Gerações

Momento semanal do “suco com o vovô”

São 9 netos, 6 meninas e 3 meninos, pelos quais o autor confessa que se derrete, desincorpora o empreendedor e se transforma em vovô

► Dizem que netos são filhos com açúcar. Caso seja verdade devo começar a me preocupar com o aumento da taxa de glicose. Netos são demais e jamais me cansarei de estar com eles, participar das suas vidas (sem interferir, claro) e lhes declarar permanentemente o meu amor.

Sinceramente, não consigo dar uma explicação que seja sequer aproximada do sentimento inigualável que me inspiram. É muito diferente. Incomparável. Lindo. Muito mais do que sentir um sabor doce na boca. É plena realização, alegria e felicidade.

São nove, os netos. Seis meninas e três meninos pelos quais me derreto, desincorporo o empreendedor e me transformo em vovô. Mas até chegar a esse ponto de me derreter pelos netos foi uma trajetória totalmente dedicada ao trabalho.

Fundei uma organização da qual muito me orgulho, pelo bem que ela faz ao Brasil através do trabalho ético, sério e compromissado com todos os envolvidos. Descobri nessa trajetória de empreendedor a imensa responsabilidade de decidir. Minhas ações ou atitudes poderiam influenciar, promover ou prejudicar pessoas.

Perdi noites de sono angustiado com o tamanho dessa carga imaginando, a cada decisão, o quanto isso impactaria na minha equipe de colaboradores, nos fornecedores e clientes. O medo de errar era sempre uma preocupação e ficava receoso pelas consequências.

Com tamanho senso de responsabilidade, conduzi a empresa, graças a Deus, por caminhos que só o Brasil e suas peculiaridades conhecem e hoje o sucesso de nossa história é uma verdade e uma conquista.

A vida seguiu, a nossa trajetória como empreendedor já tem 62 anos e sempre me senti muito responsável, sentimento que atribuo às peculiaridades que cercaram o início da vida empresarial, quando convenci meus pais a saírem da zona rural para abrir um armazém na cidade de Uberlândia.

Minha responsabilidade e exigência comigo mesmo era exacerbada. Eu me cobrava muito porque tinha que dar certo. Afinal, meus pais arriscaram tudo. Daí minha autocobrança.

Filhos criados, empresa em franco desenvolvimento e, nesse meio tempo,… avô. Confesso, perdi a noção dos conceitos e de tudo que até então fizera da minha existência e trajetória empresarial o mote para a vida e a felicidade. Avô!

Fiquei assustado e meu senso de responsabilidade subiu de forma estratosférica, porque a partir dali era para eles, os netos, que eu deveria construir coisas. E com certeza eles seriam influenciados pelas minhas decisões, atitudes, e, ou, possíveis erros.

Mesmo sabendo da boa formação que os filhos sempre deram a meus netos continuei a busca incessante de tomar atitudes ainda mais assertivas e a tentar ser para eles um espelho em que pudessem se mirar.

Autorizado por meus filhos criei um momento semanal que chamamos de “suco com o vovô”. Era um bate-papo com os netos na minha casa onde contava histórias da minha trajetória e da empresa, respondia à curiosidade deles, escutava muito suas opiniões e debatíamos sobre assuntos que iam de drogas a crenças religiosas, política e futuro, vida e morte. Uma riqueza. Como aprendi.

Fizemos isso durante cinco anos, com algumas interrupções, claro, mas de forma extremamente produtiva. O tempo, o crescimento natural deles e as responsabilidades que cada um assumiu (estudos, faculdades, residência em outras cidades) colocaram fim naqueles momentos ricos que ficaram marcados como uma fase importante nas nossas vidas. Tão ricos momentos que forneceram material para um livro.

Hoje vibro e me emociono a cada conquista deles. E tenho certeza de que juntos fortalecemos a prática dos valores que recebi de meus pais. Esses valores nortearam a nossa vida, foram repassados aos filhos e netos e incorporados à cultura da empresa. Estou seguro e confiante quanto ao futuro dos meus netos. Todos aprenderam a se inspirar em bons exemplos e são comprometidos com o sentido do bem e da virtude.

Procuro ser exemplo, porque como disse sabiamente a Viviane Senna, “as palavras inspiram, mas os exemplos arrastam”, e isso é muito forte. Depois que nasceram os netos a busca incessante de ser um exemplo foi a minha maneira de dizer a eles o quanto me preocupo com o caminho que cada um escolhe para sua vida.

Quero também que fique claro que as atitudes que tomei em relação a eles só tiveram objetivos nobres, destinadas a ajudá-los a seguir em frente no seu voo solo.

Sou um avô igual a qualquer outro, e minha relação com meus netos não tem nada de diferente: pego no colo (pegava antes de eles cresceram); muitas vezes dormiram no meu colo. É maravilhoso. Eu pensava: até quando vou pegar esses marmanjos no colo? Mas para mim, simbolicamente, os pego no colo todos os dias.

Toda vez que um neto tem alguma promoção, uma vitória ou uma conquista nos estudos, fico vibrando. Descobri que a alegria que contagia o avô é uma coisa inexplicável. Só quem já sentiu sabe o quanto a gente ama esses netos.

No processo natural da vida eles vieram dar volume e sentido aos nossos sentimentos, testar a capacidade de amar – que a gente descobre ser infinita – e, de certa forma, nos substituir.

Que Deus oriente os passos de cada um deles. Que sigam fortalecidos e enriquecidos pelo amor que lhes dedicamos, e que terão a responsabilidade de transmitir para os seus. E que sejam felizes, muito felizes. Da mesma forma que eu consigo ser com eles.

 

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2 Comentários

  1. Parabéns Sr. Alair, como sempre colocando o coração no que fala e faz. Eu também tenho o privilégio de já ter 02 netos e há mais um que deverá nascer em 02 semanas. De fato, netos são filhos com açúcar… (aprendi mais uma!).
    Este seu depoimento nos enche de satisfação, pois é o testemunho de como ser empreendedor, mas sem deixar de ser pai, esposo e avô. Parabéns mais uma vez, e seja muito feliz. Grato por tudo que o Sr. fez por todos nós.
    Com abraços fraternais, Luiz Arantes

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