídos, sempre que possível, por rampas de apoio. As escadas precisam ser executadas em piso antiderrapante e sempre acompanhadas por um corrimão firme instalado à altura de 90 cm.

O ideal é que as portas disponham de largura suficiente para uma passagem do idoso com auxílio de andador, por exemplo. A recomendação é considerar um espaço de 90 cm e, caso não seja possível, nunca considere um vão inferior a 80 cm.  Evite tapetes, pisos com muitas texturas ou desenhos que atrapalhem a visão de vasos, prateleiras e outros elementos decorativos que possam provocar quedas ou acidentes.

Adaptações nos banheiros

Os banheiros devem ser cuidadosamente adaptados e, dependendo do caso, completamente reformados.  Os pisos devem ser antiderrapantes – de forma geral, todos os fabricantes de porcelanato e cerâmica apresentam diversas opções. Se for usar tapete, dê preferência para as versões de borracha e colados ao piso por meio de fitas ou ventosas. A área de banho deve ser provida de barras de apoio e cadeiras articuladas instaladas diretamente na parede. É fundamental considerar a colocação de barras de apoio nas áreas do gabinete/cuba, bidê e bacia sanitária – que deve ser um modelo mais alto que o padrão.

Cuidados no quarto

No quarto, a instalação de interruptores ao lado da cama pode ajudar muito. O modelo ideal de cama deve apresentar uma altura maior, de modo a exigir menos esforço ao levantar.  No layout do ambiente, o criado-mudo deve ficar 10 cm mais alto que a cama e, de preferência, fixo, para que eventualmente possa servir de apoio. Vale ressaltar a preferência por objetos pesados e com cantos arredondados. Se o espaço comportar, uma cadeira com braços é perfeita para o momento de calçar meias e sapatos.

Por fim, é valioso destacar que a funcionalidade também é sinônimo de personalidade. Como arquiteta, sempre converso com o morador para entender seus gostos e até onde posso mudar. Afinal, é preciso que, mesmo com as adaptações, a pessoa goste de viver no espaço. Planejar a residência e garantir a autonomia permite que sua rotina seja a mais estável possível.

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Carmem Avila é arquiteta, formada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP; trabalhou durante alguns anos como colaboradora em diversos escritórios até iniciar uma carreira própria em 2004; entre 2009 e 2013, lecionou Design de Interiores na Escola Panamericana de Arte de São Paulo; em 2013, foi uma das finalistas no concurso Idea Brasil na categoria Living Rooms and Bedrooms com o Projeto do Cabideiro Ondas

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