Gerações

Voternidade, as raízes e o futuro

● Fica entre o que fomos como mães e o que os filhos escolhem

Vovó Monalisa sussurra aos netos Marcelo, Felipe e Malu: “você pertence a algum lugar, faz parte de algo maior”

A “voternidade” contemporânea é uma das surpresas mais vibrantes da maturidade. Ela não se parece em nada com a imagem estática das avós de antigamente; hoje, ela tem agenda, profissão.

E uma vitalidade que corre para ofertar suporte, mas que também sabe agendar sua própria disponibilidade. É um papel exercido na fronteira delicada entre o que fomos como mães e o que nossos filhos escolhem ser como pais.

Ser avó exige a maestria de saber recuar para dar o protagonismo a quem agora estrela a jornada da parentalidade, sendo suporte sem jamais ser invasão. Ser avó é descobrir o amor livre.

Voternidade

Um amor que, como o de Marcelo, que este ano inaugura seus dez anos, traz o desafio da pré-adolescência e a necessidade de um diálogo que valide sua autonomia crescente. É o amor que, como o de Felipe, aos seus sete anos, “sai espremido” em abraços que curam e encontram no colo da vovó um conforto garantido.

E é o amor que, como o de Malu, nossa “cerejinha do bolo” de quatro aninhos, se manifesta na saudade chorosa e nos planos de viagens futuras, onde o mundo será explorado apenas pelas duas.

Amortecedor de estresse

Nessa jornada, a avó atua como a guardiã da transgeracionalidade.

Enquanto os filhos estão mergulhados nos desafios e conquistas de suas próprias carreiras e rotinas – muitas vezes vivendo as histórias com a cabeça no futuro –, a avó guarda os detalhes, os rituais e as situações peculiares que ninguém mais registrou.

É ela quem sussurra aos netos: “Você pertence a algum lugar. Você faz parte de algo maior”. Esse enraizamento é o que a ciência chama de amortecedor de estresse: relações intergeracionais fortes são a arquitetura invisível da resiliência emocional de uma criança.

Exercer esse papel exige estar atenta às demandas específicas de cada fase: acolher a dor do crescimento, os desencontros da vida e falar as verdades mais difíceis que, se ditas pelos pais, poderiam gerar conflito.

Voternidade

A avó é o porto seguro que acalenta após uma briga, sem jamais retirar a autoridade de quem cria, mas oferecendo o apoio necessário para que filhos e netos se reencontrem.

Descobrir essa missão nos rejuvenesce.

Não somos mais as donas da casa, somos as guardiãs da memória e do afeto. Somos a garantia de que, entre um lanche no balcão e uma história repetida, a identidade da nossa família continuará viva, pulsante e profundamente amada.

Imagens: Arquivo pessoal

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Então. Pois. Voternidade. Então. Pois. Voternidade. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois.

Voternidade

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Monalisa Nascimento dos Santos Barros

Psicóloga, professora titular dos cursos de medicina e de psicologia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, docente permanente dos mestrados profissionais de Psicologia da Saúde (IMS-CAT UFBA) e de Saúde da Família (Fiocruz/UFBA); é avó de Marcelo, Felipe e Malu

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