Comportamento

Dra. Elizabeth Monteiro: Natal une ou divide as famílias?

A autora tem longa experiência com relações familiares em casos que atende no consultório e pela convivência com seus 4 filhos e 6 netos

● Palavra de especialista

► Muitas vezes escrevo de forma agressiva e contundente (conforme os comentários de quem me lê e me escreve). E outras, de maneira meditativa, carinhosa e terna. O que me leva a isso é o assunto. Quando falo de pessoas grosseiras, egoístas, ignorantes e intempestivas, chego a ser grossa. Natal

Quando falo de pessoas boas e gentis, torno-me generosa, amável e complacente. Há quem diga que uso muitos “clichês”. Verdade. Uso e abuso dos clichês. Escrevo para pessoas leigas. Escrevo para ser entendida e ficar próxima do meu leitor. Não escrevo para acadêmicos e pessoas ecléticas.

Quando a carapuça serve! Nossa!… Aí chego a ser excomungada. Afinal, de que me serve escrever se não for para incomodar, desacomodar ou causar questionamentos, né não? Digo isso porque vou tocar num tema bastante polêmico: Natal.

Mas Natal não é tempo de paz, amor, fraternidade? Deveria ser. Porém, em algumas famílias, é o “ó do borogodó…”

Sabe aquela coisa de quem vai aonde? Aquela coisa de onde será o Natal? Com quem você irá passar o Natal? Pois é… é disso que falo.

Diálogo

Aí, o filho vira-se para a mãe dele (a avó do seu filho) e lhe diz:

       – Mãe, iremos passar o Natal na casa da dona Francisca (a sogra dele).

Como? Vocês já passaram o ano passado com ela! Pensei que vocês viessem para cá, meu filho – responde a mãe.

Não dá, mãe! A Clara (mulher dele) não quer passar o Natal longe dos pais dela e eu não quero confusão.

Mas, meu filho, vocês moram na mesma cidade. Ela vê os pais dela sempre. Não é justo que eu passe o Natal sem vocês.

Mãe, você sabe como a Clara é ligada nos pais dela, na irmã e nos sobrinhos. Eu não quero brigar com ninguém. E se ela for pra sua casa, vai ficar de cara amarrada, igual o ano retrasado, que foi uma m _ r _ a!

Meu filho, você também tem irmãos e sobrinhos. A sua mulher é muito egoísta! E você… Um frouxo. Esquece que tem pais. Você vai chorar lágrimas de sangue quando a gente morrer. Onde já se viu, gostar mais da mulher do que da mãe?

A sequência dessa conversa não interessa. Fato é que, em muitas famílias, Natal é quebra-pau. Eu chego a nem acreditar quando vejo o casal se separar no Natal, para que cada um passe com os seus pais. Isso se chama I M A T U R I D A D E.

O ideal seria que:

  • As famílias se juntassem.
  • Os Natais fossem revezados.

Ou que:

  • As pessoas fossem mais inteligentes e generosas, diante de um impasse.

Solução Natal

Hoje em dia, com os meus filhos, já anuncio: “Não faço questão que passem nenhuma data comigo se isso for causar desconforto a alguém. Marcamos um pré-Natal e vocês ficam livres para viajar ou passar com quem desejarem”.

Prefiro assim a vê-los divididos, correndo pelas estradas, cumprindo horários e obrigações, brigados ou se sentindo culpados.

Eu já vivi a minha vida, já criei os meus filhos, fiz as minhas escolhas. Agora é a vez deles. Cada um com os seus problemas, desde que “EU” não seja o problema. Quero ser “SOLUÇÃO”, quando se trata de família. “FELIZ NATAL”, gente querida.

 ▼ 

E mais…

Veja também no portal avosidade outros artigos da Dra. Elizabeth Monteiro:

https://avosidade.com.br/dra-elizabeth-monteiro-como-passar-sem-brigas-as-festas-de-final-de-ano/

https://avosidade.com.br/dra-elizabeth-monteiro-ai-chegam-as-ferias/

https://avosidade.com.br/dra-elizabeth-monteiro-casos-de-cunhada-na-familia/

https://avosidade.com.br/dra-elizabeth-monteiro-the-ultimate-fighter/

https://avosidade.com.br/dra-elizabeth-monteiro-que-poder-e-esse/

https://avosidade.com.br/dra-elizabeth-monteiro-o-rompimento-de-vinculos-familiares/

https://avosidade.com.br/e-preciso-quebrar-a-corrente-de-conflitos-familiares/

 

 

Acompanhe o portal avosidade também no Facebook!

 

Acompanhe o portal avosidade também no Facebook, Instagram e podcast+!

Dra. Elizabeth Monteiro

Psicóloga e psicopedagoga, especialista em relacionamento entre filhos, pais e avós, autora dos livros “Criando Filhos em Tempos Difíceis”, “A Culpa É da Mãe”, “Cadê… o Pai Dessa Criança?” e “Avós e Sogras – Dilemas e Delícias da Família Moderna”; tem quatro filhos e seis netos, e escreve com frequência no portal avosidade

26 Comentários

  1. Ótimo texto. Sou “sogra novata”. O 1o. ano de casado do meu filho, iam cada um com sua mãe, comecei cedo para fazer feijoada (dias das Mães), aí ele me avisou que não viria, Fiquei muito chateada! Agora faço assim: também comemoro antes e fico livre! Aos domingos, acho até bom quando não vêm, descanso, passeio! Em tempo: adorei o seu texto da sogra! Sou avó tb! Adoro ficar com a netinha! Logo vem outro! Tenho dois filhos, um é solteiro, mora em outra cidade. No dia das Mães ele falou que não viria! Eu falei: días das Mães é todos os dias, a próxima semana que vier nos comemoramos! Temos que resolver e deixarmos eles livres! Haha! Vou ser sempre sogra!!!

  2. Dra. Elizabeth, amei o texto… pois vejo muitas complicações em família a respeito desse assunto ou de outro. Mas eu sou bem liberal. Não comemoro, vou aonde tem alguma coisa e receber o meu presente. Sempre dei muita liberdade a meus filhos, até mesmo na religião… porque a vida passa rápido e temos de viver da melhor forma. Sou uma pessoa bem resolvida. Ensinei o que pra mim era certo e sempre dei exemplo, porque é muito bom ter paz e tranquilidade. Deus a abençoe, está certa, a verdade tem que ser verdadeira. Obrigada… amei o texto. Gosto de aprender mais…

  3. Excelente texto. Você escreve para mim. Tenho muita dificuldade quando o assunto é NORA. Tenho muito o que aprender… Espero melhorar antes de PERDER minha família para o lado de LÁ. Muito obrigada!!!

    1. Lair, meu filho casou-se este ano. Meu marido é muito ciumento com os filhos e vivia implicando a com moça, que é uma graça. Um dia, ele estava mais atacado que de costume, me bateu uma tristeza tão profunda e chorei amargamente que nem conseguia falar com ele. Pensei em minha filha (tenho uma de 21 anos), se alguém lhe tratasse ou pensasse sobre ela daquela forma? Depois, pensei em minha nora, eram injustas todas as acusações. A moça é boa e ama o meu filho, cuida bem dele, ajuda ele a ser feliz e vai ser mãe dos meus netos. Quando consegui falar isso para o meu marido, quem chorou foi ele e a mudança em relação à nora foi radical. Pense um pouquinho… A gente nunca perde, a gente sempre agrega. Os pais da minha nora passam os natais conosco desde a época do namoro, almoçam com a gente, marcamos café da tarde para um bate papo. Tudo bem, sou eu quem me antecipo e faço, mas eu faço e eles gostam. Pelo seu filho e pelo sua nora, algumas atitudes valem a pena. O meu diz assim: “a Bruna parece mais sua filha que eu!” e a nora me abraça e me enche de beijinhos!!! Força na peruca… Feliz Natal!!!

  4. Amei o que vc escreveu! Acho que devemos respeitar a vontade de cada um. Tá feliz, isso é o importante. Parabéns! Feliz Natal! 2016 com mta saúde e alegrias!

  5. Exatamente assim o exercício pra viver esta data tão significativa pra mim…
    Sofri este bulling qdo me casei e sempre tive esta ideia de pré Natal como solução para este impasse.
    Sempre passei pra meus filhos que o mais importante é a reunião e que Natal acontece todos os dias, e assim ficou muito mais ameno, suave e amoroso…

  6. Muito acertada sua ideia. Já não acho mais graça nessas datas, pois muitas vezes temos que passar com pessoas que não nos agradam, aturando papos que já conhecemos de cor e salteado, falando de problemas ou de coisas passadas. Tenho dois filhos, ambos moram comigo, sendo que um já é casado. Minha nora passa a véspera de Natal com os pais e meu filho fica comigo por vontade própria, pois, se ele quisesse fazer diferente, tudo bem, já tenho ele todos os dias mesmo.

  7. Gostei muito. Sempre fiz questão de todos juntos no Natal, até que percebi que meu filhos ficavam numa correria, um pouco num lugar, outro noutro, doidos q acabasse a ceia para sair. Aí decidi que não faria mais nada. Todos duvidaram e no ano seguinte não coloquei sequer uma bola de Natal. Percebi que foi o mais acertado que eu fiz.

  8. Sou casada há trinta anos e acredita que com minha sogra o drama ainda é esse? Meu filho casou-se esse ano e, discretamente, num café, liberei-os desse desconforto… Mas, eles foram taxativos, vêm todos para a minha casa, inclusive a sogra e sogro dele!!!!

  9. Não acho imaturidade o casal se separar no natal e cada um passar com seus pais. Meu marido não abre mão de passar natal com a mãe. Às vezes passo com eles e às vezes não, sem problema algum.

  10. Acho que eles escolhem o boca livre melhor, kkkkkk, mas acho que deveria passar dia 24 com um e 25 almoçar com outro, seja como for, não esquecer o significado de reunião familiar, a PAZ sempre.

  11. Sinceramente, esse texto me descreveu como mãe em datas comemorativas. Penso desse jeitim. E tem tbm a data de meu aniversário, sempre falo: não me visite só pq é meu Niver, neste já espero vcs. Por favor me surpreendam!!! Venham qquer dia desses… pra eu sentir que vcs lembraram de mim, não dá importância da data. Amei o texto.

  12. Lindo Texto. Nós sempre passamos o Natal com minha família e o Ano Novo com a família do marido… Os anos passaram… Não temos mais nossos pais e agora temos nossos filhos, nora e genros, e netos. Então, agora passamos o Natal com nossos filhos e netos e nora e genros, e no Ano Novo os familiares do marido costumam ainda se reunir para não perder a tradição. Nossos filhos, genros, nora e netos passarão em um sítio a virada de ano e eu e meu esposo sem problema algum passaremos com seus familiares para manter a tradição… Simples assim.

  13. Sempre fiz como vc sugere, na época em que fui casada. Havia jantar de pré natal, e tb a ceia e o almoço para que todos viessem quando pudessem.

  14. A carapuça serviu tanto que não gostei do texto. Essa solução não soluciona nada! A questão continua acontecendo. Cada um quer passar com sua família, melhor vai ser quando eu fizer na minha casa, daí podem vir os dois lados.

  15. Assim como eu…..
    More longe.
    Quem quiser que venha…. eu não vou a lugar nenhum.
    Muita conversa pra pouco Assunto.
    Quem veio ficou junto, quem não veio não ficou, e eu só recebo quem quiser vir.
    Pior coisa do mundo é ficar perto, te deixam dependentes deles e sem autonomia.

  16. Amei seu texto. Coerente. Lógico. Amoroso. Pra quem tem presença de espírito. Obrigada. Encontrei o post perfeito para enviar para minha mãe, que está me enchendo o saco (que não tenho rsrsrs) por causa do Natal.

  17. Cheguei até seu texto na esperança de uma solução.
    Eu não faço questão de se “juntar” em datas, nunca fui chegada a isso.
    Me incomoda.
    Gosto de ir à hora que der e que venham quando puderem.
    O que torna tudo mais difícil é se prender a datas.
    Dia de reunir a família é qualquer dia.
    Ter os filhos por perto é qualqier dia.
    Não se prendam a datas.
    Façam sempre que possível uma ceia de Natal em qualquer data do calendário.
    Dia 25 pode ser 10 de janeiro, 30 de julho etc.
    Quando se ama ou é amado data específica nada quer dizer.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.