Mundo novo, receita antiga

Vovó Nair (com Nicole, Gabriel e Olivia), faz uma reflexão sobre o mundo que os netos, tão tecnológicos, encontrarão quando forem adultos

Por Nair Keiko Suzuki

► Gabriel, meu neto mais novo, ainda não tem um ano. Fará seu primeiro aniversário em 30 de outubro. Mas seus olhinhos grandes e pretos como jabuticabas já procuram ansiosos o celular ou o iPad porque ele sabe que lá tem desenho animado e música que lhe agradam. E fica quietinho acompanhando.

Olivia, minha primeira neta, do alto dos seus 4 anos e 10 meses, ensina a acessar na internet seus vídeos favoritos. Com eles, aprende muito, principalmente a cantar e a dançar. E Nicole, irmãzinha da Olivia de 2 anos incompletos, disputa o iPad com todos da família. E leva a melhor porque é pequenina e ninguém tem coragem de tomar-lhe o brinquedo eletrônico, que exibe programas como a Galinha Pintadinha, a Peppa Pig, Patati e Patatá.

Alguém já disse que os bebês dessa geração já nascem com chips. Acredito. Por conta da rapidez com que evolui a tecnologia e deixa plugado o planeta, vivemos uma verdadeira revolução dos costumes. E é inevitável o reflexo nas relações sociais, política e econômica.

Meus netos, como quase todos, já nasceram familiarizados com o uso do celular, de múltiplo uso, com os notebooks, e o computador que tem em todas as casas que frequentam . Sabem que devem sorrir para o celular que tira sua foto, exibida depois com orgulho, por quem faz e recebe, para a família e amigos. Pelo computador e notebooks, eles falam com os avós e com quem quiser pelo Skype, superando distâncias e matando saudades.

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O caçula Gabriel

As crianças só não gostam quando a atenção que deveria ser dada a elas é desviada para a leitura e escrita de mensagens trocadas em redes sociais.

O avanço tecnológico, que torna acessível o vasto mundo da informação, está afetando o mercado de trabalho de muitos vovôs e vovós. A minha profissão, de jornalista, por exemplo, está deixando de ser atraente e passou a ser uma opção restrita. Jornais e revistas impressas no mundo todo estão encolhendo ou sendo extintos, dando lugar a edições eletrônicas.

A informação online, com notícias sendo divulgadas no ato e disseminadas rapidamente pela mídia eletrônica e pelas redes sociais, está acabando com as grandes redações. Remunerar repórteres, redatores, editores, fotógrafos, pessoal administrativo e pagar caro pelo papel de imprensa não estão compensando. As notícias lidas no dia seguinte, no papel, estão velhas, ultrapassadas. Por isso, desabaram o número de assinaturas e a vendagem em banca. Os anúncios também sumiram. As empresas jornalísticas estão em crise.

Essa é a situação vivida pelos atuais jornalistas. Outras profissões também enfrentam mudanças profundas. Que mundo enfrentarão os nossos netos? Qual será o cenário quando terminarem o colegial, quando tiverem de escolher uma universidade? Não arrisco a dar um palpite porque com o aprimoramento tecnológico as mudanças são imprevisíveis.

O que não muda, no entanto, são os valores. Cabe a nós, na avosidade, incutir nos netos a importância de sonhar alto, sim, mas fazer conquistas e viver com dignidade, bom caráter e honestidade. Ensinar a eles que não devem dar tanto valor às coisas materiais, ser gentil com as pessoas, ajudar quem necessita do seu apoio e, sobretudo, conviver e muito com a família. É a velha e boa receita para ser feliz.

 

Nair Keiko Suzuki é jornalista, avó de Olivia, Nicole e Gabriel

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