Dra. Ana: população idosa e o isolamento

População
A autora é geriatra e faz um importante alerta sobre a saúde mental na população idosa na pandemia e possíveis quadros depressivos

Por Ana Catarina Quadrante

 Palavra de especialista: atenção redobrada com a saúde mental

A comunidade médica acompanha de perto os impactos que essa pandemia histórica terá na saúde mental das pessoas. Em maior ou menor grau, eles certamente virão – se já não vieram. Quando falamos da população idosa, a situação é ainda mais sensível.

Não conseguimos mensurar as consequências que o isolamento social terá na vida de cada um. Sabemos, entretanto, que ele é importante para preservar a saúde física de todos, e desse grupo de risco especialmente.

Seguimos, então, buscando encontrar o equilíbrio entre o que chamam de ‘novo normal’ e o cuidado com o distanciamento, extremamente necessário.

Ir à padaria todo o dia pela manhã, caminhar pelo bairro, ir aos parques, sair para visitar familiares e amigos ou ficar na calçada de casa conversando com os vizinhos.

Essas eram ações simples do cotidiano de muitos idosos antes da pandemia. Devia fazer parte da rotina dedicar um tempo para se movimentar fora de casa.

É saudável e recomendado. Então, de repente, essas atividades precisaram ser suspensas. E isso que nós, médicos, lutamos para evoluir em socialização e estimulação, corre o risco de regredir.

Caso a caso, as comunidades têm lidado com situações como aumento de depressão, ansiedade, medo e até quadros de fobia. Esse é um relato frequente dos profissionais nos hospitais e em seus consultórios.

Os idosos estão com medo. Todos. Aqueles que estão em casa sozinhos, os que moram com seus familiares, aqueles em residenciais e mesmo aqueles que têm uma vida mais ativa. Esse é um sentimento comum. E é absolutamente compreensível.

Depressão na pandemia população

De acordo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de pessoas com depressão já tinha aumentado muito na última década. Atualmente, 330 milhões de pessoas, cerca de 5% da população mundial, têm a doença.

Estima-se que o número de brasileiros que convive diariamente com a depressão é de 12 milhões.

A ansiedade está ainda mais presente entre a população no Brasil, cerca de 10% manifesta sintomas como insônia, angústia, fobias, pânico, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno de ansiedade generalizada (TAG), entre outros.

Infelizmente, os quadros tendem a apresentar alguma evolução no período e esses números devem aumentar. Alteração de apetite, dificuldade de dormir, evolução de quadros psicológicos, mudanças na capacidade física, falta de esperança, desmotivação e preocupação excessiva com a pandemia são alguns sintomas.

Ainda não sabemos quais serão as consequências a longo prazo, mas podemos encontrar maneiras e estimular essas pessoas que, apesar de encontrarem-se em um momento difícil e inédito, têm muito a realizar e a ensinar.

Podemos ajudá-los com resiliência, paciência, esperança e otimismo. Devemos fazer isso. É nosso papel na sociedade.

De acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2012 e 2018, a população brasileira com 65 anos de idade ou mais cresceu 26%. Na ocasião, o Brasil já tinha 207,8 milhões de pessoas.

Os dados mostram que 10% desse total são cidadãos com 65 anos ou mais. Com a tendência de crescimento, em breve esse indicador será ainda maior. E não podemos esquecer que no futuro seremos parte desse grupo.

Apesar do momento de distanciamento físico, existem maneiras de cuidarmos uns dos outros. É fundamental que os idosos sejam estimulados a se manterem ativos, mesmo dentro de casa e com a manutenção do distanciamento.

Manter-se ativo é fundamental população

Por isso, pensando em colaborar com o estímulo cognitivo, socialização e qualidade de vida, separei quatro sugestões de ações que podem ser praticadas diariamente:

 1) Buscar uma visão otimista e evitar informações negativas população

Em meio à situação sensível e a outras que certamente virão – porque os desafios fazem parte da vida e ajudam a sermos mais pacientes -, é sempre bom lembrar que o otimismo pode deixar a vida mais leve, alegre e colaborar com a esperança. Estimular a busca por informações positivas e momentos de relaxamento contribui com esse movimento.

2) Realizar atividade física população

Para que uma pessoa se mantenha saudável, o ideal é realizar cerca de uma hora por dia de exercícios físicos, pelo menos três vezes na semana. A prática traz benefícios para o corpo e mente, pois aumenta o fator neurotrófico, um mecanismo de proteção do cérebro.

É possível estimular os idosos com alguns pequenos exercícios em casa como: alongamentos; sentar e levantar da cadeira; apoio de frente para parede; caminhada dentro de casa, entre outros.

Costumo dizer que hoje em dia encontramos quase tudo na internet. Obviamente, é preciso estar atento às limitações físicas de cada um, mas movimentar o corpo é sempre positivo. Se tiver dúvidas sobre quais exercícios são mais adequados, o ideal é conversar com um profissional que o oriente às necessidades físicas do idoso.

3) Manter uma alimentação saudável população

Uma dieta equilibrada também é importante, pois o momento pode gerar ansiedade, estresse e até depressão. Algumas pessoas tendem a descontar na alimentação, aumentando a ingestão de comida ou apresentando mudanças de apetite, reduzindo as refeições.

O ideal é ficar em um local calmo para aproveitar o momento da alimentação e mastigar bem. A mastigação estimula a saciedade. Além disso, a ingestão de água durante o dia garante a hidratação necessária para o corpo.

Vale lembrar da importância de incluir no cardápio frutas, verduras, legumes, cereais e carnes magras. Evitar frituras, diminuir a ingestão de embutidos, bebidas alcoólicas e refrigerantes, bem como evitar a adição de muito sal. Consultar o nutricionista é fundamental para verificar as necessidades alimentares do idoso.

4) Falar com as pessoas que amam população

Mesmo com o distanciamento físico, para manter a qualidade de vida é importante encontrar meios de se conectar com as pessoas e socializar. É essencial lembrar que as relações humanas precisam ser valorizadas.

As pessoas podem aproveitar a tecnologia para conversar com seus familiares e amigos. As ligações e videochamadas podem diminuir a saudade e trazer mais ânimo.

Distanciamento e Socialização população

Essas são algumas recomendações, mas existem outras atividades que podem contribuir com a saúde e qualidade de vida como: terapia online, realizar trabalhos manuais e de jardinagem, leitura de livros, assistir filmes ou séries, cozinhar, entre outras.

As pessoas devem continuar a praticar o distanciamento físico, mas podem encontrar maneiras de amenizar a falta de socialização presencial. As relações humanas contribuem com o otimismo e reforço o quanto ele é fundamental para a manutenção da saúde mental e física.

Diariamente, tenho refletido que o importante é focar na esperança de dias melhores e eles virão.

Considerando os impactos que o momento atual terá na saúde física e emocional das pessoas, é fundamental que ações diárias sejam tomadas para que possamos buscar o bem-estar individual e coletivo.

Como sociedade precisamos sair dessa situação sensível com foco em aprender a enfrentar os outros desafios que virão de maneira mais resiliente. Mais do que isso, também precisamos nos lembrar que o cuidado com a saúde deve ser diário.

Muitas pessoas deixaram de cuidar do básico como alimentação adequada e exercícios físicos, outras deixaram de ir ao médico e realizar exames periódicos, por medo de sair de casa.

Temos que nos proteger, sim. Entretanto, deixar de cuidar do físico e emocional pode ter consequências imensuráveis.

Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois.

Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois.

Envelhecer (Arnaldo Antunes)

A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer. A barba vai descendo. E os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer. Os filhos vão crescendo. E o tempo vai dizendo que agora é pra valer. Os outros vão morrendo. E a gente aprendendo a esquecer. Não quero morrer, pois quero ver. Como será que deve ser envelhecer. Eu quero é viver pra ver qual é. E dizer venha pro que vai acontecer. Eu quero que o tapete voe. No meio da sala de estar. Eu quero que a panela de pressão pressione. E que a pia comece a pingar. Eu quero que a sirene soe. E me faça levantar do sofá. Eu quero pôr Rita Pavone. No meu celular. Eu quero estar no meio do ciclone. Pra poder aproveitar. E quando eu esquecer meu próprio nome. Que me chamem de velho gagá. Pois ser eternamente adolescente. Nada é mais…

Envelhecer (Arnaldo Antunes)

A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer. A barba vai descendo. E os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer. Os filhos vão crescendo. E o tempo vai dizendo que agora é pra valer. Os outros vão morrendo. E a gente aprendendo a esquecer. Não quero morrer, pois quero ver. Como será que deve ser envelhecer. Eu quero é viver pra ver qual é. E dizer venha pro que vai acontecer. Eu quero que o tapete voe. No meio da sala de estar. Eu quero que a panela de pressão pressione. E que a pia comece a pingar. Eu quero que a sirene soe. E me faça levantar do sofá. Eu quero pôr Rita Pavone.  No meu celular.Eu quero estar no meio do ciclone. Pra poder aproveitar. E quando eu esquecer meu próprio nome. Que me chamem de velho gagá. Pois ser eternamente adolescente. Nada é mais…

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Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então.  Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. 

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Ana Catarina Quadrante é geriatra e coordenadora médica da Cora Residencial Senior. Formou-se na Faculdade de Ciências Médicas de São Paulo e fez residência em clínica médica no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e, também, em geriatria e gerontologia. Tem pós-graduação em aperfeiçoamento em cuidados paliativos pelo Instituto Sírio Libanês de Ensino e Pesquisa. Atuou como clínica médica do Instituto do Câncer de São Paulo e como médica geriatra nos hospitais Santa Cruz, Sírio Libanês e Alemão Oswaldo Cruz. Além disso, também foi médica da equipe de cuidados paliativos do Hospital Metropolitano do Butantã.

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