No embalo dos netos

Embalo
Vó Nair (em foto do filho dela, Jun Kenzo Noguchi) e os netos Nicole (blusa listrada), Gabriel e Olivia: disposição para seguir a evolução deles

Por Nair Keiko Suzuki

●   Desacelerar para vivenciar a avosidade

► Depois de mais de 40 anos de intenso ritmo de trabalho, quase enfartando de tanto estresse, as pessoas param em busca de melhor qualidade de vida. E desaceleram. Tiram o pé do acelerador para acompanhar o passo trôpego do neto que acaba de completar 18 meses de vida. Para ele, tudo é novidade. No embalo, ele descobre o mundo real, mas no seu ritmo.

E os avós se desdobram para ensinar-lhe tudo o que sabem. E ele tem vontade de aprender. Acompanhar os netos que estão nessa fase é um grande desafio. Requer tempo. Paciência. Dedicação e muita energia. Os tempos são outros, não dá para comparar com a época em que os nossos filhos eram  bebês.

A missão seria mais leve se os filhos não esperassem tanto para dar-lhes netos.  A atual geração adia tanto a paternidade, que os avós frescos de hoje são invejados por amigos e parentes pelo nascimento do primeiro neto quando já entraram na casa dos 60 anos ou mais.

Haja disposição para acompanhar os bebês e sua evolução: colo, primeiros passos, be-a-bá, correria pela casa.

Criança adora repetir brincadeiras. Diverte-se brincando de esconde-esconde a qualquer hora do dia. De correr atrás de bolhinhas de sabão no quintal. De montar o mesmo quebra-cabeça que acabou de desmontar. Quando mais mocinha, adora contar a história da princesa que encontra o seu príncipe, canta, dança, e repete tudo de novo, inúmeras vezes.

Paciência, embalo e alegria

Na hora do passeio, carregam consigo vários carrinhos, bonecas, bolsinhas, bichinhos, tudo o que as mãos conseguem levar. Depois, esquece-os no carro, na pracinha, na casa do amiguinho, no restaurante.

O neto de hoje pede para sintonizar desenho animado no iPad ou no celular e fica assistindo os mesmos filmes uma, duas, três vezes, sem demonstrar cansaço. E leva horas para fazer uma refeição, escolhe o que come e despreza verduras e legumes. Nessas horas, há que se ter muita paciência.

Nem sempre papai e mamãe têm tempo de esperar e conferir se os filhos estão bem alimentados. E se estão felizes, brincando e aprendendo.

Mas vovô e vovó sim. Eles têm tempo e toda a paciência do mundo para satisfazer as vontades dos netos. Conseguiram desacelerar de fato o ritmo de vida que levavam. E desempenham, com imenso prazer, sua avosidade.

E mais…

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Nair Keiko Suzuki é jornalista, avó de Olivia, Nicole e Gabriel

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