Saúde

O movimento como remédio

● Dor crônica pode ser tratada com atividade física orientada

A autoria é especialista em atividade física com idosos, mas tem dicas valiosas para qualquer pessoa de todas as idades

Diversas situações do cotidiano podem gerar algum desconforto físico, mas, quando o incômodo se torna persistente por mais de três meses, há um forte indicativo de que algo está errado e a dor pode ser crônica. Movimento

Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 30% da população do planeta convive com o problema. No Brasil, a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) estima que a situação atinja 1 entre 5 adultos, sendo as mulheres as mais afetadas.

E, conforme o avanço da idade, maior se torna a propensão de sofrer com essa condição, já que, durante o envelhecimento, alguns fatores podem colaborar, como a sarcopenia, perda de massa muscular que ocorre gradativamente após os 40 anos.

E a degeneração das células do organismo, processo em que o corpo tende a preservar-se, fazendo reserva de energia e limitação de certos movimentos.

As causas mais comuns de dores recorrentes também estão diretamente ligadas às doenças crônicas que podem surgir em diferentes fases da vida.

O Estudo Longitudinal de Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), divulgado pelo Ministério da Saúde, revelou que cerca de 70% dos idosos do país possuem alguma enfermidade desse tipo.

Hipertensão, dores na coluna, artrite, depressão e diabetes formam a lista dos principais diagnósticos identificados pelo levantamento.

No quesito dor crônica, dores na coluna e artrite – desgaste grave das articulações e que provoca inflamação, dor e rigidez nas partes afetadas – são problemas bem comuns na população acima dos 60 anos.

Sedentarismo e a dor

No passado, as recomendações para quem sofria com dores crônicas eram repouso e inatividade.

Hoje, esse conceito está mudando entre os especialistas de saúde, graças aos avanços da ciência que mostram que o sedentarismo afeta diretamente vários sistemas do organismo e eleva a propensão ao desenvolvimento de doenças crônicas.

Para quem convive com esse desconforto contínuo é comum, em um primeiro momento, sentir medo de que a prática de qualquer atividade possa piorar a sensação incômoda.

A percepção da dor deve sempre ser respeitada, mas é preciso ter a mente aberta de que a mudança de comportamento se faz necessária e pode ocorrer mais facilmente se houver incentivo, acolhimento e apoio familiar.

Bom para corpo e mente

Toda a atividade física regular é boa para o coração, o corpo e a mente, ajudando a prevenir diversas doenças. Quem sofre com dores crônicas também precisa movimentar-se para auxiliar na melhora das dores e no ganho da qualidade de vida.

Do ponto de vista fisiológico, quando nos exercitamos, estimulamos o sistema nervoso central a produzir endorfina, hormônio natural do prazer, que, ao entrar na corrente sanguínea, atua como mecanismo de defesa combatendo os hormônios do estresse, produzidos pela sensação de dor.

O resultado é a percepção de bem-estar geral, uma sensação que também tenho ouvido frequentemente em relatos de idosos residentes na Cora e que são assistidos por um programa específico voltado a atividades físicas e cognitivas, individuais e em grupos.

As atividades atuam como ferramenta complementar no tratamento multidisciplinar de cuidado, autonomia e segurança do idoso e estão sustentadas pelos pilares de saúde física, social, emocional e espiritual.

Nunca é tarde para começar

A recomendação para quem sofre com dores crônicas é investir em exercícios de baixo impacto, ou seja, atividades que não sobrecarreguem as articulações, ligamentos ou outras estruturas do corpo.

Exercícios aquáticos, aeróbicos e caminhada são os mais indicados. Além disso, ter um acompanhamento médico inicial é importante, bem como, procurar a orientação de um profissional de educação física especialista para o público 60+.

Para começar, seguem algumas dicas muito importantes:
iOrganização – definir um horário que seja viável para a atividade.
lTornar o momento animado, incluindo uma música que a pessoa goste.
iRespeitar os próprios limites.
lIniciar devagar e ser persistente – de 2 a 3 vezes por semana é uma frequência mínima
.   recomendada.
iO tempo de duração deve ser ajustado conforme o limite de cada um, sempre respeitando
.   a percepção de dor.
lTer em mente que o melhor exercício é aquele que o indivíduo consegue fazer.
iLembrar que qualquer quantidade de exercício físico é melhor do que nenhuma.

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Katia Nogueira

Coordenadora de atividades físicas na Cora Residencial Senior

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