Gerações

Dos nonos e nonas

As duas avós se chamavam Adele e os seus maridos eram Ugo e Angiolo, todos italianos, mas só o vovô Ugo viveu até as netas nasceram

► Nossos quatro avós, nonos e nonas, de sobrenomes Magaton, Casarim, Pratesi, Mazzei, vieram da Itália de mudança para o Brasil no final do Século XIX. Os maternos, oriundi do Vêneto e os paternos, da Toscana. As duas nonas tinham o mesmo belo nome, Adele, o avô paterno Angiolo e o materno, Ugo. Não tivemos a ventura de desfrutar do colo das bonitas Adele, nem do carinho do avô Angiolo – quando nascemos, eles já haviam falecido.

A gente se lembra com enorme afeto do avô Ugo. Nenhuma criança de nossa então pequena e pacata cidade de Ubá, em Minas, onde nossos antepassados escolheram para morar, teve o brinquedo que ele fez pra nós: uma carrocinha de madeira, puxada por um bode! O assento, macio, veio coberto com lã de carneiro, capricho do avô para o conforto destas suas netas gêmeas.

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Tínhamos entre 2 e 3 anos apenas, mas a lembrança ainda vive em nós. O primeiro passeio atraiu gente de toda a cidade para nos ver no “carrinho de bode”, andando lentamente pelas ruas, puxado por um irmão mais velho – ou por um primo.

Nosso avô Ugo morava numa casa com um quintal enorme, onde montou sua oficina. Ali fabricava carros de boi, carroças, charretes, tudo com extremo esmero, para clientes da cidade e da zona rural. Adorávamos ver sua habilidade com as rodas. Como fosse uma escultura, com uma ferramenta pontiaguda, a enxó, ia acertando os contornos da madeira, lixando-a depois até que ficasse lustrosa e lisa.

Rosto anguloso, cabeça branquinha, nariz afilado e comprido, olhos claros – assim como sua boa alma –, esse foi o nono Ugo Casarim. Deixou-nos quando ainda éramos crianças, levando com ele, tão cedo, a única referência que tivemos do amor de um avô.

 

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